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O que você deve saber sobre Febre
O Flúor é benéfico, mas em excesso causa riscos
O princípio da Homeopatia
A Medicina do Futuro
Medicina Fetal
A questão da Melatonina
Planejamento familiar e contracepção
Tabagismo, epidemia mundial
Síndrome da Tensão Pré-Menstrual
Alcoolismo é uma doença séria
O que todos precisam saber sobre a Próstata
Distúrbios do sono
Lupus , uma doença de múltiplas facetas
Evidências em Medicina
Milton Artur Ruiz

O que você deve saber sobre Febre
Milton Artur Ruiz

A febre pode ser um sinal de doença . Ela ocorre em decorrência do aumento da temperatura corporal. Na maioria das vêzes o paciente sente que está febril , e percebe também que o número dos batimentos do seu coração aumentaram. Desde a antigüidade sabe-se que a febre indica que o organismo foi invadido por algum agente infeccioso. As doenças infecciosas decorrem então desta invasão ,junto com a interação do corpo humano.

Nesta interação ocorrem manifestações clínicas nas pessoas são devido as lesões ,destruições de células e comprometimento das funções do orgão acometido pela infecção .As manifestações aparecem quando as defesas do organismo falham e o controle torna-se inadequado ou então quando o microorganismo passa a ser mais virulento.

A febre é então o sinal de que o organismo encontra-se em luta contra alguma infecção para eliminar o agente infeccioso da doença. Em todas as infecções agudas ou crônicas , nas inflamações e nas neoplasias a febre aparece e ela decorre de uma interferência nos mecanismos de termoregulação do nosso corpo. E como a temperatura do nosso corpo é mantida ? Ela se dá através do equilíbrio existente entre a produção e perda de calor pelo nosso corpo. O controlador desta temperatura está localizado no sistema nervoso em uma região do hipotálamo pré-ótico. A região exerce essa função porque apresenta-se constituída por células altamente susceptíveis a variações de temperatura e sensíveis aos estímulos de frio e calor. Contribuem para a produção de calor o metabolismo basal , a contração e o exercício muscular e a digestão .Causam perda de calor a temperatura ambiente , o fluxo sangüíneo cutâneo e a transpiração.

A subida da temperatura corpórea , ou febre , ocorre por alteração no equilíbrio entre a produção e perda de calor , ele ocorre pela liberação de substâncias pirogenicas que se originam dos microorganismos como bactérias ,fungos , vírus ou espiroquetas. A produção dos pirogenios pode ser também de origem não microbiana , e como exemplo podemos citar os complexos imunológicos , agentes químicos , hormônios e cristais de uratos dentre outros . Quando os microorganismos invadem a corrente sangüínea podem ocorrer além da febre outros sintomas como hipertensão e choque , sinais que são extremamente graves e podem denotar uma septicemia ,ou disseminação da doença pelo organismo. No entanto sempre devemos ter mente também que a presença de febre não significa uma infecção séria , e o exemplo disto e que ocorre nas crianças que apresentam reações febris constantes a infecções leves. Por isto é que existe a necessidade de se observar o comportamento da febre . Se ela é alta , intermitente ou constante , e se por acaso ela aparece em horários específicos. Como exemplos do que foi exposto podemos citar os processos virais que apresentam febres elevadas , a tuberculose que apresenta na maioria dos pacientes uma febre não muito elevada no período da tarde constantemente. Outra doença , o linfoma de Hodgkin apresenta um tipo de febre , com características variadas de temperaturas as vezes elevada ou baixa mas sempre presente ,durante longo tempo tem o seu registro como febre de Pel-Epstein . Assim a febre deve receber sempre o seu devido valor e sempre ser observado como um dado importante a ser associado com outros sinais ou sintomas que o paciente apresenta afim de colaborar no diagnóstico presuntivo ou na indicação dos exames laboratoriais para a detecção da anormalidade.

Como verificar a temperatura

Existem dois tipos de termômetros capazes de medir a temperatura : o termômetro retal que tem um pequeno e largo bulbo e o termômetro oral que tem um bulbo longo. Pode-se tirar a temperatura usando-se o termômetro retal nas axilas e nos ânus de crianças de até cinco anos. Nos bebes , usa-se o termômetro oral . Os termômetros de cabeça ( parecem uma faixa de papel ) não demonstram a temperatura real da criança e por isto, muitos pediatras aconselham a não usá-lo.

O primeiro passo na determinação da febre é verificar se o termômetro apresenta a coluna de mercúrio abaixo de 37 graus antes do início da aferição da temperatura . Limpe o termômetro com álcool antes de usá-lo.

