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As dores do câncer
Câncer de Mama
Radioterapia
Câncer Infantil
Tumor de Wilms
A dor do câncer (2)
Milton Artur Ruiz

As dores do câncer
Milton Artur Ruiz

O número de pessoas que morrem de câncer no mundo anualmente é de aproximadamente 5 milhões segundo a Organização Mundial de Saúde( OMS ) . Na Europa, mais de 20% das mortes são devido a algum tipo de câncer . Dentre os pacientes com a doença , mais da metade em algum momento do tratamento, principalmente aqueles sob tratamento agressivo sentem algum tipo dor. Nestas condições torna-se obrigatório o controle dos quadros dolorosos com o objetivo de assegurar a qualidade de vida dos pacientes durante o tratamento e nos estágios avançados da moléstia. Para o controle dos processos dolorosos o enfoque deve ser amplo e baseado no controle da doença com as diversas modalidades de tratamento como a radioterapia , quimioterapia , cirurgia e psicoterapia além da terapia específica medicamentosa contra a dor. Em relação a este aspecto a OMS considera que existem três degraus ou patamares para nortear o emprego dos diversos medicamentos disponíveis no mercado. O primeiro degrau no qual a dor é considerada leve , preconiza-se o emprego de medicamentos a base de aspirina ou paracetamol . Nestes casos eventualmente podem ocorrer associações com outros medicamentos como os anti-depressivos ou anti-convulsivantes. Caso a dor não seja controlada e processo persista é necessário que os medicamento sejam mudados , sendo sugestão da OMS que a opção na seqüência recaiam nos opiáceos mais fracos . Este é o segundo degrau na escala da dor. O terceiro é quando a dor é intensa , e nestes casos preconiza-se o uso de opiáceos fortes como a morfina , que deve ser administrada por via oral , e eventualmente associada a outros medicamentos para o combate da dor .

A mensuração da dor é uma situação extremamente subjetiva , sendo díficil para o médico quantificar a intensidade da dor , e então optar pela melhor alternativa de medicação. Várias tentativas de quantificação existem citadas na literatura médica . Para os adultos existem escalas verbais , nas quais orienta-se o paciente a decidir entre 0 a 5 a intensidade da dor que apresenta. Existem também outras escalas numéricas , análogas visuais, resposta a dor assim como cartões especiais desenhados para avaliação da intensidade da mesma . Como exemplo de um cartão da dor existente , podemos citar o do Memorial Sloan Kettering , hospital de Nova York , Estados Unidos , especializado no tratamento de câncer.

Analgésicos potentes no controle da dor

O número de casos de câncer continua a aumentar e o controle da dor nestes pacientes tem de ser constante. Embora os médicos históricamente tenham assumido que a via endovenosa e a subcutânea sejam as mais apropriadas para o tratamento de dores intensas , obtém-se analgesia similar com medicamentos orais . Atualmente indica-se a terapia parenteral sistêmica seja reservada para situações dolorosas específicas .Em relação ao uso da medicação oral podemos dizer que o seu emprego faz com que exista uma redução da sensação de doença ,aspecto psicológico que normalmente acompanha o paciente que está utilizando medicação parenteral ou injeções. Outro aspecto importante refere- se ao fato que o paciente com medicação oral passa a ter mais mobilidade e autonomia . Na opinião do médico Richard Patt do MD Anderson Cancer de Houston ,Texas dos Estados Unidos , a opção moderna para o tratamento da dor do cancer é a morfina e seus derivados por via oral.

Além do uso oral de medicamentos outras vias tem sido estudadas .

A via transdérmica , mucosa oral , regionais ( epidurais e intratecal )os procedimentos anestésicos e neurocirúrgicos estão entre as alternativas avaliadas.

A via transdérmica tem sido considerada uma aternativa promissora e recomendada em diversos países.

Dentre os preparados para esta função citamos o fentanil que em diversos estudos tem sido preferido à morfina. O medicamento além de efetivo pode ser administrado de forma confortável por via transdérmica ,ou seja , pode ser administrado pela pele como um adesivo. O medicamento desta forma fica sendo introduzido constantemente no organismo. Os efeitos do tratamento normalmente não são evidentes nas primeiras 12 horas após a primeira aplicação do adesivo. Porém , paulatinamente a cada 72 horas , quando os mesmos vão sendo trocados e o nivel sanguíneo do medicamento se estabiliza , o efeito analgésico é obtido. O adesivo apresenta várias dosagens , o que permite um acerto da dose ou até aplicar conjuntamente mais de um adesivo . A efetividade do medicamento , e a sua forma de administração tem sido comprovada por vários estudos clínicos , que demonstraram redução dos sintomas dolorosos e uma melhora evidente da qualidade de vida dos pacientes. Dentre os aspectos que comprovam melhoria da qualidade de vida está o dado que os pacientes não apresentam tanta sonolência durante o dia e menos alterações digestivas , como náuseas , vômitos e constipação . O sono noturno também é menos agitado do que o dos pacientes que utilizam morfina rotineiramente.

