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Milton Artur Ruiz

Aids
Milton Artur Ruiz

A Aids é uma doença de grandes proporções em nosso país mesmo após medidas efetivas de controle da doença terem sido realizadas em nosso país .Dentre estas medidas podemos citar a facilidade de acesso ao diagnóstico e o controle da qualidade do sangue hoje disponível para o tratamento da população. Após estes passos e com o surgimento de possibilidades de tratamento dos portadores e pacientes novos desafios estão sendo colocados no sentido de escolha dos medicamentos a serem utilizados , associações entre os mesmos e o momento e sua utilização . Hoje existe um consenso de que de que os medicamentos desde o aparecimento da Zidovudina ( AZT ) , em que pese os efeitos colaterais , devem ser utilizados pois a progressão da doença pode ser controlada e o medicamento reverteu de forma dramática a perspectiva de ínúmeros pacientes .

O desenvolvimento de novos medicamentos e a sua introdução no mercado , fez com a idéia de associação de mais de um medicamento ganhasse corpo , com o objetivo de se obter melhores resultados e menores e reduzir os efeitos indesejáveis e reações dos remédios. A associação dos medicamentos em seus primórdios realizava-se com medicamentos que atuavam da mesma maneira sobre o vírus, inibidores da transcriptase reversa , e recentemente com a introdução dos inibidores da protease , um salto de qualidade foi obtido no tratamento dos pacientes .Assim pacientes desenganados e emagrecidos melhoraram dramaticamente ,e hoje a opção de associação de medicamentos de princípios e forma de atuação diversa é consenso pois além dos resultados serem melhores , evitam - se mutações e propiciam a presença de um número menor de variantes do vírus da Aids no paciente

Medicamentos que atuam sobre o vírus da Aids

  • Inibidores da enzima Transcriptase reversa

  • Análogos dos Nucleosídeos

Zidovudina (AZT )
Didanosina ( ddI )
Zalcitabina (ddC )
Stavudina (d4T )
Lamivudina (3TC )
1592U89 ( em desenvolvimento)

  • Não Nucleosídeos

Nevirapine
Delavirdine ( em desenvolvimento )
DMP-266 ( em desenvolvimento )

  • Inibidores da protease

Indinavir
Ritonavir
Saquinavir
Nelfinavir ( em desenvolvimento )
141W94 ( em desenvolvimento)

Novo teste pode predizer a evolução da doença

O diagnóstico da Aids atualmente está bem estabelecido e é realizado de forma segura . O exame empregado para esta finalidade é um teste de enzima imuno-ensaio denominado Elisa , o qual demonstra a existência no organismo do paciente de anticorpos contra o vírus da Aids. Nos primórdios da introdução do teste a confiabilidade no mesmo não era total visto que as vezes ocorriam resultados que não condiziam com a presença ou ausência do contato com o vírus o que causava muitas vezes contratempos e constrangimentos em grande número de situações. Hoje com o auxílio da biotecnologia os reagentes são seguros e os resultados positivos podem ser obtidos em curto espaço de semanas logo após o contato do paciente com o vírus da Aids.

Outro exame utilizado para o diagnóstico ,e chamado de confirmatório , é o teste pelo método de Western -blot , que de maneira visual identifica anticorpos contra segmentos do vírus , que encontra-se presente no sangue do paciente que teve contato com o vírus HIV . O teste em questão na maioria das vezes não é essencial para diagnóstico visto que raramente ocorre incompatibilidade entre o seu resultado e o de Elisa que apresente positividade evidente .

A infecção inicial da Aids caracteriza-se por um período inicial de grande replicação viral que é controlada parcialmente pelo organismo logo sobrevindo um período de acalmia que é a fase crônica a doença .Nesta fase a quantidade de vírus na circulação permanece estável. O vírus atua diretamente sobre um tipo de glóbulo branco , o linfócito CD4 - células T auxiliares ,que tem função junto aos mecanismos defesa do organismo. Com o passar do tempo o nível dos linfócitos CD4 ,que estão por volta de 800 por milmetro cúbico declinam e a partir de um determinado número as infecções aparecem e o paciente está sob risco eminente de vida. Por isto é que a determinação do número e percentual dos linfócitos CD4 e a sua relação com os linfócitos CD8 passou a ser um exame importante para o acompanhamento evolução e de decisão no emprego ou troca de medicamentos . Hoje pode-se concluir que a redução e o progresso no declínio do número dos linfócitos CD4 é sinal de alerta e de má evolução da doença .

Em 1995 , alguns estudos demontraram que a persistência da infecção era caracterizada por uma grande replicação de vírus na circulação.Com o uso de medicamentos potentes contra o vírus HIV e melhora da sobrevida dos pacientes começou a ser observado uma redução de uma grande quantidade do vírus. Os trabalhos científicos iniciais e realizados por John Mellors na Universidade de Pittsburgh nos Estados Unidos , determinaram a quantidade de vírus existentes na circulação , através do método de biologia molecular utilizando o äcido ribonucleico do próprio vírus. O teste que recentemente passou a ser disponível determina então a carga viral existente em cada paciente e possibilitando assim um melhor acompanhamento dos pacientes. Outro aspecto é que o teste na maioria das vezes pode ser correlacionado com o número de linfócitos CD4 , e determinar muitas vezes a velocidade com que a doença está progredindo.

Exames que são utilizados para o diagnóstico e evolução da Aids

  • Enzima Imuno ensaio - Elisa
  • Western-blot - HIV
  • Hemograma Contagem dos leucócitos
  • Determinação da quantidade de linfócitos CD4
  • Determinação da relação entre os linfócitos CD4/CD8
  • Beta2 microglobulina
  • Quantificação da carga viral
 

Dengue
Milton Artur Ruiz

Nas décadas de 50 e 60, o êxito das campanhas para eliminar a febre amarela com a eliminação do mosquito Aedes aegypti, auxiliaram na redução de casos de dengue.

A medida que as campanhas de saúde foram esquecidas durante as décadas de 70 e 80, o mosquito se proliferou e houve uma propagação dos casos de dengue na região das Américas. O resultado foi surpreendente, houve um aumento alarmante de casos da doença na última década. Por isso, países como a Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai e Peru sofreram com o aumento dos índices da doença, além de que a Costa Rica e o Panamá, que nunca haviam registrado a doença, notaram o seu aparecimento.

Mas o que mais preocupou as autoridades foi que a dengue ressurgiu em sua forma mais grave, como o dengue hemorrágico e a síndrome do choque da dengue. Em 1981, foram registrados 34.203 casos de dengue só em Cuba. Na Venezuela, entre 1989 e 1990, apareceram mais de 5.990 casos, enquanto que em El Salvador, Brasil e Colômbia, no ano de 1990, a epidemia tomou uma proporção menor.

Com a ascensão dos casos de dengue, foi necessário, por parte das autoridades, tomar algumas providencias para sua prevenção e conscientização da doença, já que a maioria das campanhas, seus manuais e guias estavam defasados e esquecidos.

E para orientar este trabalho, a Organização Pan-americana de Saúde reuniu, em 1991, especialistas de vários países afetados, para discutirem a respeito da dengue, afim de atualizarem os materiais de prevenção e combate à doença.

Como é transmitida a doença e os seus sintomas

A dengue é uma doença transmitida pela picada dos mosquitos Aedes aegypti ou Aedes albopictus, contaminados após terem picada uma pessoa infectada com a doença.

Estes mosquitos têm hábitos diurnos, e picam as pessoas horas antes de amanhecer. São comuns nas cidades e no campo, aparecendo nas zonas tropicais, como na América do Sul, Central, e também são encontrados na Ásia e África. Há casos registrados também em algumas regiões dos Estados Unidos.

O agente causador da doença é o vírus da dengue dos tipos 1, 2, 3 e 4, que é um flavivírus. É importante frisar que o mosquito é o agente transmissor, aquele que carrega o vírus e infecta o paciente, enquanto que o causador da dengue é o vírus.

A dengue é uma doença de aparecimento repentino, caracterizada por uma febre que dura cerca de três a cinco dias, seguida de dores de cabeça e nas articulações, falta de apetite, fraqueza e erupções de cor vermelha na pele. Nas pessoas de origem negra, as manchas são pouco visíveis.

A doença também pode se manifestar de forma hemorrágica que atinge principalmente as pessoas acometidas pela forma benigna da doença, e se caracteriza por alterações no sistema circulatório, com a fragilização das veias, ocasionando sangramentos de intensidade variada. Em qualquer momento da fase febril, podem aparecer fenômenos hemorrágicos de pouca intensidade, como petequias, epistaxis ou metrorragia.

Os casos típicos de dengue hemorrágica se caracterizam por quatro manifestações clínicas fundamentais: febre alta, fenômenos hemorrágicos, aumento do fígado e problemas circulatórios. Alguns pacientes se queixam de dores de garganta, mal estar gástrico, dor abdominal, vômitos e diarréia.

Nos casos leves e moderados, os sintomas desaparecem juntamente com a febre. O início do período febril pode vir acompanhado por sudorese e alterações nos batimentos cardíacos e na pressão arterial.

Em casos mais graves, o estado do paciente se deteriora de forma súbita, e em sete dias consecutivos de febre alta aparecem os sinais de insuficiência circulatória. A pele torna-se fria e úmida, enquanto que os batimentos cardíacos aceleram, e há uma redução na pressão sangüínea ou hipertensão. Alguns pacientes podem ficar em estado de letargia ou de intensa irritabilidade, e logo entram em estado de choque. Esta manifestação é chamada de Síndrome de choque da dengue.

Os pacientes neste estado correm um grande risco de vida, se não ocorrer um atendimento adequado e imediato. Este estágio é curto, e a pessoa poderá vir a morrer dentro de 12 a 24hs, ou então poderá se recuperar rapidamente, se receber o tratamento adequado.

Se o choque não for combatido, ele poderá evoluir para uma hemorragia grave do aparelho gastrointestinal ou outros órgãos, com um prognóstico desfavorável. Os pacientes que tiverem hemorragia cerebral poderão ter convulsões e evoluir para um estado de coma.

Tratamento da dengue

Não há um tratamento específico para o doente da dengue. A pessoa infectada pelo vírus deve manter-se em repouso, beber muito líquido e só usar os medicamentos indicados pelo médico para aliviar as dores e a febre. Não devem ser usados remédios a base de ácido acetil salicílico, como a aspirina e o AAS, por interferirem junto às plaquetas e piorarem o quadro hemorrágico.

Se o estado do paciente se agravar, ele deve ser encaminhado a um posto de saúde ou hospital mais próximo, para receber a orientação e o tratamento de suporte adequado.

As pessoas que contraíram anteriormente a forma benigna da doença devem procurar atendimento médico imediatamente, e no caso do reaparecimento dos sintomas, eles podem tornar-se mais graves, pela possibilidade de ocorrer sangramento, com o estabelecimento do dengue hemorrágico.