A temperatura normal varia entre 36 e 37 graus dependendo da hora do dia, e quando ela atinge a valores próximos aos 40 graus pode ser um sinal de alerta ou de perigo. Quando ela não é debelada será preciso procurar um médico para que medidas adicionais sejam tomadas. Assim nem sempre existirá a necessidade de procurar um médico imediatamente por qualquer febre desde que exista um controle sobre ela a menos que se trate de criança com menos de dois anos . Lembrar sempre que a febre em crianças abaixo dos dois anos de idade pode desencadear uma convulsão

O que fazer para controlar a febre

  • Medir temperatura ,verificando a temperatura

  • vestir roupas leves ,pois roupas pesadas aumentam a temperatura do corpo

  • Não aquecer a casa ,principalmente o quarto do paciente

  • Dar bastante líquido ao paciente

  • Seguir a orientação do médico dando a dose correta de antitérmico

  • Se a febre persistir por mais de 24 hs sem uma causa óbvia ,chame o seu médico

Tratamento do processo febril

Se a temperatura está em torno de 37 ou 38 graus centígrados ,apenas um antitérmico é suficiente. Mas se a temperatura subir, pode-se utilizar outro método , dando um banho no paciente para fazer a febre baixar. Para isto é necessário que se disponha de uma banheira ou toalhas molhadas para se enrolar no paciente quando não se dispor da mesma. Se o paciente

reclamar ou chorar durante o banho , isso deve ser considerado normal porque a febre alta faz com que contato com a água seja desconfortável.

Normalmente quando doente estiver sendo banhado ,ele também poderá começar a tremer mas isto é uma reação normal. Todas estas medidas farão com que a febre baixe melhorando a situação clínica do paciente.

Após estas medidas de controle da temperatura fica no ar a necessidade de se saber a causa do aparecimento da febre que muitas vezes não é determinada. Para tanto é de capital importância a observação de outros sinais ou sintomas concomitantes. São considerados importantes sintomas como dor de cabeça , coriza , tosse ,náusea, vômitos, desarranjos intestinais, alterações nas fezes e urina que informados ao médico colaborarão para o seu raciocínio na indicação de exames laboratoriais microorganismo envolvido , diagnóstico e tratamento

 

O Flúor é benéfico,mas em excesso causa riscos
Milton Artur Ruiz

A fluoretação das águas, que são ofertadas ao abastecimento da população é uma medida de saúde pública. Ela beneficia os cidadões de todas as faixas etárias, principalmente as crianças, na prevenção da cárie dental.

Em nossa região a fluoretação das águas se iniciou pelo município de Santos em 1983, tornando-se permanente até os dias atuais o que propiciou melhoria das condições de saúde bucal da população.

Em 1990 a monitorização da Fluoretação das águas, que é realizada pela SABESP, passou a ser realizada pela Secretaria de Higiene e Saúde de Santos (SEHIG) com a finalidade de assegurar a qualidade técnica do procedimento.

Esta verificação passou a ser realizada em pontos pré estabelecidos e constantes, e são realizados durante o ano inteiro. As amostras de água do município de Santos, após enviadas para o laboratório de Bioquímica da Faculdade de odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas UNICAMP. Onde é determinado o teor de flúor em sua composição. Com a análise procura-se caracterizar se a água é aceitável para os padrões preconizados de consumo em relação ao teor de flúor.

Os resultados obtidos pelo sistema municipal de Vigilância Sanitária no ano de 1995, são alvissareiros e demonstram que a água ofertada a população da cidade é boa e encontra-se dentro dos parâmetros de concentração ideal do fluoreto que está situado na faixa que vai de 0,6 a 0,8 miligramas por litro.

No entanto a coordenação de saúde Bucal alerta que existe problema em relação ao excesso de flúor, pela possibilidade de ocorrer a fluorese dental, caso haja uma ingestão concomitante de medicação que contenha Fluoreto de Sódio, como o hábito de auto medicação esta arraigado em nossa população o risco existe, e assim, um medicamento aparentemente inocente poderá causar danos a saúde. Finalizando , os medicamento que estão na relação abaixo não devem ser utilizados por pessoas de todas as idades, pelo risco da Fluorose em residentes do município de Santos.

Medicamentos que contém flúor

Abaixo apresentamos uma relação de alguns compostos farmacêuticos que contêm flúor (fluoreto de sódio) em suas formulas e que devem ser evitados pela população

FLUODEL FLUORVIT
FLUORNATRIUM GEVRAL SUPER
FLUORETO DE SÓDIO PRIMÁ NATALINS COM FLÚOR
NOVODENTIN RARICAL COM VITAMINAS
CALCI-PED RARICAM COM VITAMINAS INFANTIL
CALCITRAN B-12 RARIPLEX
DEFICICAL B-12 TERAGRAN M PRÉ-NATAL
FLUORNATRIU - VIT CALCIFLUOL
HYPERCÁLCIO CALCIODÊ B 12
KALYAMON MICECAL
KINDCÁLCIO - suspensão CALCIGENOL COMPOSTO B-12
NATIVIT - FLÚOR CALCIGENOL IRRADIADO
SUSPENSÃO DE CALCIFEROL B-12 COMPOSTA GESTAVIT COM FLÚOR
POLY - VI - FLÚOR NONAVIT
SELECTOCÁLCIO OSSOPAN
TRI - VI - FLÚOR POLIPLEX COM FLÚOR
SELECTOCÁLCIO DENT - BOM
TRI - VI - FLÚOR NUTROGAST - (dieta enteral)

Fonte coordenação Municipal de Saúde Bucal - SEHIG.