Como funcionam os adesivos medicamentosos

Os adesivos medicamentosos são projetados para liberarem constantemente o medicamento que habitualmente encontra-se em forma de geléia em um reservatório protegido , o que previne perdas do mesmo e garantia efetiva de que o mesmo irá para o interior do organismo. Entre o recipiente do medicamento e a pele existe uma membrana que controla a entrada do fentanil . O adesivo transdémico é normalmente trocado a cada 3 dias . A sua vantagem reside no fato de que o mesmo é conveniente e confortável , pois faz com que o paciente até esqueça da dor e de que está doente. O adesivo é muito útil para os pacientes esquecidos e rebeldes que não se dão com outras formas de medicamento. No entanto , como em outros medicamentos , o adesivo transdérmico tem também seus efeitos colaterais , como constipações , náuseas , vômitos vertigens e outros, porém os estudos demonstraram que eles são de menor intensidade.

Neste ponto é bom lembrar que cada paciente tem a sua individualidade e portanto uma resposta que pode não ser a habitual. As prescrições devem ser a critério do médico assistente e o conceito de que a dor é inevitável no câncer deve ser modificada. Este conceito tem sido largamente estimulado pela OMS e instituições como a American Pain Association e a Sociedade Brasileira de Estudos da Dor. O conhecimento de analgesia deve ser difundido na classe médica brasileira para que os pacientes não sintam dor no câncer e tenham uma melhor qualidade de vida.

 

Câncer de Mama
Milton Artur Ruiz

O câncer de mama é uma causa importante de morte em todo o mundo. Nos Estados Unidos, estima-se que mais de 60 mil mulheres falecem pela doença e que todos os anos 200 mil novos casos são detectados. A Associação Americana de Câncer prevê que uma em cada oito mulheres americanas terá câncer de mama.

Estes dados demonstram que medidas efetivas na busca de novos tratamentos devem ser realizados, afim de se procurar as causas da doença e difundir ensinamentos para o diagnóstico precoce, novas alternativas de tratamento com o objetivo de aumentar a sobrevida das portadoras e principalmente novas estratégias para a cura da moléstia.

O câncer de mama é a principal causa de câncer na mulher, e só não é a doença de maior freqüência como causa de morte na população, porque as estatísticas demonstram que ainda se more mais de câncer de pulmão.

A possibilidade de se contrair a doença estão ligados ao modo de vida ocidental, a dieta e fatores de risco específicos identificados como causadores da moléstia.

Assim, uma mulher terá maior probabilidade de ter o câncer de mama se tiver na família casos da doença. As chance de ter a doença aumentam também em mulheres que não tiveram filhos ou a primeira gravidez após os 35 anos de idade, a primeira menstruação muito cedo ou menopausa tardia. A incidência da doença também é maior na raça branca com idade avançada, e em mulheres que tenham tido problemas mamários, como displasias ou antecedentes da doença anteriormente. As dietas gordurosas, o álcool e o fumo também estão entre os possíveis fatores de risco para o desenvolvimento da moléstia.

Fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama

Raça Branca
Idade Em torno dos 60 anos
História Familiar Câncer de mama em mãe, irmã ou filha
Antecedentes médicos Câncer do endométrio

Displasia Mamária

Câncer em outro seio

História Menstrual Menarca precoce (antes dos 12 anos)

Menopausa tardia (após os 50 anos)

Gravidez Nulípara ou primeira gravidez tardia

Implantes de mama e câncer

Embora existam descrições de complicações entre as mulheres que realizaram implantes mamários de silicone, a constatação efetiva de que os mesmos causem câncer ainda não está provada. Esta é a afirmação de um trabalho de revisão publicado na revista do Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos de setembro.

Todavia, a possibilidade do desenvolvimento do câncer de mama pós implante não esteja comprovado, o silicone pode causar problemas aos pacientes. O silicone foi utilizado desde 1962, e até 1989 mais de 1 milhão de mulheres americanas receberam implantes mamários. Estes implantes, segundo os relatos, na maioria das vezes foram por motivos cosméticos e somente cerca de 20% dos implantes por motivos reconstrutivos após extirpação de mama.

As complicações de muitos implantes levou a grande controvérsia, tanto nos Estados Unidos como na Europa, e os problemas muito bem documentados em vários estudos. Dentre as complicações descritas podemos citar infecções localizadas, cicatrizes e contraturas dos tecidos ao redor do implante causando dores, desconforto e principalmente uma aparência anormal e desagradável. Estão descritos também casos de sangramentos, ruptura ou de desintegração do implante.

