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Conheça mais sobre Anemia
Leucemia
Transplante de medula óssea
Trombose, um perigo frequente para a saúde
Doadores de sangue OU pacientes
Púrpura Alérgica
Anemia é sinal e não uma doença
Milton Artur Ruiz

Conheça mais sobre Anemia
Milton Artur Ruiz

Não existe nenhuma pessoa que não saiba algo ou desconheça o que é anemia . Um parente , um amigo ou a pessoa mesmo , refere que sofre de anemia ou em uma época de sua vida já teve anemia . No entanto o termo na maioria das vezes é empregado de maneira inadequada e por vezes ele é encarada como uma doença. A anemia pode ser definida como uma situação clínica na qual houve uma redução da taxa de hemoglobina proteina que está dentro do glóbulo vermelho , esperada no exame de sangue . Geralmente junto a uma anemia também ocorre a redução do número de glóbulos vermelhos e de outros índices que avaliam a relação dos mesmos e a parte líquida do sangue que é o hematocrito . Na verdade a anemia é uma condição clínica que apresenta alguns sinais , facilmente observados como a palidez ,além dos sintomas que o paciente refere como cansaço fácil aos exercícios e outros que passam ao ocorrer pelo comprometimento de todo o organismo. Assim , anemia isoladamente por si só não deve ser considerada uma moléstia pois ela aparece em decorrência de outra doença ou então é devido a uma anormalidade específica no sangue ou nos locais da produção dos glóbulos vermelhos.

A anemia no adulto

A anemia no adulto mais freqüentemente decorre de um sangramento cronico .Nas mulheres ,principalmente em idade reprodutiva , ela acontece por perdas mentruais em excesso. É comum nos consultórios médicos a chegada destas pacientes com queixas de cansaço há longo tempo , com períodos eventuais de melhora em geral após medicações a base de ferro .Informam quase sempre de que a anemia é antiga não sabendo na maioria das vezes precisar há quanto tempo ela existe ou o período do iníçio dos sintomas.No entanto , grande maioria destas pacientes relatam que muitas vezes a perda de sangue menstrual acentuou-se após a realização de uma laqueadura com a finalidade de se evitar uma nova gravidez.

Outra causa de anemia tanto no homem como na mulher são os sangramentos do aparelho digestivo .Sangramentos do estômago e do intestino estão entre as principais causas de anemia. As perdas de sangue podem ser decorrentes de um processo agudo ou crônico que como no caso do excesso de perdas menstruais exageradas na mulher , levam o paciente a uma anemia por deficiência de ferro . Assim a deficiência de ferro é a causa mais freqüente de anemia em todo o mundo .e ela pode ser magnitude e intensidade variável dependendo do tipo de doença . Por isto é que para a solução da anemia é necessário o diagnóstico da causa e a sua erradicação sem a qual a anemia não será solucionada.

O ferro e a sua importância no organismo.

O ferro existe na natureza e ele é essencial para a vida. . Através dos alimentos o organismo recebe o elemento que vai participar de vários processos vitais e colaborar na produção dos glóbulos vermelhos. Existe no organismo de um adulto cerca de de 2 a 4 gramas de ferro em média , sendo que 70% dele está justamente dentro dos glóbulos vermelhos na forma de hemoglobina que é a proteína responsável pelo transporte do oxigênio para todos os locais do organismo. A principal fonte de ferro é a carne , que tem a propriedade de ser absorvida melhor e sem tanta dificuldade como o ferro presente nos vegetais que são de difícil absorção. O tipo de carne com maior quantidade de ferro é a bovina seguida esta pela das aves e peixes na ordem decrescente.

O ferro de uma dieta normal está ao redor de 15 a 30 mg por dia , e deste total o organismo tem capacidade de absorver somente 10%.Para a sua a absorção o ferro do alimento tem de passar por um processo de adequação e transformação. Este processo acontecerá no estômago onde o ambiente ácido fará com que o ferro passe para uma forma mais condizente e seja absorvido pelo organismo no intestino. Por isto é que para a transformação e uma absorção harmônica e adequada é condição indispensável que os orgãos que participam deste processo estejam presentes ou íntegros. Alterações ou ausência do estômago ou do duodeno , que é o local mais importante para a absorção do ferro no organismo , como acontece por exemplo após cirurgias dificultarão a absorção do ferro e poderão desencadear a anemia . Todo alimento que alcaliniza estômago , como o leite e os cereais que contem fosfato dificultam a absorção do ferro . Após a absorção o ferro passa viaja pelo interior das células participa de processos vitais no organismo como constituinte da estrutura de enzimas e vai se localizar em orgãos importantes como o fígado , baço e na medula óssea. Neste último local o ferro participará da produção dos glóbulos vermelhos e organizará o seu estoque para perpetuar esta função. Alterações ou doenças que acometam estes orgãos poderão interferir no metabolismo do ferro e por conseqüência o estabelecimento da anemia.

Causas de deficiência de ferro

  • Dieta deficiente
  • Dificuldade de absorção
  • Aumento das necessidades
  • gravidez
  • amamentação
  • Perda de sangue
  • gastrointestinal
  • menstrual
  • Destruição e seqüestro

Diagnóstico

O paciente com anemia por deficiência de ferro apresenta os sintomas comuns de uma paciente anêmico. Cansaço, necessidade de parar para respirar ,quando faz algum tipo de esforço , além de palpitações e batedeira no coração são alguns dos sintomas do paciente anêmico .Nos casos de deficiências graves poderão estar presentes manifestações neurológicas como tonturas, alterações digestivas como dificuldade para engulir alimentos .Outras alterações de pele e de mucosas também podem ser observadas nestes casos , como unhas quebradiças , descamações em excessos queda de cabelos e inflamações na língua .Outro dado que ocorre principalmente em crianças , é a modificação da alimentação ,através do interêsse por formas bizarras de comer terra , gelo ou outra forma alimento inusitada até então para aquela pessoa.