 

Saiba o que é fluorose

Fluorose é o excesso de flúor no organismo. No entanto dependendo da dosagem, o flúor pode ser tóxico e quando ocorre uma grande ingestão a toxidade pode ser aguda, ou quando ela ocorre por períodos prolongados a intoxicação é crônica. Em ambas as situações pode ocorrer a fluorose dental. Um dos sinais do problema ocorre pela deformação do esmalte dentário e o aparecimento de manchas esbranquiçadas ou acinzentadas nos dentes dos acometidos.
Estão descritos também dores ósseas e osteoporose em pacientes seriamente acometidos.

Driblando a cárie

A odontologia preventiva desponta hoje uma área de grande importância, capaz de trazer novos conceitos para a ciência odontológica mas a prevenção dentária ainda não é levada muito a sério pelas autoridades, que dão mais ênfase, devido a interesses e marketing político, a odontologia curativa. Com este enunciado, inicia-se a matéria de capa da revista da Associação Paulista de Cirurgiões Dentista de fevereiro passado em que são discutidos aspectos referentes a prevenção da cárie no Estado de S.Paulo e principalmente de como é realizada a fluoretação das águas em diversos municípios.

Neste artigo fica evidente a participação do Município de Santos em relação ao tema junto a Barretos, S.José do Campos e outros municípios que mantém o benefício a saúde Bucal da população.

 

O princípio da Homeopatia
Milton Artur Ruiz

A Homeopatia é uma ciência médica que tem como base o princípio da semelhança, idealizado por Hipócrates no século 4 a.C., e que foi desenvolvida no século XVII por Samuel Hahnemann. Hahnemann, inconformado com os métodos terapêuticos da medicina tradicional, que muitas vezes era agressiva e não proporcionava uma cura eficaz, abandonou o exercício da Medicina, passou a fazer vários estudos e sistematizou os princípios filosóficos e doutrinários da Homeopatia, elaborando o "Organon da Arte de Curar", onde registrou as bases de sua Arte Médica.

Esta nova técnica de cura expandiu-se por várias regiões do mundo, e atualmente está implantada em diversos países da Europa, América e Ásia. A Homeopatia surgiu, basicamente, com a observação dos fatos. Baseia-se num tratamento pelas vias naturais de cura do organismo, através de uma lei da natureza, a Lei dos Semelhantes.

Esta Lei dos Semelhantes afirma que "toda substância capaz de provocar determinadas alterações (sintomas) em uma pessoa sadia é capaz de curar essas mesmas manifestações, quando apresentados por uma pessoa doente, após passar por um processo especial de preparação" ( "O que você precisa saber sobre a Homeopatia", Dra. Selma Freire de Campos).

Exemplificando melhor, usa-se um medicamento, em que na sua composição contenha café, para curar insônia, porque o café pode causar insônia em determinadas pessoas. A Homeopatia usa medicamentos para curar os doentes, com as mesmas alterações que poderão provocar em pessoas saudáveis.

A Homeopatia considera a pessoa como um todo que não se divide. Por isso, trata o doente, além de suas queixas físicas, através dos seus hábitos, a maneira como age aos seus problemas, aos acontecimentos de sua vida. A Homeopatia conhece todas as características de uma pessoa.

A terapia homeopática varia de acordo com as reações do doente, enquanto a medicina comum, a alopática, combate uma determinada doença em indivíduos diferentes com o mesmo medicamento.

Comportamento é decisivo para o diagnóstico

A filosofia da Homeopatia é a vitalista, e diz que toda pessoa possui uma energia que a mantém viva, a energia vital. Essa energia, proveniente do Universo, mantém o funcionamento harmônico do organismo no estado de saúde. Quando esta energia se desequilibra, o organismo fica doente.

Esse desequilíbrio transparece em um corpo e mente doentes. Por isso, o médico homeopata observa todas as mudanças do doente, o seu humor, disposição, ânimo, apetite, sono, sede, transpiração, etc., para fazer um diagnóstico preciso, e descobrir a causa desse desequilíbrio.

Toda doença, segundo a Homeopatia, afeta a mente e vice-versa, pois a mente e o corpo são inseparáveis.

A causa do aparecimento das doenças significa um desequilíbrio da energia vital. E dependendo de cada pessoa, elas adoecem devido fatores biológicos, a atuação de um vírus, por exemplo; e outros fatores externos, como o frio, o calor, uso de drogas, modo de vida, conduta pessoal; fatores esses que são sempre levados em conta na hora do diagnóstico.

Mas, as pessoas ficam doentes somente por estarem predispostas a tal condição, de acordo com seu temperamento, constituição física e reações particulares.

Após o diagnóstico, e receitado o medicamento, o médico irá observar a melhora do paciente através da evolução do seu estado emocional, e em seguida no local do problema.

Quando o paciente apresenta uma melhora, o seu comportamento também muda, o seu humor, apetite, sono, disposição. Depois observa-se os efeitos positivos causados no local da doença.

Com o medicamento há uma exteriorização da doença e uma limpeza do organismo, com o eventual aparecimento de diversas reações, como febre, vômitos, etc. E durante o tratamento pode aparecer doenças antigas, demonstrando como foi tratado anteriormente, e isso indica que ele está funcionando. Após isso, os sintomas irão desaparecer.

Muitas pessoas dizem que o tratamento homeopático é lento. Isso depende da doença do paciente. Muitas doenças se desenvolvem de maneira rápida (doenças agudas), e são tratadas da mesma forma, rapidamente. Enquanto isso, há doenças que vão se manifestando lentamente, e por isso são curadas de forma mais lenta.