Existem diversos relatos que, dependendo do tempo de permanência do implante, 70% dos casos deverão apresentar problemas. Este dado não deve no entanto ser levado em conta, visto que muitas mulheres não preferem realização do implante e o resultado observado nestes estudos deve estar superestimado.

O silicone quando rompe-se do envelope implantado pode ser encontrado no sangue, fígado e em tecidos distantes ao da mama. Ao início pensava-se que o silicone era inerte. Porém, anormalidades nos implantes, alterações imunológicas e de doenças do tecido conjuntivo tem demostrado que isto não é verdade.

A presença de anticorpos no sangue de pacientes aparentemente sem problemas e casos do Síndrome Fadiga Crônica atestam que observações adicionais devem ser conduzidas. Outras doenças têm sido relacionadas como causadas pelo implante de silicone, dentre elas podemos citar os fibrosarcomas, o Mieloma múltiplo e linfomas restando, no entanto. ainda muitas dúvidas do papel principal ou coadjuvante do silicone no desenvolvimento do câncer.

 

Radioterapia
Milton Artur Ruiz

Raios que matam e curam

A mesma energia contida no núcleo de todos os elementos, que pode matar com raios que caem doidamente do céu, ou com a fúria de uma explosão atômica, esta sendo domesticada pelo homem e salvando vidas.

A Radioterapia comemora seus primeiros 100 anos, tornando-se mais eficaz e segura.

Foi Henri Becquerel, em 1896, que descobriu a radioatividade natural dos elementos da natureza. Depois, Pierre e Marie Curie chegaram às conclusões necessárias para a manipulação dos elementos radioativos. Sempre que falarmos do urânio, do polônio e do rádio o casal Curie será lembrado.

Em 1911, os estudos de Ernest Rutherford sobre os elétrons levaram à melhor compreensão da natureza das radiações. Ele também desenvolveu a técnica de produção de isótopos artificiais, os radioisótopos ou isótopos radioativos: um bombardeio de prótons (partículas eletrizadas de alta velocidade) no núcleo de certos elementos químicos como o outo, iodo, ferro.

Com excelentes "espiões", os radioisótopos são empregados para descobrir tumores e também exercem funções terapêuticas, levando pequenas doses de radiação para destruir tecidos doentes, sem prejudicar os sadios. Pequenas sementes de ouro radiativo, por exemplo, podem ser injetadas em tumores de difícil acesso, como na bexiga e na língua.

Os raios X têm comprimento de onda muito curta e grande poder de penetração, possibilitando a sua passagem através dos tecidos moles do corpo. O poder terapêutico dos raios X, e de outras formas radioativas como o cobalto, raios gama, isótopos radioativados de ouro, iodo, césio, etc., se dá pela alteração no DNA das células.

Tratamentos

Quando há um crescimento anormal de células, benigno ou maligno, a radioterapia é indicada. Cerca de 2/3 dos tumores cancerígenos são tratados única ou complementarmente com ondas radioativas. Outras doenças, como Espondilite Anquilosante, um tipo de artrite que afeta a espinha, e cicatrizes quelóides podem ser tratadas com radioterapia.

Fazer terapia usando ondas radioativas é uma ciência a parte. O médico precisa entender muito de Radiobiologia, Oncologia Clínica e Física Médica. Assim como os medicamentos químicos, a dose adequada precisa ser criteriosamente medida, de acordo com a necessidade, para não ser prejudicial aos tecidos sadios circunvizinhos à área a ser tratada.

A radioterapia pode ser feita á distância (Teleterapia) e localizada, com a introdução de isótopos radioativos em contato direto com o tumor (Braquiterapia). A Teleterapia reduz a área do tumos, dando a possibilidade de se fazer a braquiterapia que, agindo de forma localizada, preserva a integridade dos tecidos sadios.

Hospital do câncer tem estudo único de radioterapia na América Latina.

O Departamento de Radioterapia do Hospital A.C.Camargo apresentará um estudo pioneiro de tratamento para Melanoma de Coróide, um tumor bastante comum que afeta a parte de trás do olho.

Devido ao difícil acesso, o procedimento clássico para esse tipo de câncer, altamente progressivo e letal, consiste na retirada o olho doente e posterior colocação de prótese ocular. O Hospital do Câncer é o único centro no Brasil, e um dos poucos do mundo, que fazem um tratamento radioterápico para eliminar esse tumor.

O tratamento é feito com Brquiterapia. Uma minúscula placa de metal, contendo cobalto radioativo, é colocada em contato direto com o tumor, através de uma cirurgia rápida. Estudo ralizado pelo Hospital A. C. Camargo demonstra resultados poritivos- eliminação de tumor - em 70% dos pacientes tratados.