O diagnóstico pode ser extremamente simples ou as vezes duvidoso do ponto de vista laboratorial. Ele é simples quando se tem os sintomas bem evidentes e a causa identificada. Nestes casos os exames laboratoriais servem muito mais para confirmar e depois acompanhar o tratamento. O diagnóstico da anemia por deficiência de ferro é difícil quando não se detecta uma causa e os exames indicam a existência do problema Por vezes também os exames laboratoriais podem confundir , e isto ocorre devido a que na maioria das vezes o paciente , ou se auto medicou ou já está sendo medicado, e também devido a peculiaridade dos exames que avaliam o perfil da distribuição do ferro no organismo serem sensíveis e passíveis de erros por diversos motivos técnicos.

  • tratamento de um paciente com anemia por deficiência de ferro é relativamente simples e repousa no binômio erradicação da causa e reposição de ferro .

Siga os passos para o diagnóstico

  • Exame clínico
  • Hemograma ,e observação dos glóbulos vermelhos.
  • Perfil do metabolismo do ferro
  • Exames que excluam anemias hereditárias
  • Pesquisa de sangue nas fezes
  • opcionais

  • Estudo da medula óssea
  • Exames bioquímicos do fígado
 

Leucemia
Milton Artur Ruiz

Radioterapia modifica o perfil da Leucemia infantil

A leucemia nas crianças é um dos canceres mais temidos e mais frequentes. No passado a doença era totalmente incurável. A partir da década de 1960, a sorte das crianças começou a mudar quando a combinação de medicamentos, os quimioterápicos, fez com que as chances de um tempo de vida mais longo aumentasse. Um dos motivos que fazia com que a doença não fosse eliminada é que mesmo com o tratamento algumas células permaneciam escondidas e quietas em alguns locais do organismo inacessível nos medicamentos quimioteráipcos.

Um dos locais mais importantes era o cérebro, especificamente as meninges que alberga estas células e assim fazia com que a doença se perpetuasse. Assim havia necessidade de encontrar um meio de atingir este local. O meio encontrado foi o de utilizar a radioterapia sobre o crâneo. Neste caminho, um serviço teve importância e foi um serviço novo no cenário de tratamento de doenças infantis o St. Jude Research Cancer Institute localizado em Menaphis, Tennesse, Estados Unidos.

Os estudos iniciais idealizados por Alvim Mauer, Donald Pinkel e desenvolvidos por um brasileiro na época residente do hospital, Rhomer Aur, e por um argentino Omar Hustu passaram a apresentar resultados excelentes que resultaram na melhora de muitas crianças aumentando o seu tempo de vida e observando-se os primeiros casos de crianças***.

Hoje a profilaxia da leucemia do sistema nervoso central, é norma e praxe em tratamento de diversas doenças linfoproliferativas de crianças e adultos o que coloca a radioterapia como um método consagrado e adjuvante no tratamento e perspectivaas de cura de doentes de todas as idades.

 

Transplante de medula óssea
alternativa de tratamento para o câncer

Milton Artur Ruiz

No início da década de 80, o transplante de medula óssea era uma alternativa restrita a algumas doenças do sangue, como as leucemias, e deficiências imunológicas congênitas. Com o passar do tempo, surgiram medicamentos e alternativas capazes de preparar o paciente para receber o transplante de medula, bem como medicamentos que evitam a rejeição e os efeitos indejáveis.

O tratamento considerado inicialmente como opção final passou a rivalizar com formas de tratamento tradicionais, até ser a melhor alternativa em determinadas doenças, como a anemia plástica e a leucemia mielóide crônica. Logo, outras formas de doença passaram a ser estudadas e hoje o tratamento, nas suas formas diversas, ocupa a rotina das indicações de todas as doenças da área de câncer hematológico.

Com o desenvolvimento das máquinas de separação dos elementos do sangue (aféreses) e de filtros especiais, tornou-se possível coletar células para o transplante diretamente da veia periférica, o que representa um avanço, pelo conforto que proporciona ao paciente ou doador. Com as alternativas de coleta aumentando, formas de câncer nas quais o procedimento não era utilizado, como o de mama, pulmão e próstata, passaram a ter uma nova opção. Já existem diversos centros médicos em que o procedimento é amplamente indicado.

Hoje, a alternativa de tratamento é real. Fica somente a dúvida sobre o momento certo e em quais casos o procedimento será utilizado. Existe a certeza de que o transplante vai revolucionar o tratamento do câncer, pois cada vez mais permitirá tratamentos medicamentosos agressivos, seguidos do transplante de medula óssea, que recupera as células do sangue do paciente.

Tratamento é utilizado em várias doenças

O Transplante de Medula Óssea é um tratamento utilizado em algumas doenças oncológicas, hematológicas e imunológicas, que eram consideradas incuráveis até há pouco tempo. Os primeiros transplantes eram feitos de forma experimental, com o intuito de tratar pessoas expostas a radiação após acidente nuclear. A medula óssea transplantada toma o lugar da medula que foi destruída pela radiação. Descobriu-se, então, que este método poderia ser utilizado para tratar doenças, malignas ou não, que afetam a medula na produção de células sangüíneas anormais.

Em 1968, foi realizado o primeiro TMO com sucesso em Seattle, Estados Unidos, e tornou-se um tratamento melhor para uma série de doenças graves.

No Brasil, o primeiro TMO foi realizado em 1979 no Hospital das Clínicas de Curitiba - UFPR, e a partir daí, passou a ser utilizado por outras equipes médicas, com muito sucesso.

O TMO é indicado para as seguintes doenças: leucemia, linfoma, tumores sólidos, falência medular, talassemia, anemia de Fanconi, anemia falciforme, entre outras.