Como combater a dengue

  • Mantenha o prato que fica em embaixo dos vasos sempre seco. Verifique isso todos os dias.
  • Não tenha em casa vasos com água. Encha-os de terra ou areia.
  • A água da jarra de flores deve ser trocada duas vezes por semana, lavando bem, para eliminar os ovos dos mosquitos que podem estar nas parede ou no fundo da jarra.
  • Esvazie os copinhos de plástico, tampinha de garrafas ou refrigerantes, casca de coco ou ovos que venham a acumular água de chuva, jogando-os fora, em seguida.
  • Garrafas vazias devem ser guardadas em lugares cobertos e de cabeça para baixo.
  • Bebedouros de aves e animais devem ser guardados em lugares frescos e água trocada todos os dias.
  • Pneus velhos devem ser furados para escoar a água da chuva, ou serem guardados em lugares cobertos ou secos.
  • Poços, tambores e outros depósitos de água devem sempre ter tampa.
  • Banheiras deixadas no quintal devem ser colocadas de ponta cabeça.
  • Sapatos velhos jogados em lugares abertos também acumulam água, jogue-os no lixo.
  • As caixas d’água e cisternas dos prédios devem ser limpas com freqüência, e devem estar sempre tampadas.
  • Os latões de lixo devem ser limpos.
  • O lixo caseiro deve ser ensacado em plástico e posto à disposição da limpeza urbana.
  • Chame a limpeza urbana da cidade para remover o lixo e entulhos, bem como para escoar águas paradas ou empoçadas.

O que fazer contra a dengue

  1. Limpar casa e o quintal de criadouros potenciais do mosquito transmissor da dengue.
  2. Levar o doente ao serviço médico.
  3. Colaborar com o agente de saúde e autoridade sanitária na execução de seu trabalho, abrindo portas e janelas quando o "fumacê" passar pela sua rua, porque isso facilita a ação inseticida na eliminação dos mosquitos.
  4. Comunicar a autoridade sanitária nos casos suspeitos de dengue.

O agente de saúde, um grande aliado contra a dengue

O agente de saúde da Fundação Nacional de Saúde é um funcionário público, e o seu trabalho é evitar o aparecimento de doenças na população, principalmente às transmitidas por mosquitos. Isso o torna um amigo da comunidade, um aliado da população contra várias doenças, inclusive a dengue.

Por isso, as autoridades pedem que a população o receba em casa quando este for realizar o seu serviço, ajudando-o a realizá-lo com facilidade e rapidez. Tenha sempre em mente que isso ajudará a todos, porque o melhor meio de evitar a doença ainda é a prevenção.

Os agentes de saúde fazem a busca ativa em depósitos de água, que podem conter as larvas do mosquito, e o combatem na sua forma adulta, impedindo-o de chegar às áreas onde ele ainda não exista, ou atacando-os com inseticidas em áreas já infestadas, realizando a vigilância entomológica, além de providenciar o tratamento dos doentes com dengue.

Os pontos estratégicos de proliferação do mosquito nas cidades, são, por exemplo, as borracharias, postos de gasolina, cartódromos, ferro velho, cemitério, entre outros. E nestes pontos, a FNS instala armadilhas artificiais para atrair os mosquitos, detectar sua presença na área e eliminá-los, mantendo assim a cidade livre de uma epidemia.

 

Hepatite B
Milton Artur Ruiz

A hepatite B é uma doença mundial. É uma moléstia contagiosa que se encontra em constante aumento com um aumento de casos de mais de 50% desde 1979.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou a todos países que estes incluíssem uma vacina anti-hepatite B em seus programas de imunização para o ano de 1997.

Para acabar com a doença, os Centro para Controle de Doenças da Georgia, Estados Unidos, e a Academia Americana de Pediatria recomendam a vacinação para todas as crianças contra a hepatite B, logo após o nascimento.

A prevenção é a única maneira de combater a doença. A vacinação oferece proteção à doença, pois a pessoa que foi vacinada não corre o risco de adquiri-la.

Além disso, a hepatite viral é um grave problema de saúde pública em nosso país. Esse dado é do Sistema de Vigilância Epidemológica das Hepatites Virais que notificou 50.662 casos da doença no período de 1993 a 1995.

O Sistema de Vigilância Epidemológica das Hepatites Virais foi criado em 1992 pelo Ministério da Saúde, e visa conhecer os perfil das hepatites virais no Brasil. Uma de suas principais conquistas foi a inclusão da hepatite viral como doença de notificação compulsória em todo o território nacional, através da Portaria Ministerial nº 1100 de 24 de maio de 1996.

Sem o conhecimento oficial e documentado, a doença praticamente não "existe", o que torna difícil tratar ou controlar a doença.

Por isso, é necessário que todos os profissionais da área da saúde notifiquem todos os casos suspeitos, porque a informação é importante para o controle dos casos, conseguir investimentos na área, adquirir recursos materiais, financeiros e humanos para benefício da assistência médica à população afetada.

Infelizmente, muitas pessoas não ajudam melhorar o nível de qualidade da saúde do país, e o descaso em relação ao sistema de saúde contribui para isso. Antes disso, no entanto, as pessoas devem ter consciência de que a notificação é um ato de cidadania, pois fazendo isso, as autoridades, cada vez mais, tomarão conhecimento de que a doença é séria, e pode ser reduzida com medidas preventivas e vacinação.

O que é?

A hepatite B é uma infecção virótica grave, comum, e importante no mundo inteiro. É um processo inflamatório do fígado.

A gravidade da doença depende do estado de saúde da pessoa, e de seu sistema imunológico. A conseqüência da doença e desde um quadro gripal sem muita importância até uma insuficiência hepática grave, ou cirrose.

Basicamente, a doença compreende três fases de evolução:

  1. Fase prodrômica, que apresenta mal estar, vômito, náusea, febre e anorexia, em um período de 3 a 10 dias;

  2. Fase ictérica, que a pessoa passa a ter a urina escura, seguida de icterícia; dura, em média de 1 a 2 semanas;

  3. Fase de convalescença ou de recuperação, nesta fase a doença regride lentamente, num prazo de 2 a 4 semanas.

A hepatite B pode evoluir para doenças graves, como: hepatite crônica ativa, cirrose e mais tarde câncer hepático.

Transmissão

Antigamente, acreditava-se que a hepatite B só se transmitia através de sangue, soro ou plasma contaminados. Mas, atualmente, sabe-se que o vírus pode ser transmitido também por: saliva, leite materno, secreção nasal, vaginal e sêmen.

A mãe pode transmitir a doença ao filho durante o nascimento ou na amamentação. As crianças também podem adquiri-la através de arranhões, feridas leves, mordidas e brinquedos compartilhados, o que faz parte do cotidiano das crianças em locais em freqüentam, como escolas, creches, jardins, etc.

Prevenção e Cura

A única maneira de prevenção é através da vacinação, que produz uma proteção de quase 100% em um mês após a última dose, mesmo em pessoas que correm um risco maior de contrair a doença.

Recomenda-se que todas as crianças de até 18 meses de idade sejam vacinadas. Este procedimento deve ser respeitado, porque, na maioria das crianças, a doença não apresenta sintomas, mas suas conseqüências (seqüelas e morte) são graves. Por isso, a incidência da doença pode passar desapercebida, apesar de ser tão freqüente ou mais do que outras doenças infecciosas contra as quais atualmente se vacinam todas as crianças.

Em termos de cura, não há nenhuma disponível. As opções são: recuperação espontânea, continuar como portadores, ou prevenir a doença.

Riscos de Contágio

O risco de contrair hepatite B por um único contato com sangue infectado é de quase 50%. O risco de contrair a doença é 100 vezes maior que o de adquirir o vírus da AIDS.

Um estudo demonstrou que o vírus da hepatite B foi encontrado nas casas dos portadores, tais com em objetos pessoais: escovas de dentes (50%), mamadeiras (35,5%), brinquedos (12,1%) e em móveis de cozinha e mesas (7,1%).

Tratamento

Na maioria dos casos, não é necessário tratamento especial. O apetite retorna após os primeiros dias, e os pacientes não precisam ficar de cama. As restrições na dieta ou nas atividades não tem base científica.

Não é preciso dar complementos a base de vitamina.

Quando a icterícia estiver curada, os pacientes podem voltar à suas atividades normais.

Dedico esta coluna ao Dr. Carlos Alberto Curado.

Casos Notificados de Hepatite A, B, C, D ,E e Não Especificada no Brasil, em 1995 - 1996

 

Hepatite A

Hepatite B

Hepatite C

Hepatite D

Hepatite E

Hepatite Não-Esp.

 

1995

1996

1995

1996

1995

1996

1995

1996

1995

1996

1995

1996

BRASIL

1.980

1.586

1.315

1.279

361

420

5

-

-

1

10.306

15.069

NORTE

1.518

663

511

503

212

209

5

-

-

1

5.122

2.028

NORDESTE

176

107

594

458

136

70

-

-

-

-

4.422

3.526

SUDESTE

-

390

-

30

-

32

-

-

-

-

-

4.430

SUL

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

3.160

CENTRO-OESTE

286

426

210

288

13

109

-

-

-

-

762

1.925

Fonte: SES E MS/FNS-CENEPI

 

Hepatite
Milton Artur Ruiz

Quadro 1

Hepatites virais

Como enfrentar a doença

Hepatites

O que fazer

Agudas Na forma fulminante, são importantes cuidados gerais, como hidratação adequada, controle rigoroso de eletrólitos e níveis de glicemia.
Crônicas Paciente deve ser orientado sobre a doença e conhecer sua evolução.
Tipo B Portador do vírus dever ser orientado sobre seu potencial infectante. Pessoas com quem vive devem ser submetidas a testes sorológicos e, se necessários, vacinadas.
Tipo C A detecção precoce é considerada a única forma de reduzir o risco de complicações mais graves.
Fonte: Revista Brasileira de Medicina

Quadro 2

Hepatites virais

Como é a doença

 

Tipo de vírus

Incubação

Transmissão

Hepatite A-vírus HAV

picornavírus

14/40 dias

Fecal-oral (higiene precária)

Hepatite B-vírus HBV

hepadnavírus

14/160 dias

Parenteral (agulhas, transfusão)

Hepatite C-vírus HCV

flavivírus

15/160 dias

Parenteral

Hepatite D-Vírus HDV

RNA circular

14/160 dias

Parenteral

Hepatite E-vírus HEV

calicivírus

20/70 dias

Fecal - oral (higiene precária)

Quadro 3

Hepatite

EXAMES LABORATORIAIS QUE AVALIAM O FÍGADO

l Bilirrubina total e frações

l Fosfatase alcalina

l Aspartato aminotransferase

l Alanina aminostransferase

l Gama glutamiltransferase

l Dosagem de albumina

l Dosagem de gamaglobulina

l Tempo de protrombina

O que se deve saber sobre o fígado

O fígado é o maior órgão do corpo humano. Ele pesa cerca de 1,5 quilo e se localiza no lado direito, no quadrante superior do abdome, protegido pelas costelas.

O fígado se divide em dois lobos (partes). O lobo direito é seis vezes maior que o esquerdo. O órgão é totalmente recoberto pelo pertônio e é irrigado pela artéria hepática, recebendo sangue venoso do baço e intestinos pela veia porta. Abaixo do lobo direito situa-se a vesícula biliar, uma bolsa de 9 cm, aproximadamente, que tem a capacidade de coletar cerca de 50 ml de bile produzida pelo fígado.

  • As funções do fígado são as seguintes:

- Integração entre os vários mecanismos energéticos do organismo.

- Armazenar e metabolizar as vitaminas.

- Fazer a sintese das proteínas plasmáticas.

- Desintoxicação de toxinas químicas produzidas pelo organismo.