O trabalho foi realizado pelo Departamento de Radioterapia e Serviço de Oftalmologia do Hospital A.C.Camargo, com a supervisão do Dr. Nivaldo Trippe e da Dra. Clélia Maria Erwenne, e foi apresentado no CRILA - Círculo Ibero Americando de Radioterpia - na cidade do Panamá em março de 96. O estudo será apresentado também no Congresso Mundial de Braquiterapia, em Paris, em abril de 96.

Hospital do Câncer representará o Brasil em estudo multicêntrico de Radioterapia na América Latina.

Todos os problemas, pesquisas e estudos que envolvam qualquer forma de energia nuclear no mundo - bomba atômica, raio X, pára-raios - tem o controle da Agência Internacional de Energia Atômica, sedida em Viena, Áustria.

Preocupada com a qualidade de radiação nuclear terapêutica utilizada na América Latina, a Argentina promove o Projeto ARCAL - Acordo Regional de Cooperação para a América Latina. Na versão deste ano, o objetivo do estudo é conhecer o status do tratamento com radiações para o câncer de colo de útero, uma doença ainda muito comum nos países do terceiro mundo. O nordeste brasileiro tem a maior incidência mundial desse tipo de câncer.

O Brasil é representado pelo Departamento de Radioterapia do Hospital A.C.Camargo, dirigido pelo Dr. Nivaldo Trippe. A organização do projeto ARCAL, considerou o HACC um dos centro de referência na América Latina para treinamento em radioterapia oncológica e assim firmou convênio para a realização do projeto de pesquisa da Agência Internacionl de Energia Atômica.

Mais de 70% dos pacientes com câncer são submetidos a radioterapia. Em alguns tumores, as radiações por raios X, Gama ou Photos são a única - e eficaz - forma de tratamento. O departamento de radioterapia do Hospital do Câncer atende cerca de 250 pacientes por dia e é considerado um dos mais modernos do país. O Hospital A.C.Camargo tem uma Escola de Cancerologia, que forma residentes e graduados em Radioterapia e Física Médica para especialistas brasileiros e estrnageiros. O curso regular compreende matérias como radiobiologia, oncologia clínica e física médica.

Radioterapia modifica o perfil da Leucemia infantil

A leucemia nas crianças é um dos canceres mais temidos e mais frequentes. No passado a doença era totalmente incurável. A partir da década de 1960, a sorte das crianças começou a mudar quando a combinação de medicamentos, os quimioterápicos, fez com que as chances de um tempo de vida mais longo aumentasse. Um dos motivos que fazia com que a doença não fosse eliminada é que mesmo com o tratamento algumas células permaneciam escondidas e quietas em alguns locais do organismo inacessível nos medicamentos quimioteráipcos.

Um dos locais mais importantes era o cérebro, especificamente as meninges que alberga estas células e assim fazia com que a doença se perpetuasse. Assim havia necessidade de encontrar um meio de atingir este local. O meio encontrado foi o de utilizar a radioterapia sobre o crâneo. Neste caminho, um serviço teve importância e foi um serviço novo no cenário de tratamento de doenças infantis o St. Jude Research Cancer Institute localizado em Menaphis, Tennesse, Estados Unidos.

Os estudos iniciais idealizados por Alvim Mauer, Donald Pinkel e desenvolvidos por um brasileiro na época residente do hospital, Rhomer Aur, e por um argentino Omar Hustu passaram a apresentar resultados excelentes que resultaram na melhora de muitas crianças aumentando o seu tempo de vida e observando-se os primeiros casos de crianças***.

Hoje a profilaxia da leucemia do sistema nervoso central, é norma e praxe em tratamento de diversas doenças linforproliferativas de crianças e adultos o que coloca a radioterapia como um método consagrado e adjuvante no tratamento e perspectivaas de cura de doentes de todas as idades.

 

Câncer Infantil
Milton Artur Ruiz

No Brasil, a cada ano, ocorrem de 5 a 7 mil novos casos de câncer na infância e na adolescência, na faixa etária de 10 a 15 anos, sendo a terceira causa de mortalidade infantil, só superada por casos de acidentes.

No passado, quase todas as crianças e adolescentes, diagnosticadas de câncer morriam. Mas esse quadro mudou, e a descrição de curas em diversos tipos de câncer agora são rotineiras. No Brasil e no resto do mundo, se analisarmos os vários tipos de câncer, podemos afirmar que a doença é curável em aproximadamente 70% dos casos. Com estes dados e extrapolando a evolução da doença, que apesar de tudo está aumentando, acredita-se que ao redor do ano 2010 um entre cada 250 adultos será sobrevivente de um câncer infantil.