Procedimento envolve técnica complexa

Para realizar o TMO, o paciente é submetido a uma quimioterapia em altas doses, e em alguns casos à radiação, com a finalidade de destruir toda a sua medula, que contém células normais e anormais, para poder substituí-la por uma saudável.

Na verdade, não há um processo cirúrgico, a denominação "transplante" faz com que as pessoas associem a isto. O TMO se assemelha mais a uma transfusão de sangue, só que feita em condições especiais.

Com a destruição da medula óssea, o organismo fica debilitado e sujeito a infecções. Por isso, é necessário que o paciente seja internado em um hospital, onde o ambiente é livre de agentes infecciosos. Isto é um semi-isolamento que pode ser acompanhado pelos familiares, conforme o regulamento do hospital.

Este isolamento é feito até que a medula óssea comece a produzir os glóbulos brancos suficientes para combater as infecções. Esse período varia de paciente para paciente.

O TMO é um tratamento longo e que exige tanto do paciente quanto dos familiares e amigos, que devem estar prontos a qualquer emergência, como doar sangue e plaquetas a qualquer hora que for necessário. É um momento de extrema tensão, mas que deve ser superada por todos.

Teste determina o doador

O transplante a ser realizado vai depender do diagnóstico e da existência de um doador. Os doadores são encontrados através de testes sangüíneos que determinam a compatibilidade (antígenos leucocitários), denominados HLA.

O transplante é melhor sucedido se certas proteínas da superfície dos glóbulos brancos forem as mesmas entre o doador e receptor. Essas proteínas são chamadas de Antígenos HLA, que são herdados dos pais.

Os três tipos de transplantes são os seguintes:

1. Alogênico:

Substitui-se a medula doente por uma saudável, retirada de um doador que tem uma medula semelhante à do receptor. E, geralmente, esse doador é encontrado entre irmãos (HLA idênticos).

Nem sempre os irmãos têm HLA idênticos, já que a chance de que isso aconteça é de 25% para cada irmão testado.

Há casos em que o HLA é Fenotipicamente Idêntico, e o doador não pertence à família do paciente. Este doador pode ser encontrado em Bancos de Medula Óssea, porém, é uma possibilidade limitada.

No transplante de HLA Parcialmente Idêntico, o doador e receptor diferem em um ou outro antígenos HLA. Esse transplante é indicado para casos de leucemia ou linfomas, e o sucesso do tratamento depende do grau de disparidade entre doador e receptor.

2. Singênico:

É a doação de medula entre irmãos gêmeos univitelinos, onde as medulas são geneticamente idênticas.

3. Autoplástico (Auto-transplante)

Neste transplante o doador é o próprio receptor. Durante um tratamento, quando a medula não estiver doente, ou num período de remissão, parte da medula óssea é retirada, tratada, congelada e guardada para ser transplantada no próprio paciente, no momento propício.

Livro facilita o entendimento do problema

Quem tiver interesse em se profundar no assunto, o livro Transplante de Medula Óssea, de Elaine Iorio Zanuto ( Pancast Editora), é uma boa fonte de consulta. Ele trata do tema de forma clara e objetiva, sob o aspecto do paciente que se submeteu a um transplante, explicando como é o tratamento; as doenças que podem ser tratadas através do procedimento; as medidas a serem tomadas; e os cuidados que o paciente deve ter antes, durante e depois do transplante.

O livro é dividido em capítulos, para facilitar a leitura. O objetivo da obra é ajudar a todos que precisam enfrentar o tratamento, abordando o tema de forma simples e concisa, trazendo muitas informações, que ajudam a visualizar como é o transplante, os cuidados a serem tomados, etc., além de ser escrito em uma linguagem coloquial, o que facilita a compreensão do leitor.

 

Trombose, um perigo frequente para a saúde
Milton Artur Ruiz

O sangue é um líquido complexo que se encontra no interior dos vasos de nosso organismo . A sua parte líquida chamada de plasma , é constituída de água ,sais minerais , vitaminas , açucares e gordura . Suspenso neste líquido encontramos glóbulos vermelhos , glóbulos brancos e as plaquetas . Para a manutenção das funções destes elementos o sangue necessita permanecer na forma líquida , ou fluida no interior dos vasos . Participam deste equilíbrio os vasos , os fatores plasmáticos a favor ou contra a coagulação do sangue , e as próprias plaquetas . Quando ocorre algum extravasamento de sangue para fora do leito do vaso temos hemorragia , em contrapartida quando ocorrer uma coagulação exagerada poderá haver trombose. Por isto é que o equilíbrio ou a hemostasia , que é extremamente dinâmica deve ser mantida para que nenhum dos eventos citados ocorra e assim então o sangue flua pelo organismo normalmente . Quando esse equilíbrio se rompe , como em uma lesão de vaso , instantaneamente o sangue circula mais devagar , e os elementos da coagulação do qual fazem partes as plaquetas , dirigem-se para o local lesado e organizam um trombo afim de coibir o extravasamento do sangue deste local .

O trombo assim formado , após a parada do sangramento normalmente é absorvido pelo organismo , mas ocasionalmente ele pode se desprender deste local e ir obstruir a luz de um vaso menor causando uma trombose . Vários estados fisiológicos , doenças adquiridas ou hereditárias propiciam esta situação e recebem a denominação de estados trombofílicos pela maior ocorrência de tromboses. Dentre os vários fatores que favorecem a trombose podemos citar o aumento da viscosidade do sangue , circulação lenta do sangue e estase venosa , arterioesclerose , hipertensão ,diabetes ,obesidade , e uso abusivo e crônico do fumo . Por isto é que o conhecimento das condições predisponentes dos eventos trombóticos é de capital importância com a finalidade de implementação de medidas preventivas nas pessoas susceptíveis para se evitar uma situação que poderá custar a vida ou causar lesões permanentes em orgãos vitais como o cérebro por exemplo . Os trombos podem se formar em vasos ou artérias e a sua gravidade é variável .As tromboses nos vasos se inicia com dor no local que o trombo se fixou e logo ocorrem também calor e inchaço. Gravidez , pós operatórios com imobilização prolongada ,varizes , e diversas doenças do coração dentre outras propiciam a trombose venosa . Os trombos arteriais são mais graves e dependendo do local onde ele se instala assume quadro de extrema gravidade como em obstrução de artéria do miocárdio , pulmão ,baço ou cérebro . Causam a trombose arterial a hipertensão , hipercolesterolemia e diabetes dentre outras situações clínicas .