O tratamento, no que diz respeito a sua duração, depende da idade do paciente, do tempo da manifestação da doença e dos tratamentos anteriores a que foi submetido.

Não é verdade que a piora do estado do paciente, ou do retorno dos sintomas da doença é sinal de fracasso no tratamento. É que no início do tratamento pode ocorrer uma aparição passageira dos sintomas das doenças, seguidos de reações diversas, como: febre, vômitos, diarréia, etc.

Todas mudanças e variações devem ser acompanhadas pelo médico homeopata. O reaparecimento dos sintomas pode, às vezes, significar que o organismo está reagindo, e demonstrando as suas defesas. Essas reações, geralmente, demonstram que o tratamento está evoluindo bem.

Vale lembrar que, durante o tratamento homeopático, deve-se evitar o uso de medicamentos alopáticos, pois atrapalham a evolução do tratamento. Mas se, eventualmente, tiver que utilizar algum, como por exemplo, usar um analgésico, não significa que o tratamento foi anulado ou reduzido.

A cura pelos semelhantes

O termo Homeopatia deriva de uma palavra grega que significa: Doença Semelhante. A palavra Alopatia também é de origem grega, e significa: a cura pelos contrários.

A Homeopatia, como já foi dito antes, pretende curar o indivíduo como um todo, tratando do doente, e não só a doença daquele momento. Esta é a cura dos semelhantes.

Enquanto isso, o tratamento alopático visa principalmente a doença, como por exemplo, se você está com febre toma um antitérmico para eliminá-la, e com isso está curado.

Outra diferença é no que diz respeito as experiências científicas dessas duas medicinas. A Homeopatia realiza suas pesquisas em pessoas sadias, enquanto a Alopatia realiza em pessoas ou animais doentes.

Os medicamentos homeopáticos, diferindo dos alopáticos, contém doses mínimas de toxicidade, o que produz efeitos colaterais, agindo de forma energética, e sem intoxicar o organismo.

Vantagens que a Homeopatia traz a quem opta por esse tratamento:

  • proporciona cura rápida, suave e duradoura;
  • atende casos com diagnóstico não esclarecido pela Medicina tradicional;
  • não intoxica o organismo;
  • reduz a predisposição de moléstias;
  • estimula a defesa do organismo;
  • promove a Saúde;
  • valoriza a pessoa como um todo, e não apenas o sintoma da doença;
  • é capaz de identificar e restabelecer o organismo doente antes que surjam lesões em órgãos e tecidos, valorizando os sintomas mentais e sensações;
  • impede ou retarda a manifestação de doenças hereditárias ;
  • é capaz de evitar cirurgias de amígdalas, adenóides, de hemorróidas, etc.;
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    Cuidados durante o tratamento homeopático:

    • Não utilizar qualquer medicamento sem orientação médica;
    • Não utilizar medicamentos indicados a outras pessoas. Um organismo difere de outro, e o tratamento homeopático é individual;
    • Não substituir o medicamento receitado por outro;
    • Não utilizar preparos à base de cânfora, como Vick Vaporub, Gelol, Minâncora, xampus anticaspa, desodorantes antitranspirantes e pomadas que contenha em sua fórmula antibióticos ou cortisona;
    • Evite estimulantes, como café, chá-mate em excesso, bebidas alcóolicas, drogas; etc.;
    • Não suspender o tratamentos alopático sem consultar o seu médico homeopata.
     

    A Medicina do Futuro
    Milton Artur Ruiz

    Comparada ao passado, a medicina vem descobrindo novas curas para problemas que atingem a humanidade, avançando de uma forma rápida. Com a proximidade do próximo milênio, isso se acentua, já que os cientistas estão se empenhando cada vez mais em novas descobertas.

    Há grandes mudanças previstas para o próximo século. Um deles é a finalização do projeto Genoma, que é responsável sobre pesquisas a respeito do DNA humano. O DNA é a estrutura molecular dos milhares de genes presentes nos cromossomos. Esse projeto dará subsídios à terapia gênica, que propiciará uma melhora de vida e saúde de todos.

    A terapia gênica consiste em instalar nas células um novo gene que estimule o organismo a resolver os próprios problemas. Por exemplo, uma pessoa diabética deve tomar insulina todo dia, ao em vez de tomar o medicamento, procure um laboratório de genética para se curar. O médico irá introduzir no organismo do paciente o gene que sabe fabricar a insulina que falta, substituindo o gene defeituoso.

    Outros avanços da terapia gênica são no que dizem respeito aos genes responsáveis pelo câncer da tireóide, de mama e cólon, o que desencadeia a fibrose cística (doença causada pelo excesso de produção de muco pulmonar, que impede a respiração normal), os genes que predispõe a doenças cardíacas, obesidade e alcoolismo, além dos associados ao sistema imunológico. Com isso, essas e mais de 3700 doenças hereditárias já definidas poderão ser prevenidas e também terão a possibilidade de cura.

    No que diz respeito a AIDS, os pesquisadores prometem medicamentos mais potentes e fáceis de administrar. Estão também pesquisando um novo tratamento, um coquetel de medicamentos para a erradicação do vírus em pessoas recém-infectadas. Espera-se, com isso, que no momento em que o organismo esteja se preparando para barrar a doença, o sistema imunológico consiga destruir o vírus.