Além do aumento da sobrevida na moléstia a qualidade de vida mudou para melhor, ainda mais quando o diagnostico é precoce, e a estratégia de tratamento empregada é correta e a cura perseguida como factível. Este é um dado fundamental para o sucesso, além do abandono da cultura da morte inexorável pelo câncer, que deve ser substituída pela esperança de vida durante todos os dias de tratamento da moléstia.

Recentemente na cidade de Puebla no México, foi realizado um workshop internacional sobre tratamento e o papel da nutrição na evolução da doença. As perspectivas de cura existentes nos países desenvolvidos para os diversos tipos de canceres infantis, poderá não ocorrer pela desnutrição que existe em diversos países subdesenvolvidos.

Outro fato ressaltado se deve a alta incidência de doenças infecciosas existentes nestes países o que compromete mais ainda o estado nutricional destas crianças.

Leucemia é o câncer mais comum na infância

Os casos de câncer podem surgir desde o nascimento. Abaixo dos 12 anos, ocorrem mais comumente leucemias, tumores do sistema nervoso central de Wilms e os neuroblastomas. Acima desta idade, aparecem mais os tumores ósseos e os linfomas.

Esses tipos de câncer tem uma característica comum nessa faixa etária, que é a rápida evolução. Isto acontece pelo fato de as crianças e adolescentes estarem em pleno desenvolvimento, e a velocidade de multiplicação das células dos seus tumores é muito maior do que nos adultos . Como regra em casos de diagnóstico ser tardio, ou em casos de doença disseminadas as chances de cura podem cair .

Uma das doenças mais freqüentes são as leucemias, que representam 30% de todos os tumores infantis. O tipo mais comum de leucemia na infância é a do tipo linfoblástico que tem comportamento e resposta ao tratamento muito diferente do observado no paciente adulto por exemplo.

Como alerta em relação a esta doença, os pais e o pediatra devem levar em conta as queixas da criança, que incluem dores ósseas e articulares; aumento os gânglios; anemia; manchas roxas no corpo; febre; emagrecimento; aumento do volume do abdômen e dor na região ; perda de apetite e sangramentos no nariz ou em outras localidades do corpo.

Outro exemplo pode ser quando a criança apresenta palidez e dor abdominal, sem diarréia ou obstipação. A criança reclama de dor de barriga, que passa, mas volta. Um fato importante e que deve ser levado em conta é o humor da criança que nas leucemias encontra-se irritadiço.

Nestes casos sempre deve ser verificado se as queixas de dores não se relacionam com nenhum trauma ou esforço . Em geral nos processos leucêmicos a dor pode atingir várias partes o corpo, como as articulações dos dedos das mãos e dos pés, o braço ou as pernas. Como característica as dores são intermitentes, passam com analgésicos usuais mas retornam, podendo aparecer esporadicamente ou no meio da noite. Elas normalmente não apresentam sinais flogísticos ou inflamatórios, ou seja não tem calor ou rubor.

Dores de cabeça e vômitos pela manhã, outro sinal de alerta para o câncer infantil 

Os tumores do sistema nervoso central são o segundo mais comum no Brasil, e têm preferência de aparecimento na faixa dos 3 aos 10 anos, sendo a maioria do tipo meduloblastoma.

A dor de cabeça com vômito pela manhã são os sintomas chaves em relação a doença. A mudança de posição, de deitada para em pé, aumenta a pressão intracraniana, levando a sintomas que não passam em um ou dois dias. Outros sintomas podem estar associados, como: paralisia facial; marcha cambaleante, como se tivesse ingerido bebida alcoólica; alterações visuais repentinas, ficando por vezes a criança estrábica, quando por exemplo anteriormente não apresentava esse problema. Pode queixar-se de dificuldade de assistir televisão.

Diante deste sintomas, principalmente se duram por mais de dez dias, é preciso que os pais levem a criança a um médico, para que ele encaminhe para uma investigação neurológica, que poderá confirmar se há um tumor ou não.

As dores abdominais também pode ser o sintoma para o terceiro câncer mais freqüente na infância, os linfomas. A doença acomete os gânglios que crescem e comprimem estruturas intra-abdominais. Às vezes, podem crescer gânglios em regiões periféricas como no pescoço de forma inexplicável, assimétrica e sem quadro infeccioso concomitante. Os índices de cura na doença dependem do tipo do linfoma e variam de 50% a 100%.

Já os sintomas no tumor de Wilms variam geralmente dão raros sinais no começo da doença. Esse tipo de tumor pode aparecer nos primeiros anos e vida. Pode se manifestar por uma leve dor na barriga, e às vezes, ser detectado durante o banho, quando a mãe descobre uma massa palpável na região do abdome. Quando tratado adequadamente, a chance de cura do tumor de Wilms é de aproximadamente 90%.