Alguns fatores e doenças que favorecem a trombose

Arterial

  • Fumo , Hipertensão , Hipercolesterolemia , Diabetes ,Doença renal crônica , Doença reumática cardíaca ,Fibrilação atrial, Valvas cardíacas , Trombocitemia .

Venosa

  • Gravidez , Pós parto , Obesidade , Imobilidade , Traumas , Doenças malignas , Cirurgias , Paralisias , Varizes , Insuficiência cardíaca , Síndrome nefrótico , Agregação aumentada das plaquetas , Deficiência de fatores do sangue .

Arteriais e Venosas

  • Lupus eritematoso sistêmico , Estrógenos ,Catéteres , Doença de Behcet , Infecções , Drogas quimioterápicas ,Doenças mieloproliferativas .

Pílula anticoncepcional e trombose

Estudos epidemiológicos realizados na Dinamarca , concluem definitivamente que as pílulas anticoncepcionais que tenham baixa quantidade de estrógenos em sua formulação utilizadas por mulheres sãs e que não fumem quase não apresentam risco de desenvolverem ou apresentarem quadros de trombose . Os resultados obtidos e que suportam a afirmação anterior devem-se a estudos realizados na Dinamarca , país que apresenta características especiais para investigações epidemiológicas por apresentar populações estável com baixo fluxo migratório , o que permitiu o cadastramento adequado dos pacientes e um seguimento rígido para as conclusões finais. Os estudos conduzidos pelo Dr. Lidegaard , ao cabo de 5 anos e publicado no British Journal of Medicine baseou-se em questões objetivas e que procurou comprovar :

1.O risco trombose nas mulheres dinamarquesas diminuiu nas últimas décadas com a redução dos estrógenos nas pílulas ?

2 . A freqüência de eventos trombóticos em mulheres de idade fértil aumentou quando da introdução das pílulas enquanto que os eventos trombóticos nos homens do país permaneceram nos mesmos níveis ?

3. Ocorriam mais casos de trombose entre as mulheres do que nos homens ?

4. Havia relação entre dose da pílula e eventos trombóticos ?

5.Diminuiram os casos de trombose entre mulheres quando se passou a utilizar pílulas com doses cada vez menores de estrógenos em sua formulação ?

O estudo de Lidegaard incluiu mulheres na faixa de 15 a 44 anos que haviam sofrido trombose cerebral e envolveu grande número de questionários de pacientes que aderiram à pesquisa . Os resultados comprovaram que é uma realidade estatística a maior probabilidade de trombose cerebral o uso de anticoncepcionais .Medicamentos que contem 50 microgramos (mcg) de estrógenos apresentam maior risco relativo de trombose do que os preparados que tenham 30 ou 40 microgramas . Uma mulher que usa o medicamento com 50 mcg. tem três vezes mais chance de ter a doença enquanto que a que utiliza 40 duas vezes mais quando comparado com mulheres que não usam o medicamento . Outro fator observado é que a idade elevada e medicamento , além do fumo são fatores agravantes e de risco independente de cerca de aproximadamente 50 %. Outro dado adicional é que foi observado alteração de determinados fatores de coagulação do sangue o que configurou um estado prè-trombótico em diversas pacientes do estudo .

Gravidez e Trombose

A gravidez é considerado um estado pré trombótico .Níveis de inúmeros fatores de coagulação como o fibrinogênio , fator VII , VIII , IX , X e XII aumentam consideravelmente durante a gestação . Em contrapartida inibidores da coagulação como a Proteína S diminuem drasticamente . A despeito destes conhecimento pouco se sabe do desenvolvimento dos eventos eventos tromboembólicos na sua gênese molecular e do adequado manuseio dos eventos quando eles ocorrem .Dentre as questões a serem respondidas está a dúvida se vale a pena realizar ou não pesquisa clínica e laboratorial através de testes de coagulação simples ou mais sofisticados para avaliar se a gestante tem dados ou não de uma condição trombofílica .Outra questão em que pairam dúvidas refere-se em relação a gestações que tenham risco tromboembólicos adicionais , como outra doença e nestas qual tipo de medicamentos a ser utilizado . Em relação a medicacão existe certo consenso em relação ao uso de preparados mais modernos da heparina mas permanecem várias dúvidas em relação a dose em que época da gestação se iniciar o tratmento, ajuste , controle, e tempo de uso do medicamento mesmo após o final e término da gestação . O que se sabe é que muito ainda é necessário se aprender sobre o risco tromboembólico associado a gestação e o estado natural induzido pela gravidez .

