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Pneumonia um grave problema de saúde pública
 Milton Artur Ruiz

As pneumonias são no país ainda um grave problema de saúde. Isto se deve a, inúmeros aspectos e dentre eles, ao fato de que as mesmas não são de notificação compulsória. Ou seja, quando diagnosticadas, não existe obrigatoriedade dos médicos de cominicarem a doença aos órgãos públicos. Assim a sua magnitude em relação a outras doenças, e o número de novos casos, é apenas estimado e os dados que existem a disposição de estudos estatísticos com certeza é incorreto.

Mesmo com esta falha, estima-se que em nosso país 50% das infecções respiratórias são devido a pneumonias. Elas são consideradas portanto a primeira causa de morte no âmbito das doenças infecciosas.

Outro dado relevante, é que as pneumonias são sem sombra de dúvida também, o primeiro motivo de consulta na faixa inferior aos 5 anos de idade e superior aos 65 anos. Estes dados, suscitaram a realização de uma avaliação da pneumonias pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, com o objetivo de criar normas e conceitos para abordarem a moléstia. Assim as pneumonias podem ser causadas por germes adquiridos na comunidade ou no ambiente hospitalar em vigência de uma internação.

As pneumonias adquiridas na comunidade ou PACs, conceitualmente seriam aquelas contraídas ou adquiridas pelo paciente fora do ambiente hospitalar. Também são consideradas PACs, aquelas que se apresentam digamos, nas primeiras 48 horas logo após a internação hospitalar.

Apesar da existência de inúmeros medicamentos, os antibióticos por exemplo, o tratamento das peneumonias na maiora das vezes, é feito de maneira empírica baseado no conhecimento dos germes mais frequentes, sem que se saiba na realidade, qual o germe responsável pela infecção. O médico na verdade, quer e deve saber qual é tipo de germe responsável pela infecção, mas isso nem sempre é possível de forma rápida, e a tempo para uma prescrição ideal. Por isso é que estudos se fazem necessários para conhecer a freqüência dos germes e as populações que eles mais atingem. O consumo brasileiro avaliando vários relatos e trabalhos científicos concluiu que determinados germes são freqüentes enquanto outros são subestimados ou superstimados como responsáveis pelas pneumonias.

Este dado assume importância pois intui que o tratamento em muitos casos está no mínimo mal dimensionado, procurando-se às vezes "matar" germes com armas ou medicamentos caros e exagerados.

Esta linha de raciocínio decorre do fato que o Pneumocco, germe considerado como o grande causador das pneumonias, foi no passado muito valorizado como agente da doença. Além do Pneumocco, outros germes como o Haemophilus, Mycoplasma, Legionella, Chlamydia, Staphilococos e o Mycobacterium tuberculosis, hoje considerados agentes causadores importantes das pneumonias adquiridas na comunidade.

Assim, a abordagem dos pacientes com PACs deve ser padronizada respeitando dados epidemiológicos, idade do paciente, e principalmente valorizando o aspecto da existência ou não de doença pregressa. Em um idoso por exemplo, que no passado tenha tido um derrame ou seja portador de doença neurológica, contrair penumonia é uma situação de extrema gravidade, quando comparamos esta doença em um paciente mais jovem e que não tenha antecedentes de outra moléstia. Em termos de mortalidade os idosos tem um risco maior. Assim as pneumonias, em pacientes diabéticos, portadores de outras doenças pulmonares, cardíacas, renais e imunológicas, além dos hipeertensos e portadores de câncer, tem uma perspectiva de pior evolução e também uma posibilidade maior de óbito pela infecção. Estas doenças então nos pacientes com pneumonias são consideradas preditoras de mortalidade. Finalizando, os cuidados em um paciente nesta situação é mais delicado e como tal devem estas pneumonias serem abordados no tratamento.

Os idosos que contraem pneumonias merecem uma abordagem especial por apresentarem maior vulnerabilidade. Ainda em relação a estes pacientes existe o fato de que a doença pode começar de forma atípica e sem os sinais clássicos da doença como febre, tosse, dor no tórax e falta de ar. Os médicos muitas vezes podem ao exame inicial também não encontrarem os ruídos que a ausculta caracterizam as pneumonias. Por isto é que este grupo merece uma abordagem especial e a prevenção através de cuidados e vacinações devem ocorrer afim de se evitar uma doença ainda vista como banal mas que carrega em seu bojo uma alta taxa de mortalidade.

Prof. Dr. Milton Artur Ruiz

Coordenador de Ensino do TMO , Pós Graduação da Faculdade de Medicina de S.J. Rio Preto , SP.