 Diagnóstico precoce é fundamental para a cura 

O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura. Por exemplo, o tumor de Wilms no estágio 1 cura-se em 98%. Na doença de Hodgkin com um único gânglio cervical comprometido, doença não disseminada e em estágios iniciais, a chance de cura beira os 100%.

O diagnóstico precoce também significa tratamento com menor duração, menos agressivos e sem seqüelas futuras, se a doença é descoberta em seu estágio inicial. Em conseqüência, a possibilidade de cura está aumentada e qualidade de vida assegurada, com repercussão na manutenção da capacidade reprodutiva que pode ser comprometida nos tratamentos quimioterápicos e radioterápicos longos e agressivos.

É esse o caminho, já que não há como prevenir o câncer infantil. Por isso é que torna-se importante os cuidados como: verificar bem a história de queixas da criança, devendo os pais estar atentos à evolução destas queixas, e quando não houver a melhora, retornar ao médico, frisando bem o que acontece com seu filho.

Caso seja diagnosticado o câncer, os pais devem se preparar para contar à criança. O diagnóstico causa grande impacto tanto para a criança como o ambiente familiar. Esconder o que acontece da criança e de todos é sempre o pior, e nesta hora se faz necessário o apoio de psicólogos e profissionais habilitados para informar de maneira adequada todo o problema de forma sutil mas real do que ocorrerá durante a evolução da moléstia .

É necessário contar que a criança está com câncer, porque na realidade ela deve saber o que está acontecendo com o seu corpo. O entendimento da situação pode ajudar no tratamento. Não sabendo a verdade, pode ocorrer perda de confiança nos pais e no médico, pois logo perceberá que há alguma coisa errada . E com isso, podem se deprimir, fechando o canal de comunicação que deve sempre ser mantido. A conversa tem que ser clara, e isto fará com que a confiança nos pais e no médico seja estabelecida.

Tipos de Câncer freqüentes na Infância
  • Leucemias agudas
  • Tumor de Wilms
  • Neuroblastoma
  • Meduloblastoma
  • Linfomas
Tipos de Câncer freqüentes na Infância
  • Leucemias agudas
  • Tumor de Wilms
  • Neuroblastoma
  • Meduloblastoma
  • Linfomas
 

Tumor de Wilms
 Milton Artur Ruiz

O tumor de Wilms é um dos tumores sólidos mais freqüentes na criança. Este tipo de câncer, no qual as células cancerígenas são encontradas nos rins , ocorre mais comumente em crianças com até 15 anos de idade . Como regra da maioria dos cânceres infantis, o tumor de Wilms se diagnosticado logo no início , dependendo do seu estágio e do tratamento , pode desaparecer e o paciente ficar curado . Nos Estados Unidos as crianças da raça negra são três vezes mais afetadas do que as da raça branca. A doença também acomete mais meninas do que meninos.

Essa tipo de tumor tem sido muito estudado , existindo várias hipóteses sobre possíveis fatores indutores do seu aparecimento e há evidências do fator genético na genese da moléstia . De 12 a 15 % das crianças com o tumor tem anomalias genéticas, incluindo aniridia (falta da íris em ambos olhos), hemihipertrofia (crescimento excessivo de uma das partes do corpo), e anormalidade no trato urinário. Outro dado que deve ser relatado é que existem relatos de mais de um caso em mesma familia.

Na história médica o tumor de Wilms deve ser exemplificado como um sucesso de tratamento dentre os canceres infantis . Graças ao trabalho de diversos grupos de estudos, mais de 90% das crianças pequenas, e mais de 60% de crianças com a doença em mesmo em estágios mais avançados sobrevivem em apresentam um boa qualidade de vida..

Como existe a suspeita da doença

A suspeita da enfermidade surge quando a mãe da criança nota que há um caroço , ou um aumento de um dos lados do abdômen. Freqüentemente a criança se queixa de um aumento de sensibilidade e incomodo no local do tumor além de dor abdominal, e perda de sangue na urina .Outro sintomas são febre, perda de apetite , náusea e vômitos.

Além do exame clínico , existe a necessidade de caracterizar o tumor e a sua extensão e para isto a criança deve ser submetida a um exame de raio X . com a caracterização do tumor e da sua localização . A cirurgia para retirada do tumor além de desempenhar um papel de tratamento ela serve também para propiciar o material para estudo anátomo patológico que dará o diagnóstico definitivo da doença. através de exame microscópico. Se é encontrada alguma anormalidade nos tecidos adjacentes ao tumor , o cirurgião precisará biópsias, para verificar se há células cancerígenas nestes locais

O prognóstico depende da extensão da doença e do tamanho do tumor, do tipo do tumor já que existe uma grande heterogeneidade histológica, do estágio da doença , invasão ou não de gânglios e da idade do paciente. Utilizando vários destes critérios o médico assistente irá caracterizar se o caso é ou não favorável . Crianças com o tumor em um dos rins são tratadas com quimioterapia e ou radioterapia além da remoção da área afetada .