    As doenças infecciosas de grande incidência no mundo também são alvo de estudos a medicina. A úlcera é um exemplo. Constatou-se que 90% dos casos sào causados pela bactéria Helicobacter pylori, o que permitiu a cura de muitos casos. Os pesquisadores investigam a participação desses microorgansimos em outras doenças. Há suspeita que essa bactéria desencadeie o câncer de estômago. Se isto for confirmado, a doença poderá ser tratada através de antibióticos. Hoje, o linfoma gástrico, uma forma de câncer, segue esta linha e já não é mais usado o tratamento convencional.

    Os problemas cardíacos, como a angina, também podem ser causadas por bactérias. Os cientistas supõem que a bactéria Clamydia psitacci atue sobre as artérias que irrigam o coração, predispondo-as ao infarto.

    A grande e esperada revolução é a cardiologia preventiva. A medicina avança para diagnosticar os mais variados problemas cardíacos no feto e tratá-los durante a vida intra-uterina.

    Os cientista também estão trabalhando muito para produzir um coração artificial prático para ser utilizado em pacientes à espera de um transplante.

    No que diz respeito aos transplantes, espera-se que um controle genético seja feito para evitar-se a rejeição do novo órgão, eterno obstáculo para esse tipo de cirurgia. O que será feito é a modificação de um gene no perfil imunológico do paciente que recebeu o transplante.

    O tratamento do câncer, hoje em dia, está muito avançado. As grandes armas ainda são a cirurgia, a quimioterapia e radioterapia, trazendo cura para diversos tipos de tumores em fase inicial ou mesmo mais avançados. Para reforçar mais o tratamento, e aumentar as chances de cura, espera-se o desenvolvimento da imunoterapia, que leva em conta o grande potencial de defesa por parte do organismo. Estima-se que daqui uns dez ou quinze anos a medicina terá condições de usar proteínas e outras substâncias para inibir a invasão de células tumorais no sangue e vaso linfáticos.

    Estuda-se também a eficácia de substâncias rediferenciadoras, que convertem células malígnas em benígnas.

    A reprodução humana é outra preocupação dos cientista. Eles estudam a possibilidade de congelamento de óvulo não fecundados. Isso significa que a mulher poderá retirar os óvulos na fase reprodutiva áurea, ou seja, antes dos 30 anos, e preservá-los até o momento em que deseja engravidar. Apesar de ainda estar em testes, em breve a técnica será popularizada.

    Esses e outros avanços, que estão em pauta nos estudos de pesquisadores, poderão melhorar a vida e a saúde de todos, aumentando a expectativa de vida da população, que atualmente é de 72 anos, e poderá ser de 120 anos. As pessoas poderão viver mais e melhor.

    Principais avanços

     

    Hoje

    Amanhã

    Terapia Gênica
    • Foram identificados alguns genes causadores de doenças
  • Substituição de genes defeituosos para curar doenças como câncer, aids, gripe.
  • AIDS
    • Coquetel de drogas auxilia no tratamento.
  • Drogas mais potentes vão reduzir as doses de medicamentos e aumentar a sua eficácia
  • Câncer
    • Tratamento: cirurgia, quimioterapia, radioterapia
  • Proteínas impedirão metástases e novos medicamentos converterão células malignas em benignas
  • Obesidade
    • Remédios são ineficazes, prejudicando a saúde
  • Drogas reduziram o apetite e aumentaram a sensação de saciedade.
  • Reprodução
    • Congelamento de embriões
  • Congelamento de óvulos não fecundados
  • Osteoporose
    • Tratamento: reposição de estrógeno
  • Novo medicamento irá aumentar a fixação do cálcio, sem efeitos colaterais.
  • Alcoolismo
    • Internação e baixa adesão ao tratamento
  • Novo medicamento reduzirá a vontade de beber associado a terapia para aumentar o nível de adesão ao tratamento.
  • Neurocirurgia
    • Cirurgias convencionais para tratar doença neurológicas.
  • Intervenções menos invasivas com o recurso da informática para controlar dores crônicas e curar cegueira.
  • Doenças Cardíacas
    • Cirurgias e medicamentos tradicionais para desentupir artérias
  • Exames poderão detectar riscos de infarto.
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    Medicina Fetal
    Milton Artur Ruiz