Exames principais para o estudo da trombose

  • Tempo de sangria e coagulação
  • Tempo de atividade da protrombina
  • Tempo parcial de tromboplastina
  • Contagem de plaquetas
  • Agregação das plaquetas
  • Dosagem de fatores da coagulação
  • Dosagem de inibidores da coagulação
  • Anticoagulante lúpicos
  • Exames bioquímicos adicionais

 


Doadores de sangue ou pacientes
Milton Artur Ruiz

A doação de sangue é um ato de solidariedade , e de fundamental importância para o tratamento e realização de cirurgias de médio e grande porte. Sem o sangue e os seus componentes, avanços no tratamento do câncer e os transplantes com certeza não ocorreriam. É por isto que devemos considerar o doador de sangue como a figura central deste progresso, visto que até o momento , não existe substituto para o sangue humano. Nos primórdios, para as transfusões, o sangue utilizado provinha diretamente do doador para o paciente, ou seja de braço a braço. Com o passar do tempo, ao inicio deste século, descobriu-se que os humanos apresentavam diferenças entre si, e que as mesmas, eram as responsáveis por reações extremamente graves, que cauraram a morte de várias pessoas. Isto inclusive, fez com que alguns países como a Inglaterra editassem leis e impedissem o uso do sangue como forma de tratamento. Assim se descobriu os grupos sangüíneos e procurou-se então fazer transfusões entre pessoas parecidas em relação aos grupos sanguíneos , procedimento que perdura até hoje, só que de forma mais apurada.

Com a 2ª Grande Guerra Mundial, criaram-se os bancos de sangue e estimulando-se a doação e o plasma humano passou a ser fonte de substâncias que são industrializadas e servem para vários tipos de tratamento . Logo começaram a aparecer casos de pessoas que contraiam doenças após receberem sangue ou derivados. Legislações no inicio dos anos 60 passaram a obrigar em todo o mundo a realização de testes , pois os doadores poderiam não ser sadios como supunham ao se dirigirem para doarem sangue. Os testes na época visavam não utilizar o sangue doado que apresentasse positividade aos testes para sífilis e um marcador para vírus B da hepatite o antígeno austrália.

Em nosso país por ser endêmica obrigou-se a realizar em todo o sangue doado teste para doença de chagas.

No inicio dos anos 80 uma grande surpresa assaltou o mundo médico. Uma doença aparentemente ligada ao homossexuais começou a ser descrita nos Estados Unidos. Logo a presença de um hemofílico (doença hereditária da coagulação que utiliza derivado plasmático para o tratamento) com os mesmos sintomas foi descrito , o que fez com que os pesquisadores concluíssem que a doença poderia ser transmitida pelo sangue e pôr consequência através de transfusões. Estava descoberta a Aids.

Este fato , revolucionou a especialidade e o vírus da Aids passou a ser pesquisado obrigatoriamente em todos os doadores. O início da década de 90, trouxe como obrigatório a pesquisa do vírus da Hepatite C e o HTLVI/II.

Com este conjunto de testes o cerco aumentou , e o objetivo foi se ter um sangue mais seguro possível para as transfusões. As entrevistas prévias as doações passaram a ser cada vez mais seletivas com a finalidade de evitar doadores que pudessem ter resultados positivos . Esta medida se confirmou pois se observou que serviços de banco de sangue que realizam uma boa triagem e utilizma profissionais treinados são os que apresentam maior taxa de rejeição aos doadores na avaliação inicial e menor taxa de positividade aos testes sorológicos. Mesmo com estes cuidados a positividade aos testes aumentou e hoje pode-se dizer que em nossa região que cerca de 1/3 do sangue doado é rejeitado por apresentar um resultado que a legislação impede de ser utilizado.

Assim chegamos a seguinte conclusão de que poderemos estar a frente de uma população de doadores que podem na verdade ser um grupo de pacientes e portanto sujeitos a serem estudados e dependendo do tipo de teste positivo passíveis de serem tratados. Enfim a doação de sangue está demonstrando o tamanho e o imenso problema de saúde pública com o qual estamos convivendo.

Testes para doenças obrigatórias no sangue doado.

Sífilis
Doença de Chagas
Hepatite B
Hepatite C
Aids
HTLVI/II
Hemoglobina S. (recomendável)

O doador soropositivo

A presença de um resultado positivo quando da doação do sangue e a informação de que o seu sangue não será utilizado suscita várias reações no doador. Na maioria das vezes a reação é de perplexidade e de revolta. Na seqüência vem o medo e a dúvida em relação ao resultado , e uma autoavaliação ocorre no sentido de procurar explicações para o seu resultado. Isto ocorre porque na maioria das vezes os doadores sentem-se saudáveis quando procuram os hemocentros e serviços de Banco de Sangue . Logo após se instala um sentimento de revolta. Assim de doador o mesmo passa a ser um paciente passível de ser investigado para confirmar ou constatar o resultado positivo. Apesar de fidedignos, os resultados empregados nos serviços de banco de sangue visam a triagem. Isto é, afastar a possibilidade do uso de um sangue com resultado sorológico reagente ou contaminado. O teste do VDRL, utilizado na triagem visa afastar doadores com sífilis. No entanto, o mesmo não informa se a doença é atual, anterior ou se a mesma já está curada. Pode também o teste ser positivo em outras situações sem que o doador seja portador de Sífilis. Assim testes com outros princípios devem ser empregados para o esclarecimento da situação deste soropositivo. Em relação a doença de Chagas o mesmo se aplica , visto que problemas cardíacos podem ser o corolário da moléstia. Em relação aos testes de hepatite que são os que mais apresentam positividade dependendo do teste positivo a preocupação deve ser redobrada visto que, muitos não apresentam dados clínicos e também desconhecem antecedentes da doença e até de seus sintomas. Para as hepatites se realizam testes que informam atividade enzimática de células do fígado e específicos para hepatite B e C. A importância destes testes deve ser avaliada em relação ao comprometimento do fígado, pois dependendo do teste existirá em maior ou menor grau a possibilidade deste doador evoluir para uma insuficiência do fígado ou um cirrose. Em relação aos retrovirus como o HIV 1 e 2 para Aids, assume importância pelo fato que a doença é transmitida pela transfusão e o cuidado em se testar o sangue por mais de um teste visa este tipo de segurança. No entanto mesmo com esta segurança a presença de um soropositivo, obriga que sejam realizadas repetições e testes confirmatórios baseados em outros princípios além do método Elisa tradicional. O outro tipo de retrovírus testado que é HTLV I/II, suscita dúvidas e controvérsias mas obriga um seguimento e pesquisa de possível comprometimento neurológico ou de sintomas gerais.