- Desintoxicação de toxinas químicas externas ao organismo.

- Filtragem mecânica de bactérias.

- Controlar o equilibrio hidro-salínico normal.

- Secreção da bile.

Hepatite em doadores de sangue

O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, está publicando os resultados do encontro sobre o testes para a detecção de doenças infecciosas em doadores de sangue.

A publicação tem por objetivo informar aos médicos, e profissionais da área de transfusão de sangue as conclusões e o consenso de teste sorológico positivo, ou seja, o que fazer com estes pacientes e principalmente o que informar aos mesmos em relação ao resultado encontrado.

As principais conclusões e orientações referem-se aos testes para detecção dos marcadores de hepatites, tanto nos Estados Unidos como no Brasil, a legislação obriga além dos testes para outras doenças em relação as hepatites a realização do teste de detecção do antígeno de superfície para Hepatite B, e ainda para o mesmo vírus o teste de Anti-HBc.

Para a hepatite do tipo C é obrigatório o teste de detecção de anticorpo. Além destes, um outro teste que é inespecífico, mas é importante para identificar pessoas com comprometimento do fígado, é utilizado rotineiramente: a dosagem da enzima Alanina Aminotransferase (ALT). Agora, nos Estados Unidos a dosagem da ALT deverá ser suspensa, e os doadores que foram no passado dissuadidos a não doar, deverão ser reavaliados e reestimulados a voltarem a doar sangue.

Os outros testes deverão continuar a serem realizados, e o teste do Anti-HBc, que fez com que aumentasse o número de doadores com restrição, causando uma grande perda de bolsas de sangue doadas, deverá permanecer. A justificativa para esta manutenção, ocorre pela conclusão de que com o teste previne a transmissão de Hepatite B por transfusão e pode ser precursor de indicação de portadores de infecção pelo HIV.

O QUE É HEPATITE ? Hepatite são infecções do fígado por vírus dito hepatotrópicos devido a sua preferência em agredir a este órgão.
QUAL A IMPORTÂNCIA DAS HEPATITES NO MUNDO E EM SAÚDE PÚBLICA ? As Hepatites; principalmente as do tipo B e C; tem importância devido as sequelas que podem causar; pois com frequência evoluem para formas crônicas e costumam levar a cirrose hepática que é uma condição incapacitante. Além do já citado existe associação destas com o câncer de fígado principalmente a hepatite B.
COMO POSSO DESCONFIAR QUE ESTOU COM HEPATITE ? O quadro clássico de hepatite se inicia como qualquer moléstia infecciosa por febre, mal-estar, astenia e anorexia, desenvolvendo-se a seguir icterícia que dura por período variável.
QUE TIPO DE HEPATITE É MAIS GRAVE ? São as hepatites B e C devido a possibilidade de evoluir para cronicidade e a cirrose. Além de estarem associados ao câncer do fígado
COMO PREVENIR A HEPATITE ? A prevenção da hepatite A é feita através de imunização específica e está indicada em crianças que vivam em áreas de alta prevalência da doença ou em indivíduos que viajem para localidades de risco.

A hepatite B possue vacina específica, e, atualmente se indica a realização da vacina nas pessoas expostas ao risco de contrair a doença pessoal de saúde (médicos, dentistas e pessoal paramédico) que lidam com possíveis transmissores da doença ou pacientes que se submetam a procedimentos terapêuticos com risco potencial (hemodiálise, hemoterapia etc...).

Esta são as indicações em nosso meio porém, devido a frequência e a gravidade das sequelas a vacinação deveria ser incluída no calendário normal de vacinação.

 

HPV tem alta incidência
Milton Artur Ruiz

A infecção pelo Vírus do Papiloma Humano (HPV) é responsável por inúmeras doenças, principalmente na esfera sexual. O HPV é a virose mais transmitida sexualmente e é responsável pelas verrugas genitais, ou codilomas acuminados.

Em relação ao HPV, existem estudos que o apontam como responsável pelo carcinoma intra-epitelial uterino cervical (CIN) da mulher. O conhecimento do vírus nos últimos anos tem crescido bastante e, à medida que os estudos avançam e os métodos de estudos se sofisticam, mais subtipos são descritos. Desde 1993, já foram relacionados mais de 65 subtipos virais determinados.

Cada um deles tem uma predileção por um local do corpo e a infecção pode assumir caráter de benignidade ou malignidade potencial, dependendo do subtipo do vírus responsável ou predominante na lesão. Por isto é que, quando se constata a lesão, verruga ou manifestação clínica do HPV, existe a necessidade da identificação do subtipo, para que o prognóstico presumível da infecção seja avaliado e instituído o melhor tratamento.

A mulher é a mais infectada pelo vírus, existindo mais de 20 subtipos que afetam a área genital feminina. Os subtipos 1, 2, 6 e 11 por exemplo, t6em caráter benigno e são responsáveis pelos codilomas genitais e formas mais leves de displasias no útero das mulheres.

Em contrapartida, os subtipos 16, 18e 31 apresentam alta correlação com formas de câncer mais graves e malignas. Existem outros subtipos não menos graves, como os de número 30 e 40, que podem causar câncer de laringe. Assim, as formas clínicas de infecção pelo HPV são extremamente variadas, podendo se manifestar como uma simples verruga na planta dos pés, por vezes dolorosas, ou então lesões orais, laríngeas, nas vias respiratórias e áreas genitais.

No passado, tinha-se como certo que a lesão era provocada por um único subtipo do vírus. Hoje, se sabe que vários podem coexistir em uma mesma lesão e que grupos deles apresentam peculiaridades semelhantes e são também responsáveis por um mesmo tipo de doença.

Com base nestes dados, vários autores classificam os subtipos segundo sua organização genética, ou de aspectos clínico-patológicos observados nos pacientes. Seguindo essa linha de raciocínio, podemos classificar os subtipos de HPV em infectantes de pele; associados a tumores genitais femininos benignos e a tumores genitais malignos; e os que provocam fibropapilomas em animais.

Virose tem ligação com câncer genital

Os primeiros relatos que correlacionavam o câncer genital feminino com um agente infeccioso data do século passado quando observou uma maior freqüência de casos em prostitutas. Vários estudos na seqüência demonstraram que a promiscuidade era um fator de risco para o câncer genital. Hoje considera-se como de maior risco para o desenvolvimento da doença a presença do HPV no pênis do parceiro sexual. Dos cerca de 65 subtipos conhecidos encontram-se relacionados com o câncer genital os de número 16, 18, 31, 33, 34 e 35. Os de número 6 e 11 são classificados como benignos.

A neoplasia cervical intraepitelial (CIN), não apresenta sinais ou sintomas específicos, sendo o diagnóstico presuntivo realizado através do estudo citológico, colposcopia e biópsia.

Após o diagnóstico do CIN, preconiza-se que o estudo citológico seja regular, o número de parceiros sexuais limitados e o preservativo seja utilizado nas relações sexuais além da suspensão do hábito de fumar.

Dentre as medidas preconizadas o acompanhamento médico é o mais importante por causa da recorrência da moléstia nos 2 primeiros anos de tratamento e também das taxas de falsa positividade observadas nos testes citológicos.

Entre as medidas preconizadas, o acompanhamento médico é o mais importante, devido à recorrência da moléstia nos dois primeiros anos de tratamento e às taxas de falsa positividade observadas nos testes citológicos.

Doença ainda é cercada de mitos

O HPV é uma doença sexualmente transmissível e bastante freqüentes nos ambulatórios de ginecologia, sendo registradas desde as formas mais simples até casos de lesões exuberantes do aparelho genital feminino. Esta é afirmação do médico Luiz Fernando Ribeiro Gomes, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Santos e responsável pelo ambulatório da especialidade no Hospital Guilherme Álvaro.

A doença, segundo o professor, carrega uma grande quantidade de mitos. As lesões são consideradas por uns como benignas, enquanto outros generalizam a sua malignidade potencial. O HPV provoca opiniões e informações conflitantes. No entanto, vários aspectos são consensuais, como o de que o vírus é contraído por contato de pele e principalmente pelo contato sexual.

OS codilomas genitais femininos ocorrem no período dos 20 aos 40 anos. Os homens apresentam maior freqüência da doença nas idades de atividade sexual ativa. O período de incubação, tempo que leva da infeção ao aparecimento dos sintomas, é variável e pode ser longo.

Estudos demonstram que o tempo pode ser de 3 semanas a 8 meses, em determinados casos. Outro dado significativo é que 70% das pessoas com verrugas podem ser infectantes e transmitem quase sempre a doença ao parceiro sexual.

Na mulher, as verrugas se localizam no aparelho genital de forma variável. O local acometido com maior freqüência é a fúrcula; em seguida, pela ordem, vêm os lábios menores, clitóris e lábios menores. A parte menos acometida na mulher é o cervix, enquanto a área extragenital mais atingida é a região do ânus.

Um dado relevante e muito observado é que existe associação entre a doença e outras, sexualmente transmissíveis, o que obriga a realização de pesquisa laboratorial com outras doenças, como a AIDS. Certas doenças podem predispor o paciente ao HPV, como o diabetes e imunodeficiências. Em relação à doença, a imunidade, ou o grau de integridade do sistema imunitário, desempenha papel primordial na evolução, cura ou reinfecção.

Assim, traumas sobre as lesões parecem ter efeito estimulativo das defesas e benefício às portadoras de lesões. Os sintomas do codiloma feminino mais freqüentes são dor, queimação e coceira no local.

O diagnostico das verrugas é observado pela visualização da lesão na forma macroscópica, ou através do emprego do teste do azul de toluidina, que é um corante e serve para selecionar as áreas afetadas e onde se farão as biópsias para exame dos tecidos que confirmarão a presença do HPV.

Outro exame importante para a detecção do HPV é a colposcopia do colo do útero e da vulva, a fim de se identificar lesões subclínicas da doença. O estudo anátomo-patológico é primordial para o diagnóstico, associado a métodos de biologia molecular e de hibridização, que identificarão o subtipo do vírus envolvido na lesão.

Tratamento está longe de ser consensual

O tratamento de doenças virais é controverso. Para o codiloma genital, por exemplo, existe uma multiplicidade de drogas e condutas.

No entanto, as recidivas ( a persistência das lesões) em muitos casos tornam o tratamento prolongado e desanimador para pacientes e médicos. O tratamento se inicia na identificação do subtipo viral e nas medidas gerias de higiene e prevenção da persistência da infecção.

Entre as medidas, considera-se primordial a investigação do HPV no parceiro sexual, que deve ser submetido a exames periódicos, além do tratamento específico e incentivo ao uso de preservativos nas relações sexuais. O conhecimento da doença e dos seus riscos é fundamental para erradicação da moléstia. As lesões podem ser tratadas de diversas formas e a escolha do método dependerá do tipo de lesão.

Existem agentes cáusticos, como podofilina e o ácido tricloroacético, e quimioterápicos, como Fluorouracil e o Thiotepa. Baseado no ato que a imunidade desempenha papel importante na g6enese e evolução da doença, a imunoterapia através de vacinas, medicamentos imunomoduladores e o interferon t6em sido preconizados, mas sua indicação ainda é controversa. Outras formas de tratamento incluem medidas cirúrgicas (eletrocauterização, criocauterização, excisão e terapia a laser).

Alguns tipos de HPV e suas doenças.