    O termo Medicina Fetal alcançou consagração universal no final dos anos 80 através da literatura médica e pela criação de departamentos de Medicina Fetal em universidades americanas e européias. Medicina fetal representa um conjunto de ações preventivas, diagnosticas e terapêuticas no sentido de proteger, avaliar e assistir a saúde do feto. Assim, o compromisso maior desta especialidade é com a saúde do feto, considerando-o um indivíduo, ou seja um paciente em todos os aspectos do direito de um ser humano e de um cidadão. Para tanto, utiliza recursos clínicos, ultrasonográficos, bioquímicos, dopplerfluxométricos, imunológicos, hematológicos, bacteriológicos, medicamentosos e cirúrgicos.
    Neste contexto, a Medicina Fetal cuida das causas que comprovadamente colocam em risco a Saúde do feto como: idade materna avançada; antecedentes familiares de doenças hereditárias; consangüinidade; exposição a drogas (medicamentos, fumo, álcool, cocaína, maconha) e a radiações; infecções pré-natais (rubeola, toxoplasmose, citomegalovírus, AIDS, sífilis, varicela); incompatibilidades sanguíneas, particularmente ao fator Rh; doença maternas que acarretam problemas ao feto como hipertensão arterial, diabetes e cardiopatias. Além do estudo das anomalias fetais diagnosticadas ao longo da gravidez, algumas eventualmente são passíveis de tratamento intra útero, durante o período gestacional.
    Esta abordagem, apesar de envolver a fase pré-concepcional, representa um desafio constante na assistência pré-natal. A precocidade na sua realização representa o princípio básico neste campo no sentido de atender aos interesses dos pais e do médico assistente na tomada de decisões frente ao futuro da gestação.
    A criação desta nova sub-especialidade interessa primeiramente a aqueles diretamente envolvidos, a gestante e seu filho, e em segundo aos obstetras que podem lançar mão destes meios para desenvolver seu trabalho dentro de uma visão mais moderna da Obstetrícia.
    É importante lembrar que o processo básico da concepção é controlado geneticamente, sendo dependente dos fatores ambientais para a expressão de suas potencialidades genéticas.
    As anomalias fetais devem ser entendidas como de natureza plurifatorial sendo os mais importantes as causas cromossômicas , gênicas, ambientais e multifatoriais. Independente da história familiar, pessoal ou reprodutiva, todos os casais apresentam riscos para anomalias fetais. Este risco empírico é chamado de risco populacional, que guarda relação com o tipo de constituição da população e do meio ambiente que os cerca.
    O objetivo principal da Medicina Fetal é o de identificar casais que tenham riscos elevados para uma determinada condição no período pré-concepcional e pós-concepcional afim de prover informações detalhadas a respeito dos seus riscos e as eventuais medidas preventivas e as possibilidades de diagnóstico pré-natal.
    No quadro abaixo apresentamos os principais fatores de risco materno-fetais que condicionam aumento de risco para anomalias fetais..

    Fatores de risco para anomalias fetais

    1. Identificáveis antes da concepção

    • idade materna acima de 35 anos
    • consanguinidade ( qualquer grau de parentesco entre os pais )
    • história familiar positiva para doenças hereditárias ( Ex: Hemofilia )
    • história obstétrica pregressa desfavorável ( abortamentos anteriores, óbitos fetais em gestações anteriores, etc.)
    • patologias maternas ( hipertensão arterial, diabetes mellitus, colagenoses, cardiopatias e outras )

    2. Identificáveis durante a gravidez

    • infecção materna ( toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, etc. )
    • exposição materna a teratogênicos ( drogas, radiações ionizantes, etc. )
    • oligoâmnio e polidrâmnio no ultrassom de rotina
    • rastreamento bioquímico materno alterado ( teste triplo )
    • gestante com isoimunização ( incompatibidade sanguínea materno-fetal.
    • retardo de crescimento intra-utero

    Todas as pacientes que se enquadram dentro de um dos grupos de risco acima citados deve ser encaminhada para aconselhamento genético, onde será submetida à uma avaliação dirigida e verificação da necessidade de exames complementares, os quais serão solicitados de acordo com os antecedentes e informações dadas pela paciente.
    Os exames complementares são divididos em: procedimentos não invasivos, em que praticamente não existe risco para a paciente, e os invasivos, em que o risco, apesar de ser pequeno, sempre está presente.
    Como exemplo do primeiro temos a ultrassonografia. O exame é um recurso cada vez mais utilizado em obstetrícia, sendo na atualizade considerado imprescindível na prática.
    No Brasil, verifica-se uma verdadeira explosão de centros destinados a realização de exames ultrassonográficos, chegando até mesmo a serem realizados atualmente nos consultórios.
    As principais indicações da Ultrassonografia Genético-Fetal são nos casos apresentados no quadro II:

    Indicações de Ultrassonografia na gravidez:

    • Anomalias fetal diagnosticada
    • Crescimento fetal retardado
    • Oligoamnio – polidrâmnio
    • Gravidez múltipla
    • Antecedentes de doenças hereditárias
    • Idade materna avançada
    • Consangüinidade
    • Exposição e drogas e RX
    • Infecções pré-natais
    • Pré-requisito em procedimento invasivo fetal