Assim hoje em dia consideramos ser obrigatório que os serviços de hemoterapia se organizem e considerem como de sua responsabilidade a orientação de equipes multidisciplinares para darem um respaldo cada vez maior aos doadores de sangue que na realidade são pacientes e até então desconheciam.

 


Publicado no Jornal "A Tribuna" 26/07/98

Púrpura Alérgica
Milton Artur Ruiz

A púrpura alérgica é uma doença inflamatória que acomete os pequenos vasos de todo o organismo , e que manifesta-se por manchas nas pele, problemas gastrointestinais, articulações e raramente rins, pulmões e sistema nervoso central.

A síndrome tem esse nome devido a dois médicos alemães . Em 1873, Johan Schoenlein descreveu vários casos de "peliosis reumática", associada com artrite . Trinta anos depois, Edourd Henöch descreveu casos semelhantes com manifestações gastrointestinais, incluindo vômitos, dor abdominal intensa e perda de sangue junto as fezes.

A doença, junto aos médicos e principalmente no meio pediátrico, recebe a denominação de Púrpura de Henöch - Schöenlein ou anafilática, e não é uma doença tão rara. Estima-se que aconteçam cerca de 14 casos por 100 mil habitantes todos os anos e que exista uma discreta predominância de casos no sexo masculina. As crianças são mais acometidas mas todos estão sujeitos a apresentarem os sintomas da moléstia.

Esta doença é provavelmente de causa alérgica, com a inflamação de pequenos vasos sangüíneos do corpo intermediada por um aumento da imunoglobulina A que é devido a um estímulo antigênico desconhecido. O complexo formado pelo agente estimulante e a imunoglobulina, que é anticorpo, passam a se depositar nos vasos, causando inflamações, e na seqüência surgem as manifestações clínicas.

O agente alergeno é desconhecido, mas o aparecimento da doença em muitos casos é precedido de um problema respiratório. Por isto é que as infecções são responsabilizadas pela moléstia. Dentre os agentes infecciosos comumente citados encontramos o Streptococcus, Yersínia, Legionella, Parvovirus, Adenovírus, Mycoplasma o vírus da varicela e o de Epstein-Barr.

A moléstia também pode ocorrer logo após o uso de medicamentos ou vacinações. As medicações incluem a sulfa, as penicilinas, ampicilina, eritromicina e a qunidina . Dentre as vacinas potencialmente responsáveis citamos a vacina contra o tifo, sarampo, cólera, febre amarela e paratifóide A e B.

O inicio da doença

Não existe regra no aparecimento dos sintomas. A tríade, manifestações cutâneas púrpuricas, cólicas abdominais e dores articulares é que dominam o quadro. Muitas vezes o quadro pode até passar despercebido ou alguma das manifestações predominar sobre as outras. A intensidade dos sintomas assim é extremamente variada.

Como regra todos os pacientes apresentam as manifestações púrpuricas, que dão nome a doença, 85% apresentam manifestações digestivas e 70% manifestações articulares. Quase sempre existe um antecedente medicamentoso ou infeccioso, mas geralmente a causa fica no terreno das hipóteses.

O paciente, geralmente, queixa-se de aparecimento de hematomas que se desenvolvem sem trauma conhecido nas coxas, nas nádegas e nos braços.

As lesões podem se iniciar com pequenas áreas de urticária, com relevo na pele, que progridem para manchas purpúricas palpáveis e induzidas. Podem surgir novos grupos de lesões durante o dia, estendendo-se por semanas. Por vezes as lesões podem melhorar e depois retornarem aparecendo em outros locais.

Os pacientes também apresentam febre, que é baixa, dores nas juntas, associado ao inchaço dos joelhos, tornozelos, quadris, punhos e cotovelos . Pode desenvolver também edema das mãos e pés. Além das manifestações articulares podem apresentar dor e cólica abdominal. Nos casos mais sérios podem apresentar invaginação intestinal e até perfuração, além de sangramentos que serão visualizados nas fezes que terão a coloração negra.

A doença geralmente remite após 4 semanas, mas pode aparecer novamente após um intervalo de tempo. Na maioria dos pacientes a doença desaparece sem conseqüências sérias e por isto é que a mesma é autolimitada . Entretanto 5 % dos pacientes desenvolvem a lesão renal séria que pode progredir para insuficiência renal crônica. Muitos pacientes apresentam perda de sangue na urina e não evoluem para problemas renais posteriores. Pacientes com perda de sangue e proteína pela urina tem mais chances de desenvolverem lesões e evoluírem para doença renal terminal . Entretanto está relatado que aqueles que apresentam nefrite, mais da metade desenvolverão sérios problemas renais no futuro.

Sinais e Sintomas

  • Púrpura nos membros inferiores , nádegas e braços
  • Inflamação nas juntas, associada ao inchaço dos joelhos, tornozelos, quadris, punhos e cotovelos.
  • Hematomas
  • Cólicas abdominais;
  • Vômitos;
  • Fezes escuras
  • Proteína e sangue na urina
  • Febre baixa.

Causas possíveis da Púrpura Alérgica

Diagnóstico e Tratamento

Na maioria das vezes o diagnóstico é clínico. Os casos mais graves podem sugerir outras doenças. A evolução na maioria das vezes determina o diagnóstico. As manifestações cutâneas sugerem, muitas vezes, o diagnóstico de doenças hematológicas mais sérias que são descartadas através de exames microscópicos do sangue.