Subtipo Manifestação Clínica
1,2,3,4 Verrugas plantares, palatais, planas e palmares
5,8 Lesões maculares, carcinomas de células escamosas. Ptiríase versicolor.
6,11 Codiloma anogenital, CIN graus I e II
16,18 Câncer da cérvix, pênis, brônquios e seios paranasias. Câncer de vulva
30 Câncer de laringe
38 Melanoma maligno
54 Codiloma acuminado

Vírus causa infecção genital

O papiloma vírus, ou HPV é muito freqüente e pode causar infecções variadas, em diversos locais do organismo. Atualmente, existe o consenso de que o HPV transmitido sexualmente, atinge tanto a mulher quanto o homem.

O vírus pode causar as verrugas genitais, ou codilomas, que são lesões incômodas e dolorosas. Na mulher, os subtipos do vírus (são mais de 60), como o 16 e 18, encontram-se relacionados com a neoplasia cervical intraepitelial uterina, que é uma forma de câncer que pode ou não, dependendo da forma da lesão, ter gravidade e repercussões clínicas.

O HPV ocorre com maior freqüência nos homens - cerca de duas vezes mais do que na mulher - e relaciona-se estritamente com a atividade sexual. A transmissão do vírus ocorre, em geral, através do contato sexual, apesar de haver relatos na literatura de outras formas de contaminação, além da atividade sexual.

A existência do HPV faz com que o parceiro, na maioria das vezes, fique infectado dias ou até mesmo meses após o contato sexual. Com o advento da AIDS, o papiloma vírus passou a ser considerado mais importante, pois usas manifestações em um organismo enfraquecido são mais evidentes.

Assim, nos dias atuais, a presença de HPV obriga o médico a não minimizar as lesões verrucosas, porque isto pode indicar redução das defesas do organismo e, em conseqüência com uma doença como a AIDS. Quando for detectada a presença do HPV, portanto, existe a necessidade de avaliação clínica global do paciente, e não única e exclusivamente o tratamento da lesão.

Medidas para o diagnóstico do HPV

  • Exame obrigatório em todos os pacientes com lesões, ou parceiro(a) que tenha diagnostico de HPV, ou neoplasia intra-epitelial.
  • Exame clínico e exames laboratoriais (hematológico, bioquímico e doenças sexualmente transmissíveis, como AIDS)
  • Peniscopia
  • Teste de ácido acético
  • Teste do azul de Toluidina
  • Citopatologia uretral
  • Uretroscopia
  • Avaliação peniana por micro-histeroscópico
  • Biópsia de todas as lesões para estudo citológico e histológico

Parceiros sexuais disseminam a doença

Todo homem que tenha parceira sexual com resultado positivo para HPV deve ser submetido a estudo, para avaliar se foi ou não infectado pelo vírus. Muitas vezes, as manifestações no homem podem ser subclínicas, ou então desvalorizadas, por não existirem lesões penianas ou evidentes.

Os estudos em parceiros sexuais de mulheres que apresentavam codiloma, ou neoplasia cervical intra-epitelial, começaram em 1984, com a demonstração da presença de 18 homens infectados em 34 casos. Este dado estatístico ao longo dos anos tem se repetido, comprovando que mais da metade dos parceiros sexuais de mulheres com HPV conformado apresenta o vírus nas suas mais variadas formas de lesão peniana.

Este dado é importante, principalmente, porque existe relação do HPV com o codiloma humano e lesões pré-cancerígenas e cancerígenas genitais. Assim, hoje, o chamado fator homem passa a ter import6ancia quando é detectada a presença do HPV na mulher, tornando obrigatória a realização da peniscopia em todos os parceiros.

Estudos de peniscopia utilizando o colposcópio (aparelho com lentes que aumenta o campo de visual do observador, antes utilizado somente na avaliação de órgãos genitais internos femininos) permitiu que fosse detectada a presença do HPV em 65% dos homens com parceiras com codiloma ou neoplasia cervical intra-epitelial. Nestes casos, estudos subsequentes apresentaram resultados surpreendentes de lesões atípicas, com grandes alterações nas células do epitélio peniano em pacientes que até então não mostravam sintomas, ou não tinham lesões anteriores, nem antecedentes de codiloma.

A peniscopia é, portanto, fundamental, tanto no diagnóstico masculino como para reduzir a possibilidade de reinfecção feminina, através de medidas que eliminem esse risco.

Tratamento do HPV

Local podofilina
ácido tricloroacético
Quimioterápicos Fluoracil
Thiotepa
Imunoterapia Vacinas
BCG
Idoxuridina
Isoprinoside
Levamisole
Interferon
Cirúrgico Eletrocauterização
criocauterização
excisão com alça diatérmica
laserterapia
excisão
Homeopatia  
Psicoterapia  

Formas clínicas são diversificadas

Há várias formas clínicas do HPV no pênis. A lesão pode ser evidente, em forma de verruga ou nem ser notada. O vírus pode estar latente, ou escondido em locais aparentemente sadios e sem evidências de acometimento.

As lesões que não apresentam import6ancia para o paciente são denominadas subclínicas, mas devem ser tratadas, pois podem evoluir para outras formas mais graves, as chamadas codilomatosas.

As verrugas podem se apresentar em tamanho e número variável, esbranquiçadas ou róseas. Elas podem, às vezes, ter formato assemelhado ao de uma couve-flor, recebendo a denominação de codiloma exofítico. Nestas situações, existe gravidade, pois muitas vezes a lesão pode se alastrar por todo o pênis e obrigar até a uma amputação do membro.

Existe também a lesão plana, que é evidenciada através da peniscopia e que tem relação com a neoplasia intra-epitelial peniana. As lesões subclínicas devem ser avaliadas e pesquisadas, pois elas podem evoluir tanto para um simples codiloma, como para um codiloma exofítico, ou ainda para formas mais graves e atípicas. O vírus atua na transformação do epitélio do pênis. Dependendo do subtipo viral envolvido, há maior probabilidade de causar câncer no pênis.

Diagnóstico no homem pode ser simples

O diagnóstico no homem que possua uma lesão, com as características já descritas, é relativamente fácil e simples. Pacientes com lesões, ou que tenham parceiras com antecedentes, devem ser submetidos a uma avaliação clínica especializada. Esta é a opinião do médico Manuel Nascimento Ramos, professor de Urologia da Faculdade de Ciências Médicas de Santos.

Todos os homens devem ser estudados em relação aos seus sintomas, antecedentes sexuais, presença de lesões curadas ou não no passado, outras doenças sexualmente transmissíveis e, principalmente, a atividade sexual e números de parceiros com os quais tenha tido contato em passado recente. Todo o aspecto clínico do paciente deve ser avaliado, para saber como está a saúde do paciente.

Este pode ser o momento de realizar uma avaliação laboratorial geral, para saber como se encontram os parâmetros hematológicos e bioquímicos do sangue. Estas medidas poderão, eventualmente, fazer com que problemas como diabetes, ou outras disfunções metabólicas, sejam descobertas. Outros exames fundamentais são os relacionados às doenças sexualmente transmissíveis.

Depois disso, o urologista realizará a visualização dos órgãos genitais com rigor e cuidado, atentando para todos os tipos de situação em que a hipótese da presença do HPV tenha sido sugerida. A peniscopia não é dolorosa e o método, além da visualização macroscópica de todos os órgãos genitais, emprega um aparelho chamado colposcópio, que possibilita o alargamento da visão, nos possíveis locais comprometidos. De todas as regiões suspeitas ou afetadas, colhe-se material para estudo citológico e histológico. Para melhor observação de lesões, são utilizados os testes do ácido acético e do azul de toluidina, além de coleta de material da uretra.

 

Conheça mais sobre a Meningite
Milton Artur Ruiz

A meningite é uma inflamação das meninges, as membranas que envolvem o cérebro, e do fluído cerebral, um líquido que circula nos espaços entre o cérebro e a coluna vertebral. Pode ser causada por vários tipos de bactérias, como o meningococo, vírus, fungos ou outros organismos. Também pode ser provocada por agentes não-infecciosos.

Os agentes infecciosos mais freqüentes da meningite são o Streptococcus pneumonia e Neisseria meningitidis (menigococo), e o mais comuns também em crianças. A Escherichia coli muitas vezes causa a doença nos recém-nascidos.

A infecção pode começar no sistema respiratório, ou em outras partes do corpo, como infecções no ouvido, nariz e dentes; mas raramente isso acontece.

Setenta por cento (70%) dos casos de meningite ocorrem, na maioria das vezes, nos primeiros cinco anos de vida, e dificilmente entre os doze primeiros meses de vida.

Sinais e Sintomas

Não há sinais ou sintomas que especificam qual o tipo de bactéria causadora da meningite ou se ela resulta de outras causas. Os sinais são variados e dependem também da idade da criança e do tipo de agente infeccioso.

Os primeiros sinais podem ser comuns a qualquer doença, como febre, letargia, vômitos e irritabilidade. Crianças mais velhas, geralmente, reclamam de dor de cabeça. A rigidez da nuca poderá ser encontrada através de um exame feito pelo médico. Enquanto a doença se desenvolve, outros sintomas podem aparecer: aumento da irritabilidade e dificuldade de respiração.

Os recém-nascidos com meningite podem apresentar irritabilidade ou letargia. Nestes casos, normalmente a mãe irá confortar o bebê e poderá notar algo diferente, chamado de "irritabilidade paradoxal", quando o bebê torna-se mais irritado. Além de apresentar moleira inchada.

Um aspecto amarelado na pele também pode demonstrar a meningite na criança, além da rigidez do corpo e da nuca.

A meningite meningocócica pode vir acompanhada de púrpura (aparecimento de pequenas manchas vermelhas formadas por extravasamento de sangue na espessura da pele). A invasão desta bactéria pode ser agravada pela artrite, miocardite (inflamação do músculo do coração), pericardite ou pneumonia.

Em qualquer sinal de suspeita, deve-se procurar imediatamente atendimento médico, evitando-se receitas caseiras ou indicadas nas farmácias, que podem agravar o quadro. A meningite é uma doença grave, mas tem cura se diagnosticada e tratada a tempo.

Principais Sinais e Sintomas

  1. Febre alta
  2. Forte dor de cabeça
  3. Vômitos em jato
  4. Rigidez na nuca (dificuldade de movimentar a cabeça)
  5. Abatimento em geral (estado de desânimo)
  6. Às vezes, podem aparecer pequenas manchas na pele
  7. Em crianças pequenas, abaulamento da fontanela (moleira inchada)

Prevenção

Em certos casos de meningite pode ser administrado antibióticos para bloquear os contatos de outras infecções com o sistema nervoso central, com o intuito de prevenir a sua ocorrência.

A imunização contra a Haemophilus influenza tipo B (HIB) tem diminuído bastante a incidência da meningite no corpo humano. Alguns médicos também indicam a vacinação com o intuito de se prevenir contra o Streptococcus pneumoniae.

Incubação e duração da doença

Quando o vírus invade o corpo e atinge o líquido da coluna vertebral atingindo a meninge, ele começa a se multiplicar rapidamente, não possibilitando as defesas do organismo, a criança começa a apresentar os sintomas.

Os sintomas podem aparecer rapidamente, em torno de 24hs, ou levar uma semana, dependendo da bactéria. Uma vez estabelecida, e com um tratamento adequado, a meningite leva alguns dias ou semanas para desaparecer.

