Make your own free website on Tripod.com

Sinusite é processo infeccioso que provoca secreções no interior da face
Milton Artur Ruiz

Um dos problemas mais frequentes, entre a população em geral, é a sinusite. Trata-se de um processo inflamatório que ocorre nas cavidades (ou seios) paranasais, que são os espaços aéreos que circundam o nariz e se comunicam com ele através de pequenas aberturas, os óstios. Por aí são drenadas as secreções produzidas nos seios paranasais.

São os seguintes os quatro tipos de seios paranasais:

Seios maxilares - Estão localizados na parte anterior da face, abaixo dos olhos, acima da arcada dentária superior e ao lado do nariz.

Seios frontais - Localizam-se na fronte, acima dos olhos e à frente da fossa cerebral anterior.

Seios etmoidais - Localizados entre os olhos e abaixo da fossa cerebral anterior.

Seios esfenoidais - Ficam atrás dos olhos e à frente da glândula hipófise.

Um meio de prevenir o surgimento das sinusites é através do controle eficaz das doenças que podem ser a sua causa. A seguir, algumas delas:

1) Tratamento da rinite alérgica em todas as suas formas, pelo uso de medicamentos locais ou sistêmicos e imunoterapia com vacinas, com visitas periódicas ao otorrinolaringologista, para controle da evolução do quadro e ajustes no tratamento.

2) Prevenção da gripe, que deve ser feita no outono e início do inverno, através de vacina específica.

3) Tratamento cirúrgico das alterações da anatomia nasal, que possam causar as sinusites, como os desvios de septo nasal, cornetos aumentados, polipos e adenóide aumentada, causando obstrução nasal posterior.

4) Atenção quanto ao ambiente, especialmente em relação à emissão de irritantes nasais, como a fumaça do cigarro, e controle dos fatores associados com maior frequência à rinite crônica (poeira doméstica e mofo).

Caso agudo tem pouca duração

As sinusites agudas são caracterizadas pela curta duração. O indivíduo sente dor em locais diferentes, dependendo do seio afetado. As regiões mais frequentes são a frontal, a maxilar (com sensibilidade na arcada dentária superior) e em torno dos olhos. A dor, geralmente, é de intensidade variável, piorando com a movimentação da cabeça e melhorando com analgésicos comuns.

Dependendo do seio afetado, ela pode ser aguda e muito forte. Também é comum a sensibilidade ao toque da região dos seios com problema, obstrução nasal uni ou bilateral e secreção nasal de diversas colorações (em geral, tendendo ao amarelo esverdeado) e de viscosidade tanto maior quanto mais tempo de evolução tiver a sinusite aguda. A secreção pode ser drenada pela parte anterior do nariz, ou pelas coanas (aberturas posteriores das narinas), correndo direto para a garganta.

Diagnóstico - É feito, principalmente, pela história da moléstia e por exames. A sinusite aguda pode ser precedida, na maioria dos casos, por eventos variados: estado gripal, crise de rinite alérgica e fenômenos associados à despressurização (mergulhos e viagens aéreas). Eles podem provocar obstrução da drenagem do seio paranasal afetado, com o surgimento dos sintomas já mencionados.

Para a confirmação da suspeita diagnóstica, realiza-se o exame direto do nariz (rinoscopia), para que se possa detectar a presença de secreções com características de infecção; alterações das estruturas endonasais que possam ter contribuído para causar a sinusite, como desvios de septo nasal; aumento do volume das paredes laterais do nariz (cornetos); e observação da mucosa nasal que, no caso da sinusite, em geral se apresenta muito congesta. Dependendo da dificuldade de visualização das estruturas endonasais, pode ser necessária a utilização de fibra ótica para o exame das porções mais posteriores da cavidade nasal.

Persistindo a dúvida, ou para uma visualização mais ampla da extensão da sinusite aguda, pode ser solicitado estudo radiológico dos seios paranasais, observando-se a existência de secreções retidas no interior das cavidades e eventuais sinais de complicações. Nesse caso, é indicada a tomografia computadorizada, para uma avaliação mais pormenorizada destas complicações.

Episódios crônicos são mais complexos

As sinusites crônicas são de longa duração. Elas apresentam secreção nasal persistente, geralmente fétida, espessa e escura, acompanhada da diminuição e alteração do olfato, com sensação de mau cheiro, podendo haver surtos de dor, com intensidade menor que nas sinusites agudas.

Nos casos crônicos, em geral, não há referência a um evento que tenha precedido a doença. O tipo de queixa e o tempo de duração do problema determinarão a suspeita diagnóstica.

A rinoscopia poderá revelar a existência de secreção espessa, escura, geralmente posterior, e mucosa congesta. Com frequência, há a presença de polipos inflamatórios (formações teciduais benignas, de tamanho variável, presentes em infecções crônicas, associadas ou não a processo alérgico de base), dificultando a drenagem dos seios paranasais.

O exame com fibra ótica geralmente é feito para se avaliar com mais detalhes todas as porções da cavidade nasal. O estudo radiológico solicitado é de rotina, para se quantificar as lesões no interior dos seios paranasais, assim como a tomografia computadorizada, já que algum tipo de tratamento cirúrgico pode ser necessário.

Tratamento inclui uso de antibióticos

O tratamento das sinusites agudas é feito, geralmente, com o uso de antibióticos específicos, associados a sintomáticos e outras drogas, como mucolíticos, dependendo do caso. Pode ser necessária eventual intervenção cirúrgica, como a punção e lavagem de um seio paranasal, a fim de remover a secreção de seu interior, caso não haja resolução com o tratamento clínico. Nas sinusites agudas de repetição, após o tratamento da crise, é feita avaliação para se determinar a causa, que deverá ser controlada clinicamente (como nas rinites alérgicas), ou através de cirurgia (caso dos desvios do septo nasal).

As sinusites crônicas envolvem, no tratamento, antibioticoterapia específica para a flora bacteriana mais comum nestes casos, associada a medidas que possam aerar os seios paranasais, para que eles voltem a funcionar normalmente. Estas medidas podem ser medicamentosas, como o uso de corticóides locais para desinflamar a mucosa nasal, ou cirúrgicas, com remoção de polipos, mucosa espessada e degenerada, além de outras alterações das fossas nasais e dos seios paranasais, através da microcirurgia endoscópica ou das técnicas tradicionais, conforme o caso.

Crianças também podem ser afetadas

As sinusites podem ocorrer em qualquer idade. Nas crianças, de um modo geral, a sinusite está associada à rinite alérgica e/ou ao aumento exagerado da adenóide (órgão semelhante às amídalas, que se situa junto à abertura posterior das narinas, onde se comunicam com a garganta). Nesse último caso, há obstrução das narinas pela sua parte posterior.

A suspeita da sinusite na criança deverá ser feita pela ocorrência de tosse seca noturna persistente; pelo nariz úmido, com secreção ou não; e pela obstrução nasal constante. O diagnóstico geralmente é feito pela observação direta do nariz (rinoscopia), de preferência com auxílio de um microscópio ou fibra ótica, podendo, caso necessário, ser feito estudo radiológico complementar.

Colaborou o médico Raimundo Monteiro de Fazio.