A internação dos pacientes somente ocorre nos casos mais graves ou que apresentem sintomas exuberantes. As medidas gerais se dirigem principalmente para avaliação doa parâmetros que indicam a função ou alterações renais. Estas alterações são preditivas em relação ao futuro e evolução dos casos, principalmente em relação as crianças. A doença retorna em muitos casos sem que isto, na verdade, seja um mal sinal ou preocupação em relação a problemas renais.

Assim, a monitorização dos pacientes restringem-se às complicações, e no sentido de se evitar seqüelas. O tratamento é sintomático. Muitos autores relatam que nada deve ser administrado aos pacientes principalmente nos casos de crianças. Antibióticos e esteróides hormonais são utilizados em determinados casos selecionados enquanto que, em adultos existem relatos do uso de medicamentos citotóxicos e imunosupressores .

 


Anemia é sinal e não uma doença
Milton Artur Ruiz

Anemia é uma das situações clínicas mais freqüentes na prática médica, embora muitas pessoas considerem a terminologia como sendo uma doença, ela nada mais é do que um dado laboratorial que se obtém no hemograma. A dosagem da proteína hemoglobina é a que baliza a definição de anemia, e valores abaixo do esperado no paciente, respeitando-se as suas características de sexo e idade, é que atestarão se existe ou não uma anemia.

As causas da anemia podem ser isoladas ou associadas, ou seja, mais de uma causa pode desencadear o sinal. As causas mais freqüentes do sinal são perda de sangue, aguda ou crônica, tempo de vida encurtado dos glóbulos por mecanismos de destruição ou déficits de produção dos glóbulos vermelhos pela medula óssea. Dentre as situações que levam a déficits e dificultam a produção dos glóbulos vermelhos são a falta de determinadas vitaminas como o ácido fólico e a vitamina B12. Estas duas vitaminas que encontramos nos alimentos participam como coenzimas e são fundamentais para o amadurecimento das células precursoras dos glóbulos vermelhos, que estão na medula óssea.Quando elas faltam, ou seu aporte para esta função é insuficiente, as células não progridem na sua linha de maturação e grande parte delas morrem sem cumprirem o seu papel, que é o de produzir os glóbulos vermelhos adultos.

A deficiência nutricional da vitamina B-12 e o estabelecimento de anemia por sua causa isoladamente é difícil de ocorrer. Isto se deve por que o seu estoque é grande e geralmente dura vários anos mesmo que não haja nenhuma entrada do mesmo no organismo.

Este nutriente, que tem uma estrutura molecular descrita como a cianocobalamina, conferiu um prêmio a seu descobridor por ter sido a primeira vitamina sintetizada, e serviu para tratar de pacientes portadores de anemia perniciosa, doença que até então era considerada muito grave e causa de morte de vários pacientes..

O problema ocorria porque muitas pessoas, por um problema hereditário, apresentavam uma carência de uma proteína chamada de "fator intrínseco ", produzida no estômago, necessária para a absorção da vitamina B-12. Quando existe falta desta proteína a vitamina B12 não é absorvida e, como resultado, aparece a anemia, além de outros sintomas. As pessoas com hábitos alimentares vegetarianos tem um risco maior de desenvolver esta deficiência, já que esta proteína é encontrada em carnes e produtos de origem animal. Mas, geralmente, existe sempre um problema digestivo ou doença associada.

Do ponto de vista médico, a anemia secundária ao déficit de vitamina B12 recebe a denominação de anemia megaloblástica. Como toda anemia, os sintomas são variados, e vão desde um cansaço a uma grande falta de ar a qualquer tipo de esforço. O paciente fica pálido, apresenta problemas na língua, ocorrem alterações nas unhas, em sua contextura e coloração, além dos cabelos se tornarem mais frágeis ou quebradiços. Os problemas digestivos passam a ser freqüentes, e as palpitações cardíacas ocorrem sempre que o paciente sai do repouso. Por ser importante para raízes nervosas e sua integridade, os pacientes com esta deficiência desenvolvem peculiarmente problemas neurológicos. Formigamentos na face e membros, zumbido de ouvidos, tonturas, e em casos graves alterações na deambulação e marcha. Estas alterações são marca importante da moléstia e um dado clínico diferencial dentre as anemias. Casos graves podem apresentar manifestações hemorrágicas pela supressão da produção de plaquetas pela medula óssea. A deficiência de vitamina B12 ocorre nos pacientes que sofrem do estômago ou de problemas intestinais. Pacientes que desenvolvem gastrites ou que tenham sido submetidos a cirurgias radicais do estômago, ou de grande parte dele, são candidatos a este tipo de anemia. Como característica a anemia é tardia, ou seja, aparece anos após a cirurgia ou depois do estabelecimento do problema gástrico.

Assim, como regra, a presença de um problema gástrico pode propiciar uma dificuldade de aproveitamento da vitamina B12 e como conseqüência uma anemia. Outros problemas digestivos no intestino e certos tipos de vermes também podem dificultar a absorção da vitamina B12 e assim causarem a doença..

Intui-se que a B12 tenha papel em algumas condições como na doença cardiovascular, esclerose múltipla e defeito do tubo neural. A deficiência da vitamina B12 nos pacientes idosos tem chance de causar desordens neuro -psiquiátricas, depressão, alteração de humor e perda de memória.

Outro dado importante é que a anemia presente em pacientes com alcoolismo tem na sua gênese redução dos níveis de vitamina B12 . O álcool compromete as células hepáticas e interfere em sua função do fígado, que é o órgão de estoque principal da vitamina no organismo.

Este quadro, nestas ocasiões, é agravado por uma deficiência de ferro, ocasionada por uma dieta pobre e pela dificuldade de absorção causada pelo álcool, que pode aumentar as perdas no sangue também devido a um sangramento gastrointestinal ou algum trauma. As doenças no fígado, causada pelo álcool, pode contribuir para o aparecimento da anemia. Nestes grupos de pacientes poderá coexistir também quadros inflamatórios, ocasionando uma deficiência de ferro. Assim nestas situações teremos uma anemia de causa mista.