Contágio

A meningite é normalmente de origem infecciosa, e muitas vezes, os pacientes podem adquirir a doença através de antibióticos.

Tratamento

O tratamento contra a meningite requer a orientação de um médico especializado, que administrará os exames e os medicamentos corretos.

Os exames para diagnosticar a meningite consistem em uma coleta do líquido da coluna e também de raios - x da região.

Uma vez diagnosticada a meningite, será administrado antibióticos intravenosos o mais rápido possível. Os antibióticos podem ser modificados, se necessário, quando os testes demonstrarem qual o tipo de bactéria infectada. Corticóides podem ser necessários para combater a inflamação.

Os primeiros dias de tratamento são críticos, sendo que os sinais vitais, pulso e respiração devem ser monitorados até o paciente se encontrar em uma situação estável. Se houver uma complicação, ele poderá ser tratado de forma apropriada.

Medidas de acompanhamento devem ser tomadas após a finalização do tratamento, com o intuito de verificar se ficou alguma seqüela, como por exemplo, testes de audição para ter certeza de que não há comprometimento no aparelho auditivo. Esse tempo é variável, dependendo da criança e do grau da doença. E ocorrendo qualquer complicação, uma medida imediata facilitará o tratamento.

Principais medidas de controle

  1. Diagnóstico precoce com internação para tratamento do doente;
  2. Tratamento imediato das pessoas que tiveram contato com o doente, principalmente dos familiares e das pessoas de seu convívio.
 

Varicela (Catapora)
Milton Artur Ruiz

A varicela é uma doença comum e benigna. Na maioria das vezes ela não é levada à sério. Deve estar na memória de todos o costume da população, quando uma criança adquiria a doença, colocavam-se todas as crianças da casa perto daquela para que as outras pegassem a doença.

Apesar da crença geral de que a doença está resolvida, vários pontos ainda são controversos, e dentre eles está o uso da vacina. A vacina já em estudo e uso, há longo tempo no Japão, somente agora recebeu a chancela do FDA (Food Drug and Administration), para o seu uso nos Estados Unidos.

Um fato, no entanto, é consensual em considerar a doença grave, em especial nos portadores de câncer, ou naqueles extremamente debilitados ou sob uso de quimioterápicos, na leucemia da infância, que hoje tem bom prognóstico e chances relativas de cura, a varicela mata mais da metade dos que contraem o vírus.

Além da vacina, outras medidas encontram-se preconizadas, como o uso de plasma de pacientes convalescentes de varicela. Esta medida faz com que os anticorpos produzidos passem do convalescente para a pessoa que pretende-se proteger ou tratar.

Outra situação especial e extremamente grave, são os casos de varicela hemorrágica, em que o início da doença ocorre da forma habitual, com o aparecimento das lesões de pele, que podem, às vezes, piorar e apresentar sangue no seu interior. Nesta situação, é necessária pronta intervenção dos pais para fazer com que o paciente chegue logo ao médico e seja submetido a um pronto atendimento. Há a necessidade de exames e medicamentos para melhora do seu estado geral, e de componentes do sangue para corrigir a falência hematológica que se instala.

Mesmo sendo considerada uma doença benigna da infância, e comum o seu aparecimento em crianças, o número de casos da varicela é elevado, e a doença é considerada um problema de saúde pública. Estima-se que, em todo o mundo, aproximadamente 60 milhões de pessoas apresentam varicela a cada ano.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que 90% dos casos da varicela ocorrem em crianças menores de 10 anos de idade, com maior prevalência entre 3 e 6 anos. Apenas 2% dos casos ocorrem em adultos, mas a freqüência do herpes-zoster aumenta com a idade, o que torna improvável a sua extinção, mesmo com a imunização mundial. Em pessoas que entraram em contato com o vírus, 90% adquirem a varicela; e aproximadamente 4.500 crianças são hospitalizadas em virtude da doença.

A mortalidade por varicela é muito baixa, porém as taxas variam de 1 por 10.000 entre crianças normais, e 25 por 10.000 em adultos de 30 a 40 anos. Em crianças com deficiência imunológica, em uso de quimioterapia, radioterapia ou corticoesteróides em doses elevadas, as taxas de letalidade são elevadas, e variam entre 7% a 28%.

O que é?

A varicela, popularmente conhecida como catapora, é uma doença que aparece principalmente na infância, pois quase todos os indivíduos se infectam antes da vida adulta. É causada pelo vírus varicela-zoster, que é um DNA vírus do grupo herpes, capaz de causar duas doenças: a varicela, a fase invasiva aguda do vírus; e o herpes-zoster, a reativação da fase latente.

A doença se manifesta por uma dor de cabeça moderada, febre e mal-estar, cerca de 24h a 36h antes do aparecimento da primeira série de lesões. Essa fase preliminar não é reconhecida em crianças pequenas, mas é mais provável em crianças com mais de 10 anos, e é geralmente severa em adultos. Em seguida aparecem coceiras, que podem ser acompanhados de uma vermelhidão, e dura entre 5 a 7 dias, caracterizando-se pelo surgimento de vários tipos de lesões na pele em várias fases de evolução. como: máculas, pápulas, vesículas, pústulas e crostas.

Transmissão:

A transmissão do vírus se dá pelo contato de pessoas infectadas, que esteja no estágio inicial da doença. O período de incubação habitual do vírus é de 14 a 16 dias. Quando o paciente está na fase final, quando as lesões estão em crostas, não se transmite mais a doença.

É aconselhável o isolamento do paciente infectado por 6 dias, após o aparecimento dos primeiros sintomas, afim de controlar a infecção.

Após o contato, as pessoas adquirem a varicela e, quase sempre, a imunidade é duradoura, embora possa haver a reativação dos vírus latentes, surgindo o zoster, quando ocorre uma redução das defesas do organismo.

Complicações decorrentes da varicela:

A varicela na infância é benigna. Mas pode ser severa ou fatal em adultos, ou em pacientes com leucemia ou recebendo hormônios, e indivíduos com deficiência imunológica. Quando se manifesta antes do primeiro ano de vida, a doença também pode apresenta uma maior gravidade. Em crianças normais, raramente ocorre complicações em consequência da varicela, porém há casos onde há a necessidade da hospitalização.

Tratamento:

O tratamento para os casos leves, não graves, é simples. Pode-se aplicar compressas úmidas nas lesões para controle, e para evitar escoriações que podem levar a uma infecção mais grave. Deve-se também banhar o paciente freqüentemente com sabão e água e mantidos com roupas de baixo limpas. As mãos devem estar limpas e as unhas cortadas, evitando, assim, infecções futuras. Higiene é fundamental quando aparecem as erupções na pele.

Não deve-se aplicar antissépticos; antes de adotar esse tratamento, é necessário consultar o seu médico de confiança.

Em casos severos, recomenda-se procurar um médico, para que se faça o tratamento e acompanhamento adequado.

Prevenção:

Para prevenir a varicela, em crianças normais, pode ser feita a administração de vacinas preventivas.

Complicações decorrentes da varicela:

* pneumonia * apendicite
* meningite * hepatite
* encefalite (doença produzida por vírus, e caracterizada por sonolência progressiva e fraqueza muscular). * glomerulonefrite ( forma de nefrite - inflamação dos rins)
* artrite ( inflamação na articulação) * pericardite ( inflamação do pericárdio)
* osteomielite ( inflamação da medula óssea) * orquite ( inflamação dos testículos)
* púrpura ( manifestações hemorrágicas que aparecem na pele; manchas roxas)  

A vacina contra a varicela:

* A primeira vacina contra a varicela foi desenvolvida no Japão, no início da década de 70. Os japoneses isolaram o vírus da varicela de um menino saudável, com 3 anos de idade, acometido pela doença. A vacina ficou conhecida por cepa Oka. Desde então, a vacina vem sendo bastante estudada, tanto em crianças com leucemias quanto em crianças normais, tentando-se conseguir uma forma de proteção adequada para os grupos de maior risco (os pacientes com deficiência imunológica e adultos). Diversos estudos demonstraram que a vacina é bastante eficaz e segura, quando administrada naqueles pacientes, com mais de um ano de idade. Além disso, reduz o número de casos de zoster. Atualmente, a vacina está aprovada para o uso em crianças saudáveis, maiores de um ano, adolescentes e adultos não imunes, em países como: Estados Unidos, Japão, Coréia e alguns países europeus. No Brasil, é pouco provável que seja adotada, visto que outras vacinas, mais eficazes e prioritárias para crianças menores de cinco anos, como as vacinas contra rubéola, caxumba e hepatite B, por exemplo.
 

Tuberculose
Milton Artur Ruiz

A Tuberculose é um sério problema mundial de saúde pública. A doença é causada pela bactéria "Mycobacterium tuberculosis" ou "Bacilo de Koch" e está disseminada por todo mundo variando a sua incidência entre os países e regiões.

É uma doença infecciosa transmissível e acomete principalmente os pulmões dos afetados , mas pode estar presente em qualquer lugar do organismo.

A tuberculose não é nova e ela pode ser considerada como uma epidemia que lentamente progrediu. A bactéria provavelmente precedeu o desenvolvimento do homem na terra. A doença começou a se tornar mais frequente quando o homem passou a se agrupar e as relações sociais fizeram com que o homem se estabelecesse em casas e em povoados.

Com a colonização de outros continentes, a doença foi exportada para esses locais atingindo a todos os recantos do planeta.

A tuberculose é transmitida por via inalatória e existe a necessidade de que um doente com o bacilo em suas vias respiratórias, tussa, espirre ou fale para que a doença possa ser transmitida.

Não é infrequente que uma pessoa em contato com alguém com tuberculose não contraia a moléstia. Isto acontece porque esta pessoa tem as suas defesas integras e assim coexiste bem com o bacilo. Para ficar doente o organismo desta pessoa precisa estar debilitado.

Os sintomas são variados porém os mais frequentes são, tosse constante e persistente, dor no peito e presença de febre, que normalmente acontece no período da tarde. Com o tempo o doente passa a apresentar um emagrecimento que vai se acentuando e é intenso em um curto período. A falta de apetite, o cansaço fácil em qualquer tipo de atividade rotineira associado a suores intensos durante a noite são outros tipos de sintomas frequente relatados pelos pacientes.

Em 1993 a organização mundial de saúde declarou que a tuberculose era uma emergência do mundo moderno. Esta assertiva deve-se ao fato que a doença que paulatinamente estava declinando passou a apresentar um aumento de número de casos mesmo em países desenvolvidos como os Estados Unidos. Este país acostumado a taxas infimas da doença ainda se debate em relação a esta moléstia, pois não possuem o hábito, nem experiência progressa no manuseio da tuberculose, doença até então restrita aos países menos desenvolvidos e mais pobres. A Tuberculose é uma doença ligada a pobreza, ao subdesenvolvimento, e a baixa condições sócio-econômicas, e o seu reaparecimento ou aumento, deve-se a diversos fatores, dentre eles a negligência dos sistemas de saúde. Outro fator que propiciou o aumento dos casos de tuberculose principalmente nos Estados Unidos e países desenvolvidos se deve ao surgimento da AIDS.