    O crescimento e desenvolvimento fetal está em grande parte na dependência da passagem de oxigênio e nutrientes da mãe para o feto, pela circulação umbílico-placentária durante a gestação.
    A avaliação clínica da circulação fetal e materna tornou-se possível nos últimos anos com o desenvolvimento da tecnologia Döppler. Esta avaliação pode ser realizada tanto de maneira qualitativa como quantitativa, utilizando método não invasivo, ou seja, sem risco a paciente.
    A análise dopplervelocimétrica tem-se mostrado de valor no estudo do crescimento e desenvolvimento fetal, bem como indica as alterações que o feto passe em mães com hipertensão arterial, diabetes, doenças cardíacas e estados infecciosos e nas incompatibilidades sangüíneas ao fator RH. Outra aplicação do método diz respeito às gestações múltiplas, crescimento fetal retardado, mal formação fetal.
    Os procedimentos invasivos mais frequentemente utilizados são a embrioscopia, a fetoscopia, a biopsia das vilosidades coriônicas, a amniocentese e cordocentese.
    A embrioscopia serve para a visualização fetal e detecta anomalias fetais no primeiro trimestre da gestação, com ajuda da ultrassonografia.
    A fetoscopia é um método específico e de grande valia para a avaliação do feto, e geralmente utilizada no segundo trimestre da gravidez, e serve para que se obtenha amostras de sangue e pele para exames, por exemplo.
    A biópsia das vilosidades coriônicas é realizada entre a 9º e 12º semana de gestação, embora possa ser realizada até perto do nascimento. A técnica, de preferência na maioria dos serviços europeus, é transabdominal. A paciente é submetida a anestesia local, e uma agulha é introduzida através da parede abdominal materna até alcançar a placenta. O exame é realizado sob vigilância da ultrassonografia.
    A biópsia vilo corial pode ser realizada desde o primeiro trimestre de gestação, e por isto muitas patologias podem ser diagnosticadas precocemente. Entre as principais indicações desta técnica temos: o diagnóstico de doenças metabólicas hereditárias e pesquisa de cromossomopatias, como por exemplo a Síndrome de Down.
    A amniocentese é um procedimento que visa avaliar o líquido amniótico que envolve o feto. O volume obtido varia de 15 a 30 ml. O período ideal para realizar a amniocentese para pesquisa de alterações genéticas é entre 16º a 18º semana, podendo, no entanto, ser executada até o final de gestação, com o propósito de pesquisa a maturidade fetal.
    A amniocentese tem indicação que varia de acordo com a idade gestacional. No início da gestação, sua finalidade é para avaliação genética, enquanto que em fases mais avançadas, é dirigida para avaliação de maturidade pulmonar fetal e para controle de fetos com risco de isoimunização RH, e problemas de incompatibilidade sangüínea entre a mãe e o feto.
    A cordocentese é o método de obtenção do sangue do feto para estudo. O sangue é retirado diretamente da veia do cordão umbilical sob vigilância da ultrassonografia.
    Assim, hoje a medicina fetal, além de uma especialidade, que ganhou o seu espaço, vem a cada dia demonstrando progressos no sentido de propiciar e reduzir os riscos de uma gestação.

    Colaborou o médico José Carlos Gaspar Júnior.

     

    A questão da Melatonina
    Milton Artur Ruiz

    Nos últimos anos, a melatonina tem recebido grande espaço publicitário nos meios de comunicação divulgando que o medicamento é responsável por feitos notáveis. Nos Estados Unidos diversas revistas tratam do assunto exaustivamente, e até livros foram escritos por diversas autoridades médicas nos quais enfatizou os possíveis efeitos benéficos do hormônio em deter o envelhecimento.
    No Brasil o mesmo fato tem ocorrido, e os meios de comunicação em larga escala exaltam o medicamento e o caracterizam como panacéia de todos os males, ressaltando que o mesmo é inócuo, e além dos benefícios, não causa nenhum tipo de problema. No entanto, o pouco do que se sabe do hormônio não é tanto para o que se apregoa, e muito do que se afirma, ainda não está provado.
    Recentemente, o 7º Congresso da Sociedade Européia da Glândula Pineal, realizada na Espanha, discutiu o assunto, e um editorial na revista de medicina Clínica Espanhola abordou o tema, avaliando as controvérsias e o que se sabe sobre a melatonina.
    Como resultado, a melatonina deixou de ser um complemento dietético, e a comunidade européia passou a vigiar o medicamento mais de perto, sendo que na Espanha, país em que existe um abuso no uso do hormônio, a melatonina, a partir de agora, somente estará disponível sob rígido controle médico, além do que sua venda está proibida no comércio.
    A melatonina, ou N-acetil-5-metoxitriptamina, foi descoberta em 1958 e é o principal hormônio produzido pela glândula pineal no nosso organismo. A sua produção tem períodos variados de aumento e redução, que se relacionam com o período do dia, sendo sua produção mais elevada à noite e nos meses de inverno. Os níveis plasmáticos máximos descritos ocorrem no período noturno, e estão ao redor dos 70 picogramos.
    A produção tem relação com o hipotálamo e o chamado relógio biológico, existindo sempre níveis do hormônio na corrente sangüínea. O hormônio, após sua produção, pode ser encontrado no fígado e traços do mesmo também são observados na urina, local por onde a melatonina é eliminada do organismo.
    No homem, está demonstrado que sua produção existe desde o quarto mês de vida. Em crianças sadias, tem sido observado que durante à noite os níveis de melatonina estão mais baixos, especulando-se que este dado se deve ao fato que está ocorrendo o amadurecimento do aparelho reprodutor nesta época da vida. Sobre determinadas doenças na infância muito se tem especulado também, pois em casos como o da Síndrome da Morte Súbita do lactente descreve-se que ocorre uma deficiência no desenvolvimento do ritmo endógeno da melatonina. Durante a idade adulta, os níveis de melatonina decrescem progressivamente com a idade, e nos anciões, não são observados mais níveis detectáveis do hormônio.
    A mensuração da melatonina laboratorialmente é de difícil execução, e isto se deve ao fato de que o método é extremamente sensível, e existe uma grande variação entre as pessoas durante todo o dia.
    A melatonina, quando administrada nos pacientes, logo aparece no sangue, mas o período de sua permanência a níveis detectáveis é extremamente curto.
    Atualmente, sabe-se que a melatonina interage com diversas glândulas endócrinas, assim como, interfere em múltiplas funções orgânicas, sendo, no entanto, sua principal ação a de informar ao relógio biológico das mudanças fotoperiódicas relacionadas com o sono e a vigília.