Estágios da doença

Uma vez que o Tumor de Wilms é encontrado, mais testes devem ser feitos, afim de verificar se as células cancerígenas se espalharam dos rins para outras partes do corpo, e também detectar o estágio da doença. Com isso, o médico decidirá qual o melhor tratamento.

No estágio 1, o tumor é encontrado em apenas um dos rins, e pode ser removido completamente através da cirurgia. No estágio 2 da doença , o câncer pode ter se espalhado para outras áreas perto dos rins, como os vasos sangüíneos, ou para o sino renal ( uma grande parte do rim onde o sangue e os fluídos entram e saem dos rins). Neste estágio também , pode-se remover o câncer através de cirurgia.

No estágio 3 a situação é diferente pois o câncer está espalhado para outras áreas perto dos rins, e não pode ser removido totalmente através da cirurgia. O câncer acomete órgãos importantes perto dos rins , como vasos sangüíneos ou estar espalhado pelo abdômen, e neste caso a cirurgia não solucionará o problema, e as outras modalidades de tratamento devem ser levados em conta.

No estágio 4, o câncer se espalha para outros órgãos, além dos rins, como os pulmões, fígado, ossos e cérebro. No estágio 5, as células cancerígenas são encontradas em ambos os rins.

Tratamento

Há três modalidades de tratamento para o Tumor de Wilms. O primeiro deles e mais comum é a cirurgia, que remove o câncer em uma operação, e pode ser feita por três formas

O primeiro é a nefrectomia parcial que remove o câncer e parte do rim em volta do câncer. Esta cirurgia é empregada apenas em casos especiais, quando um dos rins está danificado ou já foi removido. A simples nefrectomia remove o rim por completo. e a função deste rim, portanto, deverá ser feita e compensada pelo outro. E a nefrectomia radical que remove o rim inteiro e mais os tecidos a sua volta.

Outro tratamento é a quimioterapia, que usa medicamentos para matar as células cancerígenas. As altas doses de quimioterápicos podem destruir as células da medula óssea responsável pela fabricação dos elementos do sangue . Neste casos associa-se o transplante autólogo de medula óssea

A radioterapia usa a radiação para matar as células cancerígenas e alguns tumores reclusos. Este tratamento é feito por meio de radiação externa, vindo de uma câmara radioativa, onde o paciente recebe estes raios. A radiação pode ser usada antes ou depois da quimioterapia.

Apesar da cura da moléstia ser observada com freqüência depois de muitos anos os pacientes costumam desenvolver outras formas de câncer, como seqüela do tratamento da quimioterapia ou da radioterapia. Pesquisas estão sendo feitas para verificar formas de se evitar esta complicação tardia através do emprego de dose baixas dessas modalidades de tratamento

 

A dor do câncer (2)
Milton Artur Ruiz

O câncer encontra-se dentre as moléstia mais freqüentes e todos os anos cerca de 9 milhões de casos novos são diagnosticados e metade destes casos encontram-se nos países em desenvolvimento. Nos Estados Unidos existem 8 milhões de pessoas com a doença e metade dos mesmo tem este diagnóstico há mais de cinco anos. O paciente ao diagnóstico ou durante a evolução da doença apresenta múltiplas manifestações dolorosas agudas ou crônicas que devem ser abordadas adequadamente com a finalidade de propiciar uma melhor qualidade de vida .Vários autores relatam que a dor destes pacientes é por vários motivos sub-tratada. . A incidência da dor varia dependendo do tipo de câncer e da fase em mesmo se encontre . Na média estima-se que aproximadamente 75% dos pacientes com doença em fase avançada experimente ou esteja com algum tipo de dor .

As dores podem ser devidas a múltiplas causas estando incluídas como responsáveis a progressão do tumor que pode muitas vêzes estar estar associada a outras patologias . Como exemplo podemos citar quando do comprometimento de nervos, após cirurgias ou relacionadas a procedimentos de diagnóstico , manuseios terapêuticos , efeitos tóxicos dos quimioterápicos e da radioterapia, infecções e dores musculares relacionadas a doença e a limitação da atividade física . Os paciente com câncer podem também apresentar múltiplas causas de dor pela disseminação da doença para tecidos moles adjacentes ao tumor ou quando da invasão de orgãos abdominais importantes como fígado ou baço por exemplo . A dor ocorre freqüentemente quando a doença invade ossos como nas metástases ou compromete lesa e comprime nervos causando situações situações clínicas e quadros espeçíficos

Assim os pacientes com câncer em todas as fases necessitam de ter a sua dor aliviada necessitam de uma abordagem da dor no sentido de caracterizar a causa para que o tratamento seja adequado . Este utiliza de recursos variados como medicamentos de princípios diversos , anestésicos e suporte psicológico que necessitam ser individualizados com a finalidade de atender a peculiaridade da doença , grau de comprometimento e estágio da doença de cada paciente.