O Bacilo vive em equilíbrio dinâmico com o homem, e com o aumento do número de pessoas com a AIDS, doença em que as defesas estão debilitadas, elas tornam-se mais susceptíveis de contraírem tuberculose. O portador do vírus HIV tem muito mais chance de ficar doente pela tuberculose. Em 1994, 15% dos casos de tuberculose tinham também o teste de HIV positivo, o que configura uma situação explosiva e extremamente perigosa para a saúde pública.

Em nosso país, que convive com taxas elevadas da moléstia a situação é extremamente diversa. No Estado de São Paulo as cidades do litoral, Capital, Campinas e Ribeirão Preto apresentam os mais elevados coeficientes de incidência da moléstia, e o combate à doença enfrenta vários percalços. Dentre eles citamos a sub-notificação de casos, o que dificulta o inicio do tratamento destas pessoas e principalmente o diagnóstico rápido e precoce daqueles que entraram em contato com os doentes. Por isto é que a notificação dos casos, é extremamente importante para se evitar novos casos precocemente.

Assim pessoas que tenham uma tosse prolongada e que não melhore, mesmo que não tenha todos os sintomas clássicos da moléstia, deve procurar o seu médico e sem nenhum tipo de constrangimento realizar exames de pulmão e testes indicados para saber se é ou não portador do bacilo.

Outra situação de risco, tanto para o paciente como para a população, são os pacientes que são diagnosticados, iniciam o tratamento e depois o abandonam. Este fato, e extremamente grave, pois segundo dados. do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de S. Paulo a taxa de abandono após 7 meses de tratamento é de cerca de 16% dos pacientes.

Assim a OMS, preconiza que todos os esforços devem ser envidados no sentido de obter o diagnóstico precoce e criar condições para que o abandono não aconteça.

Para o diagnóstico, o RX de tórax e exame do escarro com detecção do bacilo da tuberculose ainda são os métodos mais utilizados.

Para o tratamento e com a finalidade de se reduzir a taxa de abandono, o paciente com Tb deve ser avaliado por vários profissionais da área da saúde, com a finalidade de supervisionar de maneira integral todo o tratamento.

 

Cisticercose
Dr. Milton Artur Ruiz

A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 50 milhões de pessoas possuem cisticercose, e que 50.000 morrem a cada ano. As populações mais atingidas estão nos países em desenvolvimento, como os da Ásia, África e América Latina, incluindo o Brasil, onde o nível sócio econômico é mais baixo e o saneamento básico é precário.

A cisticercose é uma infecção intestinal provocada pela larva Taenia solium (a popularmente conhecida por solitária), e atinge os suínos e o homem. O hospedeiro natural é o porco, que adquire a doença ingerindo fezes humanas com os ovos da larva. No homem, o processo é indireto, contamina-se ao comer a carne de porco com cisticercos, adquirindo a solitária e passa a eliminar fezes com ovos, que podem infectar córregos e rios. A cisticercose surge ao ingerir essa água ou as verduras contaminadas.

A solitária mede de 2,5 a 3m de comprimento e é composta por um escoléx armado com vários ganchos e corpo formado por 1000 proglotes. O hospedeiro intermediário da solitária, geralmente, é o porco, mas o homem também pode executar essa função, ao ingerir os ovos diretamente, ou pela regurgitação dos ovos a partir do intestino para o estômago, onde os embriões são liberados, penetram na parede intestinal e são transportados ao tecido subcutâneo, músculo, vísceras e sistema nervoso central.

Uma vez no organismo humano, os ovos caem na corrente sangüínea e se disseminam por todas as partes do organismo, atacando principalmente o cérebro, transformando-se em larva, capaz de provocar uma série de distúrbios.

A infecção com verme adulto geralmente não apresenta sintomas. Mas a infecção com uma carga larvária grande pode provocar dores musculares, fraqueza, febre.

Se atingir o sistema nervoso central, pode provocar epilepsia, hipertensão intracraniana, meningite cisticercótica e distúrbios do comportamento e demência.

A hipertensão intracraniana caracteriza-se pelo aumento da pressão dentro do cérebro, devido ao acúmulo de líquidos no órgão, hidrocefalia. É a forma mais grave da doença, que leva cerca de 20% dos pacientes à morte, ou provoca seqüelas graves, como a cegueira, paralisia e demência.

Já a meningite cisticercótica é caracterizada pela inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro, provocando dor de cabeça, vômitos e perda de movimentos.

Depois de três a seis anos, o cisticerco se calcifica, mas os problemas podem persistir, sobretudo a epilepsia.

O diagnóstico é feito com exames de tomografia e ressonância magnética. Nas infecções pelo verme adulto, os ovos podem ser encontrados na região perianal ou fezes. É necessário fazer uma coleta das fezes, para certificar que os ovos pertencem a uma solitária, e não a uma outra larva.

Os cisticercos calcificados podem ser vistos em radiografias, e as larvas encistadas pode sem recuperados em nódulos subcutâneos por biópsia.

No que diz respeito ao tratamento, atualmente foi desenvolvido dois tipos de medicamentos eficazes para matar os cisticercos que se alojam no cérebro, o Albeldazol e o Praziquantel.

Mas nem todos os pacientes podem ser submetidos a esse tratamento, principalmente quando há um elevado número de cisticercos vivo no tecido cerebral.

Uma outra opção, muitas vezes, é a cirurgia, feita em pacientes que sofrem de hidrocefalia e precisam de uma válvula que desvie o líquido do cérebro para o abdômen. Mas esta é uma operação de muito risco, pois, às vezes, o cisticercos não estão acessíveis.

A cisticercose deve ser considerada em qualquer paciente que vive em uma área endêmica e desenvolve sinais neurológicos. Portanto, deve-se prevenir a doença, com medidas de segurança adotadas por qualquer pessoa.

Medidas propostas pela Organização Pan-americana de Saúde para conter a cisticercose:

  • Melhorar as condições de saneamento ambiental, tratamento de água e esgoto;
  • Fiscalizar a comercialização da carne, coibindo o abate clandestino;
  • Não consumir carne com cisticercos, que apresentam bolinhas aparentes;
  • Não comer carnes mal passadas ou cruas, de procedência duvidosa;
  • Só tomar água filtrada e tratada;
  • Lavar bem as verduras em água corrente;
  • Tratar precocemente a solitária, assim que notar a presença de seus ovos, sob forma de anéis, nas fezes.

Sintomas:

  • Dores musculares;
  • Fraqueza;
  • Febre;
  • Epilepsia;
  • Hidrocefalia;
  • Meningite cisticercótica;
  • Distúrbios de comportamento de demência.

Diagnóstico e Tratamento

Muitos pacientes com cistos podem ser assintomáticos ou as queixas serem decorrentes do local afetado. O diagnóstico definitivo da cisticercose requer o achado dos cistos, que podem ser encontrados nas biópsias de pele ou de músculos. No entanto outros métodos podem ser utilizados. Radiografias dos músculos e crânio podem ser vitais para evidenciar calcificações musculares e cerebrais. Atualmente com desenvolvimento do diagnóstico por imagens a Tomografia e Ressonância magnética apresentam grande vantagem na visualização dos cistos, vesículas e granulomas .

Os testes imunológicos no soro e líquido céfaloraquidiano, através do teste de Elisa são bastante específicos e muito sensíveis. O tratamento na maioria das vezes é medicamentoso e a cirurgia está indicada em situações específicas como a remoção de cistos da órbita ocular, cisternal, ou ventricular. As cirurgias cerebrais de meninge ou do cordão espinhal somente deverão ser realizadas se houver um bom acesso cirúrgico ao cisto.

 


Os novos tratamentos para a Aids
Milton Artur Ruiz

A introdução de novos medicamentos e novas estratégias no tratamento da Aids tem modificado o panorama evolucional e as perspectivas dos portadores da doença. Desde o aparecimento da Zidovudina, medicamento que causa inúmeros efeitos colaterais mesmo quando utilizado isoladamente, o controle da Aids passou a ser efetivo. E ele foi na realidade o primeiro medicamento a dar esperanças para o tratamento e possível cura da moléstia. Logo após, outros medicamentos de princípios semelhantes à Zidovudina, com a Didanosine e a Zalcitabine, foram sintetizados e passaram a ser utilizados conjuntamente, medida esta que os transformou nos medicamentos de primeira linha para o tratamento da moléstia.

Com o surgimento dos inibidores da protease, e com a constatação de resultados alvissareiros nos pacientes em várias fases do tratamento, inclusive nas mais avançadas, a esperança aumentou, e as perspectivas de sobrevida com qualidade tornou-se uma realidade. Assim surgiram mais recentemente os programas de segunda e de terceira linha, na qual se associam medicamentos potentes mas de princípios diferentes.

Esta terapia com Drogas Potentes Antirretrovirais (Highly Active Antiretroviral Therapy), ou comumente denominada coquetel, é então a combinação de medicamentos que tem a finalidade de reduzir a carga viral dos pacientes infectados para restaurar a função das células imunológicas comprometidas pela doença. Com a restauração desta função objetiva-se tirar os pacientes das fases avançadas da doença e assim reduzir dramaticamente a incidência das infecções oportunísticas, que são a causa do enfraquecimento do paciente e que levam enfim os portadores à morte. Resumindo, a terapia mais agressiva consiste na associação de dois medicamentos que inibem a enzima transcriptase reversa, com um inibidor de protease. Resultados de estudos franceses tem demonstrado que este tratamento faz com que ocorra um sensível aumento do número de células T CD4 no sangue dos pacientes HIV+. No entanto, existem ainda dúvidas em relação à recuperação imunológica nos pacientes das fases avançadas da moléstia, pois crê-se que determinados subtipos das células T CD4, quando destruídos, esta anormalidade seja irreversível. Atualmente, vários estudos demonstram que a redução da taxa de infecções por cândida e microbactérias foi observada com o uso da associação de drogas potentes antiretrovirais.

Efeitos colaterais dos medicamentos

Um estudo apresentado na 12ª Conferência Mundial da Aids, realizado em Genebra neste mês, revelou que de um terço a dois terços dos pacientes que tomam o coquetel com o inbidor da protease apresentam problemas no metabolismo lipídico do organismo, com conseqüente má distribuição de gorduras no corpo.

Os pacientes costumam apresentar perda de gordura nos braços, pernas e na face, ganhando depósitos de gordura na barriga, pescoço e ombros. Os pacientes que apresentam a lipodisfunção passaram a ter barrigas grandes, enquanto que os braços, pernas e rostos ficaram mais finos. Outros tiveram depósito de gordura acumulado na nuca, que ficou conhecido como corcova de búfalo, sinal semelhante aos dos pacientes que utilizam hormônios de suprarenal por longo tempo.

O Hospital St. Vincent de Sidney, Austrália, que fez um estudo com 84 pacientes soropositivos que tomaram o coquetel, observou que a perda de gordura corporal foi de cerca de 200 gramas por mês, exceto na região abdominal. Os resultados mostraram também que o acúmulo é progressivo e mais intenso a partir do segundo ano de tratamento.

Além dessas deformações, e do aumento do colesterol e triglicérides - gordura no sangue, tem surgido casos de diabetes. Alguns pacientes que apresentaram uma resistência periférica à insulina aumentada, ou seja, quando a insulina tem mais dificuldade de fazer o açúcar entrar dentro das células do corpo, evoluindo para diabetes.