O diagnóstico da anemia por deficiência se faz por exames de sangue, da medula óssea e por dosagens da vitamina no sangue, e o tratamento baseia-se na reposição dos estoques da vitamina e da solução do problema causador da deficiência.

Outras situações podem desencadear a anemia.

Uma anemia semelhante nas característica clínicas e morfológicas do sangue é a que ocorre por deficiência do ácido fólico, este que é encontrado nos vegetais, diferentemente da vitamina B12 tem um estoque lábil e que se esgota rapidamente. Os pacientes com esta deficiência pura, não apresentam manifestações neurológicas como os deficientes de vitamina B12.

Outras situações, como os pacientes infectados pelo vírus HIV também podem apresentar a anemia. O vírus do HIV interfere na medula óssea, e as infecções oportunistas nestes casos também podem afetar a medula, e infeções crônicas, como a do parvovírus 19, que pode redundar em uma anemia profunda. Outras doenças, como Linfoma e Sarcoma de Kaposi também podem desenvolver um quadro de anemia.

Algumas doenças caracterizadas por síndromes de má-absorção, juntamente com a AIDS, ou quando combinadas com uma dieta pobre em ferro e vitamina B-12 levam o paciente a anemia.

O paciente anêmico com AIDS deve ser tratado de pronto, com o intuito de reverter as causas da anemia. A deficiência nutricional deve ser detectada com testes apropriados. Em pacientes com anemia profunda, deve-se procurar algum vestígio de infeção causada por agente bacteriano , fungo ou vírus.

Deficiência de Ferro é a causa mais comum de anemia

A deficiência de ferro, é uma das causas mais comuns da anemia. Pode ocorrer devido a ingestão deficiente ou a perda de ferro ou mal aproveitamento do que está sendo ingerido. As causas mais freqüentes para a deficiência de ferro são perdas de sangue, como por exemplo, um fluxo menstrual muito abundante.

Esta deficiência pode aparecer nos primeiros anos de vida, ou nas fases em que a demanda seja excessiva como na infância, adolescência e gestações. As meninas adolescentes podem tornar-se deficientes ao ferro, devido à dieta inadequada para as necessidades do crescimento, associado à perda adicional devido à menstruação. Em homens adultos, a causa mais freqüente é a hemorragia. Em mulheres, a gestação também pode causa deficiência de ferro pela duplicação do volume do sangue e dos requerimentos necessários para a produção de glóbulos vermelhos.

Outras causas da anemia incluem absorção diminuída de ferro após gastrectomia, síndromes de mal-absorção do intestino delgado superior. Nos casos de hemodiálise intravascular crônica, a fragmentação de hemácias pode produzir falta de ferro devido à hemoglubinúria e hemossiderinúrica crônicas.

A anemia por deficiência de ferro pode apresentar cinco estágios. No primeiro estágio, a perda de ferro excede o ganho, e as reservas de ferro, representadas pelo seu conteúdo na medula óssea, progressivamente são diminuídos. Conforme as reservas de ferro diminuem, ocorre um aumento compensatório da absorção de ferro da dieta e da concentração de transferrina , proteína de transporte, com elevação da capacidade da mesma de se ligar ao ferro.

No estágio dois, as reservas exauridas apresentam ferro disponível insuficiente para atingir as necessidades da medula vermelha. Enquanto o nível plasmático de transferrina aumenta, a concentração plasmática de ferro diminui, levando a uma diminuição progressiva da disponibilidade de ferro para a formação de hemácias.

O estágio três há uma anemia com hemácias normais e índices normais. O estágio quatro apresenta uma anemia com hemácias pequenas, microciticas, e pálidas . No estágio cinco surgem sinais e sintomas de deficiência de ferro nos tecidos.

Além das manifestações usuais de toda anemia, o indivíduo pode apresentar perversões alimentares como apetite por terra (pica), tinta ou gelo. Nos casos avançados, pode apresentar dificuldade da deglutição dos alimentos sólidos.

Para o tratamento da anemia por deficiência de ferro, deve-se buscar a causa, e mesmo um grau leve de anemia, principalmente no idoso, impõe-se a pesquisa de um sangramento.

O ferro pode ser fornecido na forma de sulfato ferroso ou gluconato ferroso, administrado via oral entre as refeições, já que os alimentos ou antiácidos podem reduzir sua absorção.

O ferro oral é mais seguro que o parenteral, já que a taxa de resposta é a mesma em qualquer via, mas isto depende do caso. O ferro parenteral, por via endovenosa de preferência, tem o seu papel demonstrado por vários estudos. No entanto ele deve ser reservado para pacientes que não toleram ou não ingerem ferro via oral, para pacientes que perderam grandes quantidades de sangue de forma contínua, como em menstruações excessivas e nos portadores de problemas digestivos ou gastrectomizados.

Assim, o tratamento da anemia deve se basear no diagnóstico clínico e laboratorial criterioso e tratamento específico.

 

Exames para o diagnóstico de deficiência de vitamina B12 e resultados observados

Hemograma completo Presença de anemia e glóbulos vermelhos gigantes

Glóbulos brancos Diminuidos ( leucopenia )

Plaquetas - Normais ou diminuidas

Mielograma Precursores dos glóbulos vermelhos gigantes

Vitamina B12 Diminuidos

Enzima desidrogenase Láctica Aumentada

Sites relacionados:

  1. Anemia, Anxiety & Depression – http://www.health-science.com/anemia2.html
  2. Anemia: An Approach to Diagnosis – http://www.ohsu.edu/cliniweb/handouts/anemia.html