Tabela 1 .Causas da dor do paciente com câncer

  • Derivada da doença - Invasão óssea com metástases e ou fraturas ,invasão visceral , invasão do sistema nervoso periférico causando nevralgias , neuropatias , plexopatias , compressão da medula espinhal ou metástases intracranianas
  • Relacionadas à doença - espasmo muscular , linfedema , constipação intestinal, escaras de decúbito
  • Local da cirurgia - Pós operatória
  • Efeitos secundários ao tratamento quimioterápico - mucosite bucal , espasmos vesicais , necrose asséptica da cabeça do fêmur , nevralgia herpética , neuropatia periférica
  • Efeitos associados ao tratamento radioterápico - mucosite bucal , esofagite , queimadura cutânea etc.
  • Patologia associada a doença

Tabela 2 - Dor e alterações na qualidade de vida

I - Alterações Físicas - Redução da capacidade funcional e disposição geral , Náusea e redução de apetite , Insônia e interrupções freqüentes do sono.

II - Alterações psicológicas - Infelicidade , ansiedade , medo , depressão , dificuldade de concentração e perda do auto controle.

III - Alterações sociais - Redução do convívio social , redução do libido e afeto , mudança de aparência

IV - Alterações espirituais - Aumento do sofrimento , Mudança de crença

Abordagem do paciente com dor

O controle da dor do paciente com câncer é alta prioritário na evolução e em todos os estágios da doença. Primeiramente porque a dor não controlada faz com que o paciente sofra sem necessidade. A dor restringe a atividade do paciente . Torna-o mal humorado e o devasta fisicamente. Por isto é que abordagem do paciente com dor deve ser sistemática e cuidadosa . Apesar do diagnóstico da dor ser de responsabilidade do médico que a diagnostica como por exemplo quando ocorre uma fratura patológica e a sua constatação é simples e evidente , muitas vezes no entanto o diagnóstico é mais dificil e necessita do envolvimento de equipe multididisciplinar para a sua caracterização.. A avaliação do paciente passa pela construção de história detalhada do quadro doloroso, da sua intensidade , localização e característica. O profissional que aborda o paciente deve antes de tudo acreditar na queixa dolorosa do paciente. Deve insistir na obtenção das informações pois a possibilidade de omissão pode ocorrer e a informação dolorosa pode ser minimizada pelo paciente temeroso de injeção , internação ou outro motivo qualquer. No caso de crianças opu de adultos incapazes de informar existe a necessidade de obter as informações de pais , parentes ou relacionados observando-se mudanças de comportamento , alterações faciais ou fisiológicas. O estado psicológico do paciente deve ser aquilatado e após o médico deve proceder um exame físico geral e segmentado e utilizar sempre que necessitar recursos laboratoriais e complementares para determinar a causa da dor e proceder o tratamento apropriado . Com o diagnóstico da dor realizado o seguimento do paciente deve ocorrer para avaliar os resultados a evolução e a sua resolução.

A estratégia terapêutica do paciente com dor dependerá da causa da acessibilidade e facilidade da terapêutica e na maioria das vezes opta-se pelo uso dos analgésicos. Estes deverão ser utilizados na forma que melhor convier aos pacientes , causando conforto e tranqüilidade aos familiares e aos que administram os medicamentos. Os analgésicos devem ser administrados pelo relógio á intervalos fixos de tempo , e a dose ajustada as necessidades do paciente. Os analgésicos devem ser utilizados segundo a uma escala de evolução seqüencial segundo os resultados obtidos no controle da dor. Como escolha inicial administra-se um não opiáceo. Se não houver alívio da dor a opção seguinte são os opiáceos e por fim o uso de analgésicos mais potentes como a morfina. Todo os medicamentos apresentam particularidades como benefícios e efeitos colaterais. Podem ser associados a medicamentos adjuvantes que colaboram em relação a ansiedade , depressão e apresentam muitos deles relaxamento muscular como os psicotrópicos.

Tabela 3 - Medicamentos utilizados no controle da dor do paciente com câncer

    • Não opiáceo - AAS , Paracetamol , Ibuprofeno,Indometacina
    • Opiáceos/ dor leve a moderada - Codeina
    • Opiáceos/dor moderada a intensa - morfina
    • Adjuvantes - Corticóides , Antieméticos ,Psicotrópicos