O descontrole do índice de gordura do sangue é, sem dúvida, devido a ação dos inibidores de protease, que causam alteração no mecanismo lipídico de alguns pacientes.

A preocupação em relação a esses efeitos colaterais existe e ela é em relação a propiciar problemas cardiovasculares futuros nestes pacientes. O quadro pode ser contornado com a introdução de medicamentos para o controle do colesterol e triglicérides e com a introdução de uma dieta natural e balanceada.

Estas alterações no metabolismo lípidico causam modificações estéticas e isto pode levar a um desestímulo e desistência do tratamento. Sabe-se que muitos pacientes principalmente mulheres, preferem não tomar o medicamento a ter seus corpos deformados. Este é um fator preocupante, já que o coquetel é a única opção de tratamento, principalmente para os doentes em estado avançado.

Deve-se salientar que apesar dos efeitos colaterais, os riscos que o tratamento combinado com as drogas potentes antirretrovirais principalmente em relação à estética são mínimos quando comparados com os benefícios que os mesmos estão causando, modificando sem sombra de dúvida o curso natural da moléstia.

Medicamentos

Que atuam sobre

o vírus da Aids

  • Análogos dos Nucleosídeos

Zidovudina.............................................................................. (AZT)

Didanosina ............................................................................. (ddi)

Zalcitabina ............................................................................ (ddc)

Stavudina .............................................................................. (d4T)

Lamivudina ............................................................................. (3TC)

  • Inibidores da Transcriptse reversa - Não Nucleosídeos

Nevirapine

Delavirdine

  • Inibidores da protease

Indinavir

Nelfinavir

Saquinavir

Ritonavir

Positividade no teste e o informe ao paciente

Um dos grandes dramas em relação ao teste do HIV reside na informação do resultado. Devido a inúmeros contratempos e problemas e transtornos ocorridos com grande divulgação na imprensa leiga o Ministério da Saúde normatizou a questão para a liberação de resultados para todos os laboratórios da rede pública. Assim, antes da liberação de um resultado como reagente ou positivo, alguns passos dependendo do tipo de órgão realizador do teste, deverão ser tomadas.

O achado de um resultado reagente ou positivo através de um método não é o suficiente para fechar um diagnóstico. Preconiza-se como teste de triagem o método de Enzima-Imunoensaio - Elisa de terceira geração. Em triagem para os doares preconiza-se que o teste seja amplo em relação ao vírus do tipo 1 e 2 e que existam dois tipos de testes com princípios distintos para o aumento da segurança transfusional. Quando então de um resultado positivo, a amostra deve ser retestada e na continuidade do resultado uma nova amostra deve ser solicitada para realização de testes com métodos diversos e um confirmatório, de preferência o Western-Blot realizado.

Estas medidas visam evitar informações errôneas e à luz dos conhecimentos e limitações que sempre carreiam o meio médico, informar de maneira adequada a todos os pacientes.

Estas orientações do Ministério da Saúde, que são recentes, dão o prazo até meados deste mês para que o procedimento seja implantado.

Exames utilizados para o diagnóstico e evolução da Aids.

Teste Significância
  • Enzima Imuno ensaio-Elisa
Teste de triagem - sensível em 99,9% dos casos
  • Western-blot - HIV
Teste confirmatório do HIV. Específico quando combinado ao teste Elisa. Indeterminado nas fases iniciais ou outras doenças.
  • Hemograma Contagem dos Leucócitos
Anemia, leucopenia e plaquetopenia nas fases avançadas
  • Determinação da quantidade de linfócitos CD4
Avalia a progressão da doença.

Preditivo em relação ao risco às infecções.

  • Determinação da relação entre os linfócitos CD4/CD8
Idem
  • Beta2 microglobulina
Preditivo em relação à progressão da moléstia
  • Quantificação da carga viral
Preditivo em relação à progressão da moléstia, e avalia a resposta ao tratamento antiretroviral.
  • Antígeno p24
Indica replicação ativa do vírus. Positivo antes da soroconversão e nas fases avançadas.

 


Sarampo
 Milton Artur Ruiz

O sarampo é uma doença viral, infecto-contagiosa, que passa de pessoa para pessoa facilmente, podendo tornar-se uma epidemia, e o contágio acontece de secreções respiratória.

A doença é causada por um paramixovírus, facilmente disseminado por gotículas do nariz, garganta e boca de uma pessoa com sarampo. O período de transmissão da doença começa 2 a 4 dias antes do aparecimento do sarampo e continua durante sua manifestação. O vírus desaparece das secreções do nariz e garganta na época em que os sintomas diminuem.

O sarampo e a varicela estão entre as doenças mais facilmente transmissíveis de todas as doenças infecciosas. Antes dos programas de imunização amplos terem começado, epidemias de sarampo ocorriam de 2 a 3 anos, com pequenos surtos localizados. Antes deste programa, 90% das crianças eram infectadas pelo sarampo.

A doença figurava como uma das principais causas de morte em crianças menores de 5 anos no Brasil. Mas em alguns países de terceiro mundo, a situação ainda é essa.

Desde 1973, o Brasil tem-se utilizado a vacina monovalente para controlar a epidemia de sarampo. Ocorreram epidemias entre os anos de 1980 e 1986, sendo que o Estado de São Paulo foi o mais afetado.

E, a partir de 1987, com a introdução de uma nova estratégia de controle da doença, houve uma redução de 98% na incidência dos casos, e de 100% no número de mortes, entre 1987 e 1995.

Recentemente, nos Estados Unidos, os surtos passaram a acometer idades diferentes, adultos jovens e adolescentes começaram a apresentar a doença, e casos esporádicos entre lactentes e crianças jovens. Um lactente, cuja mãe teve sarampo, recebe imunidade transplacentária passiva, pelo menos para o primeiro ano de vida. Após isso, a suscetibilidade é grande. Um ataque de sarampo confere imunidade pelo resto da vida. 

Características da doença

Após um período de incubação de 7 a 14 dias, o sarampo começa a se manifestar com uma febre, coriza, tosse entrecortada e conjuntivite. AS manchas de Koplik, que são manchas esbranquiçadas na face, aparecem 2 ou 4 dias mais tarde. Estes pontos lembram pequenos grãos-de-areia branca cercados por uma auréola inflamatória. Em seguida, desenvolve-se uma faringite ou inflamação da mucosa da laringe.

Os sinais característicos da doença, as manchas avermelhadas no corpo, aparecem 3 ou 5 dias após esta primeira fase, começando em frente e abaixo dos ouvidos e no lado do pescoço, e espalham-se rapidamente para o resto do corpo. A presença de gânglios é manifestação comum do sarampo, na região do pescoço e nuca.

No ápice da doença, aparece febre alta, conjuntivite, fotofobia e coceira moderada no corpo. Em 3 a 5 dias, a febre abaixa, e o paciente começa a se sentir um pouco melhor e as manchas vermelhas começam a desaparecer rapidamente, deixando uma descoloração marrom-acobreada seguida de descamação.

A síndrome de sarampo atípico é mais comum em adolescentes e adultos jovens, e está associada à imunização prévia com vacinas de vírus selvagens morto, que não é mais utilizado. Contudo, a administração de vacina com vírus vivos atenuados também precedeu o aparecimento da síndrome.

Esta síndrome pode começar abruptamente com febre alta, toxemia, dor de cabeça, dor abdominal e tosse. As manchas vermelhas podem aparecer 1 ou 2 dias mais tarde, na extremidades. Podem ocorrer edema nas mãos e nos pés.

O sarampo tem baixa letalidade e é geralmente benígno, a menos que surjam complicações, que podem ser pneumonia, otite média aguda, laringite, manifestações neurológicas raras, problemas cardíacos, miocardite e pericardite. Os pacientes com sarampo são suscetíveis à infecções estreptocócicas. Exacerbação da febre, alteração de leucopenia para leucocitose e desenvolvimento de mal-estar, dor ou prostação sugere infecção bacteriana.

O sarampo típico pode ser suspeitado em um paciente com coriza, fotofobia e evidências de bronquite, mas um diagnostico definitivo pode ser feito apenas pela identificação apenas pela identificação dos pontos de Koplik, ou por testes sorológicos.

O diagnóstico diferencial do sarampo típico inclui rubéola, escarlatina, enxatema por drogas, doença do soro, roseola infantum, mononucleose infecciosa, adenovírus e infecções por vírus Echo e Coxsackie.

O tratamento do sarampo é sintomático, e não há nenhum específico, mas requer alguns cuidados especiais, como: repouso, dieta líquida, deve-se usar antitérmicos e analgésicos, quando houver febre alta e/ou dor de cabeça; limpar as pálpebras com água morna para remoção de crostas ou secreções, provenientes da conjuntivite; e no caso de complicações bacterianas, tomas o antibiótico receitado pelo médico.

O modo de prevenção do sarampo é imunização. Todas as crianças devem ser vacinas contra o sarampo e outras doenças. Duas doses da vacina são as recomendadas para as crianças.

A primeira dose deve ser dada quando a criança estiver entre os 12 ou 15 meses de vida, e esta vacina é contra, além do sarampo, rubéola e caxumba. De 95 a 98% das pessoas que recebem uma única dose, desenvolvem a imunidade para estas três doenças. A segunda dose deve ser dada quando a criança começar a freqüentar a escola. 

Características do Sarampo

Incubação De 7 a 14 dias
Período de contágio De 2 a 4 dias antes do aparecimento da doença e até 2 a 5 doas após o início.
Sintomas e Sinais Febre alta; mal estar; coriza; conjuntivite; tosse; falta de apetite; manchas brancas (manchas de Koplik) nas bochechas; fotobia;
Local Inicia-se ao redor dos ouvidos, na face, no pescoço, dissemina-se pelo tronco e membros. Os membros são poupados em casos leves.
Início/Duração 2 a 5 dias após o início dos sintomas; dura de 4 a 7 dias.
Tratamento Repouso; dieta líquida ou branda; antitérmicos e analgésicos devem ser utilizados quando houver febre alta ou dor de cabeça; tomar líquidos à vontade; limpar as pálpebras com água morna para remoção de crostas ou secreções; tratar com antibióticos as complicações bacterianas (otites, pneumonia, etc.)

 



Malária
 Milton Artur Ruiz

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o risco do aparecimento da malária existe em cerca de 100 países e territórios, incluindo a transmissão do Plasmodium falciparum, responsável pela forma mais grave da doença.. Mais de 40% da população mundial vive em áreas de risco. O último estudo feito em 1996 demonstrou que a situação é séria e pode piorar.

A situação da doença não mudou e as estimativas globais permanecem as mesmas, com uma incidência de malária estimada em 300 a 500 milhões de casos anualmente. De 1,5 a 2,7 milhões de pessoas morrem da doença a cada ano, e aproximadamente um milhão dessas mortes são de crianças. Países do continente africano são os mais atingidos, cerca 90% do total da incidência da doença, e onde ocorre a grande maioria das mortes.

A forma mais grave da doença predomina em países da África, na Amazônia (Brasil), Sudoeste da Ásia e Oceania. No resto do mundo, a doença é menos comum. A mortalidade é maior em crianças de baixa idade, adultos não imunizados e mulheres durante sua primeira gravidez.

A grande maioria das mortes ocorre em crianças da África tropical, especialmente em áreas remotas rurais, com pouco acesso para os serviços de saúde e de médicos. Em outros países as mortes se atribuem a falta de vacinação em áreas endêmicas, atingindo trabalhadores agrícolas, mineiros e em áreas com colonização recente. Durante as epidemias, no entanto, todas as idades são afetadas, sem distinção.

Vários programas estão sendo desenvolvidos para reduzir os casos de malária, visto que em algumas áreas, a situação da doença é perigosa, e os casos epidêmicos aparecem em larga escala, aumentando os números de mortes. Na Ásia Central, a re-introdução da transmissão da malária vem seguida da degradação econômica e do colapso no sistema público de saúde e dos serviços sociais.

Os agentes quimioterapêuticos e inseticidas tornaram a malária rara nos Estados Unidos e em muitas partes do mundo, mas visitantes provenientes de áreas malarígenas e turistas podem re-introduzir a doença nestes países, por isso a necessidade de imunização da população vem sendo uma regra.

O que é a malária?

A malária é uma doença causada por protozoários, que envolve a infecção dos glóbulos vermelhos do sangue. Há quatro tipos de malária, e o mais grave é o Plasmodium falciparum. Os outros três tipos são menos sérios não necessitando de cuidados para a vida inteira.

A malária é transmitida da pessoa contaminada pelo sangue para o mosquito. Os cientistas chamam este tipo de mosquito transmissor de Anófeles. Um mosquito infectado que pica uma pessoa, injeta o parasita da malária no sangue dela, que viaja pelo sistema sangüíneo até o fígado, infectando os glóbulos vermelhos do sangue.

Os sintomas característicos da doença incluem febre, calafrios, sudorese, dores musculares e de cabeça, e anemia. Pode haver também vômito, diarréia, tosse e aparecimento de uma cor amarelada na pele e no branco dos olhos. Pessoas contaminadas com a forma maligna da doença podem apresentar problemas no sangue, choque, falência dos rins e do fígado, problemas no sistema nervoso central, coma e até a morte.

O período de incubação da doença, entre a mordida do mosquito até a manifestação dos sintomas, é de, normalmente, 1 a 3 semanas (7 a 21 dias). Entretanto, o período de incubação pode ser maior, quando a pessoa toma algum medicamento inadequado de prevenção. Alguns tipos de malária pode levar mais tempo a aparecer, de 8 a 10 meses para o surgimento dos sintomas.

O tratamento da doença depende da região geográfica onde a pessoa foi infectada. Diferentes áreas apresentam diferentes tipos de malária, que são resistentes a certos tipos de medicamentos. O medicamento correto para cada tipo de malária deve ser prescrito pelo médico. No caso da forma mais grave, como há risco de vida, a pessoa deve ser encaminhada ao médico imediatamente, para que as medidas sejam acertadas.

A malária durante a gravidez pode ser séria. Os riscos de problemas durante o período gestacional incluem prematuridade, aborto e a morte da criança ao nascer. As mulheres grávidas que trabalham e viajam para áreas de grande risco devem consultar o médico, para que ele possa prescrever medicamentos para evitar contaminação. Em crianças, incluindo as mais jovens, e que vivem ou viajam para lugares de risco, a doença também é severa, e são recomendadas as vacinas contra a moléstia. Entretanto, estas recomendações também devem servir para os adultos. E é crucial que o uso correto e a dosagem para as crianças ocorra, porque doses elevadas podem carrear problemas e efeitos colaterais

Pessoas que viajam para áreas epidêmicas ou que tem alto risco de contaminação, devem também procurar o atendimento médico, e pedir uma orientação sobre vacinação e medicamentos que devem ser tomados no caso de suspeita e de contaminação.

As tentativas de induzir imunidade com vacinas ainda são experimentais. Pacientes com malária, no entanto, desenvolvem gradualmente imunidade que modifica consideravelmente a evolução clínica da doença.

As medidas preventivas contra a malária incluem controle dos criadouros dos mosquitos e a utilização de aerossóis de inseticidas residuais nas casas e dependências, telas (ou redes para mosquito) em portas, janelas e repelentes contra mosquito e vestimenta suficiente. O contato entre pacientes com malária e os mosquitos precisa ser evitado, para impedir a disseminação posterior da infecção.

Outra medida é a realização da triagem, o teste de malária obrigatório nos doadores de sangue em regiões endêmicas da doença, afim de evitar a proliferação e aumento de casos.

 

Precauções para evitar a malária:

  • Evitar a exposição aos mosquitos durante as primeiras horas da manhã e da noite, que são as de grande atividades do mosquito.
  • Vestir roupas apropriadas, camisas e calças compridas, por exemplo, quando em lugares abertos, e de muita incidência da doença.
  • Aplicação de repelente na pele contra os mosquitos.
  • Colocar em portas e janelas telas de proteção ou rede.
  • Usar inseticida nos quartos, antes de dormir.
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    Aids e alterações hematológicas
     Milton Artur Ruiz

    • Fase inicial ou de contágio

    A Síndrome da Imunodeficiência adquirida, Aids, desde o inicio pode causar transtornos em diversos orgãos e aparelhos dos pacientes. Dentre as manifestações observadas é freqüente a presença de manifestações no sangue periférico logo ao contágio. As manifestações que podem observadas são a redução do número de glóbulos brancos, vermelhos e das plaquetas. Esta redução que pode aparecer isoladamente ou combinada e teoricamente ocorre pela ação direta e interferência do vírus do HIV diretamente sobre as células progenitoras da medula óssea , local de produção destas células.

    Quando uma pessoa contrai o vírus, as primeiras manifestações e sinais clínicos da infecção podem ser notadas no sangue, apresentando os pacientes anemia, leucopenia e plaquetopenia. A plaquetopenia, que é a diminuição do número de plaquetas abaixo dos valores referenciais normais, é observada em cerca de 51% dos pacientes enquanto a leucopenia, que é a diminuição do número de glóbulos abaixo dos valores referenciais normais , ocorre em aproximadamente 30% dos que contraíram recentemente o vírus e estão sintomáticos. Após a fase inicial comumente as alterações hematológicas desaparecem e os resultados voltam a ser normais. Apesar das alterações habituais na fase inicial serem as descritas anteriormente , não existe uma regra estando também relatado na literatura médica vários casos de mais de um tipo de alteração, além de manifestações inusitadas associadas.

    Com a evolução da doença outros fatores passam a interferir no sangue. Infecções que se associam e o uso de medicamentos agressivos para a medula óssea fazem com que as alterações descritas tenham causas mistas, além de problemas na área da coagulação contribuem para o conjunto de alterações hematológicas presentes na maioria dos pacientes durante toda a evolução da doença .

    • Anemia e Leucopenia na Aids

    A anemia é um sinal freqüente durante toda a doença. Normalmente ela encontra-se associada a outra como a redução do número de glóbulos brancos. A presença de anemia através do estudo de diversos casos tem demonstrado que o sinal pode ser utilizado como preditivo de má evolução da moléstia. Ou seja ela acompanha gravidade da doença. Os pacientes na maioria das vezes não apresentam um quadro típico ou alteração específica que colabore com o clínico para reputar que a alteração seja devido a infecção. As alterações que se observam nos glóbulos vermelhos além da redução das taxas normais, são comuns a qualquer tipo de anemia observada na prática médica .

    Com a evolução da moléstia, deficiências de vitaminas como vitamina B12 e ácido fólico comumente se associam para piora do quadro. A deficiência de ácido fólico normalmente se instala nos pacientes que apresentam diarréia crônica que espoliam e exaurem os estoques da vitamina destes pacientes. Caso exista associado um déficit de ingestão desta vitamina a situação será mais grave. A deficiência de ferro também ocorre nestes pacientes e caso exista sangramentos em qualquer parte do organismo a necessidade de reposição do mesmo será imperiosa para melhoria do quadro clínico. Muitas vezes a doença pode também causar uma destruição precoce dos glóbulos vermelhos e as vezes interferir diretamente na produção dos progenitores dos glóbulos vermelhos. As infecções e medicamentos como o AZT e outros, também causam transtornos na produção dos glóbulos vermelhos e podem ser por vezes isolados ou associados causa de uma anemia.

    A leucopenia é uma alteração comum nos portadores de Aids. A baixa dos neutrófilos ou linfócitos, tipo de glóbulos brancos , pode estar presentes em diversa fases da doença e aparecem pelos mesmas causas que fazem com que os pacientes apresentem uma anemia. Dentre as causas devemos citar as infeções que se associam no paciente com Aids como as micobacterioses, carências vitamínicas, desnutrição e doenças malignas que aparecem nos pacientes.

    • Plaquetopenia e alterações da coagulação na Aids

    A baixa do número de plaquetas é um dado freqüente em todas as fases da doença. As vezes pode ser o primeiro sinal da moléstia observado no sangue. Pacientes adultos que apresentem baixa de plaquetas, hemorragia, manchas equimóticas sem a presença de doença maligna são diagnosticados como portadores de Purpura trombocitopenica. Quando deste diagnóstico sempre deve-se suspeitar de que a causa seja o vírus da Aids sendo então obrigatório a sua pesquisa. Em levantamento anterior há 3 anos atrás alunos da Faculdade de Ciências Médicas de Santos , observaram prontuários de pacientes com Aids em diversas fases da doença e observaram que 35% dos pacientes tinham plaquetopenia, alguns deles em níveis de terapia transfusional específica. Outro fato que deve ser ressaltado é que níveis inferiores de plaquetas podem muitas vezes serem causas de sangramentos, e dependendo do local em que ele ocorra pode ser um risco eminente de vida para o paciente.

    As anomalias da coagulação do sangue podem ocorrer de diversa maneiras e se associarem a baixa do número de plaquetas. Estão descritas situações de alteração de percentuais de diversos fatores e de inibidores da coagulação. estas alterações causam desiquilíbrios na coagulação e também presença de anticoagulantes na circulação sangüínea que fazem com que o paciente sangre constantemente.

    As alterações hematológicas são uma constante no paciente portador da Aids e a vigilância laboratorial sobre o sangue realizadas amiúde para saber se as anormalidades devem-se a doença, à infeções secundárias ou aos inúmeros medicamentos utilizados no tratamento da doença.

    • Quadro 1 - Alterações hematológicas no portador da Aids

    Anemia
    Leucopenia - Neutropenia , linfocitopenia , linfocitose
    Plaquetopenia
    Associação de um ou mais dos itens acima descritos
    Alteração nos fatores da coagulação
    Anticoagulantes circulantes
    Alteração nos inibidores fisiológicos da coagulação

    • Quadro 2 - Causas de anemia na Aids

    Hemorragias agudas ou crônicas
    Destruição de glóbulos vermelhos por Anticorpos
    Infeção na medula óssea pelo Parvovírus B19 , Micobatérias etc.
    Carência de vitaminas - Ácido Fólico , Vitamina B12
    Interferência do vírus na produção da medula óssea
    Toxicidade dos medicamentos sobre a medula óssea
    Anemia por problemas renais da doença
    Anemia por problemas endócrinos da doença

    • Quadro 3 - Leucopenia , neutropenia na Aids

    Inteferência nos progenitores da medula óssea
    Toxicidade medicamentosa
    Infecções - M. tuberculosis, M.avium-intracellulare,citomegalovírus,criptococcus.histoplasma etc.
    Doença maligna - Linfomas , sarcoma de Kaposi
    Carência vitamínica
    Desnutrição