    Uso da substância ainda é cercada por dúvidas

    A administração da melatonina sintética para humanos debate-se em dúvidas e questões até agora não respondidas: Quando utilizar o medicamento? Qual a dose a ser utilizada? Quais os tipos de malefícios o medicamento pode causar? Como o medicamento interage com outras drogas? Qual a idade em que o medicamento deve ser introduzido? Estas são algumas das questões mais simples que necessitam de resposta para o uso seguro do medicamento, e para isso é necessário que pesquisas específicas sejam realizadas em humanos. Estes estudos propiciariam respostas e serviriam principalmente para confirmar os conhecimentos obtidos até o momento em experimentos animais.
    O uso da melatonina, através de estudos experimentais, apontam para diversos usos específicos onde ela poderia ter efeitos benéficos. Um dos setores seria o da anticoncepção. Em algumas espécies, a natureza faz com que os nascimentos ocorram em períodos ou em determinadas estações do ano. As estações do ano, ou fotoperíodos, determinam o momento da concepção, que se dá através de sinais neurohormonais, que estão relacionados com a luz e a escuridão. Assim, a reprodução ocorre.
    Embora a reprodução humana não seja controlada por períodos estacionais, em teoria o método contraceptivo mais racional, seria o método da natureza. Estudos de contracepção com a melatonina associados com a norestisterona, tem conseguido obter ciclos ovulatórios em mulheres, e assim, portanto, impedir a fecundação.
    No entanto, a dificuldade atual reside no fato de que as doses farmacológicas ainda existentes nos ensaios preparados em clínicas ainda são muito elevadas, e também não foram obtidas concentrações estáveis do hormônio por períodos prolongados.
    A melatonina tem sido preconizada na Síndrome da Dessincronização, que ocorre nas pessoas em viagens transoceânicas ou transmeridiânicas, na síndrome da fase do sono retardado, em pessoas cegas, ou em trabalhos que realizam turnos rotativos. Por apresentar um potencial hipnótico, e desempenhas um importante papel no ciclo sono-vigília, o medicamento parece ser importante contra a insônia de idosos.
    Por último, a melatonina tem sido preconizada para uso em transtornos afetivos ou para pessoas que sintam-se mal em determinados períodos ou estações do ano, como no inverno, e que sempre sintam-se melhor nos períodos do ano de maior luminosidade, como nos períodos de verão.
    Estudos experimentais relacionam a glândula pineal com o sistema imunológico do nosso organismo. A produção baixa ou inadequada de melatonina poderia induzir a um estado de imunodepressão ou baixa das defesas do organismo, o que, em síntese, poderia causas inúmeras doenças. Assim, a melatonina poderia ter um efeito imunoestimulador, e portanto, passível de utilização em imunodeficiências congênitas ou adquiridas, como a AIDS, e nos canceres.
    Em relação a este dado, estudos experimentais e promissores demonstram que determinadas linhas celulares, que são hormônio-dependentes, como o câncer de mama, descrevem-se respostas a doses fisiológicas de melatonina com o desaparecimento do crescimento hormonal.
    Outro aspecto em relação a melatonina, é o que se refere ao envelhecimento pela propriedade que o hormônio teria frente aos danos que os radicais livres produzidos causam no organismo. Em estudos experimentais, relata-se que a melatonina combate a destruição dos tecidos que causam os radicais livres.
    Uma teoria sobre o envelhecimento afirma que os radicais livres desempenham um papel preponderante no envelhecimento das células e do corpo. Com o aumento da idade, o acúmulo de radicais livres cada vez mais se acentua, e os níveis de melatonina cada vez mais se reduzem. A administração suplementar de melatonina assim teria o papel de reduzir o acúmulo dos radicais livres nos tecidos e combateria as doenças degenerativas e o envelhecimento geral do corpo.
    O uso clínico da melatonina e a dose terapêutica a ser empregada neste momento encontra-se em uma encruzilhada e a espera de respostas dos pesquisadores, afim de dar tranqüilidade aos anseios cada vez maiores de uma população que está cada vez mais envelhecida e sempre a procura de panacéias que perpetuem a vida e a juventude eterna.

    A melatonina pode ser utilizada no tratamento:

    • anti-envelhecimento
  • alterações no relógio biológico
  • radicais - livres
  • imunodeficiências
  • anticoncepção
  • alterações fotoperiódicas
  • transtornos afetivos
  • câncer de mama
  • insônia
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    Planejamento familiar e contracepção
    Milton Artur Ruiz

    Nos dias atuais, em que as mulheres participam ativamente do mercado de trabalho , e as suas atividades auxiliam nos ganhos financeiros do casal , cada vez mais , o momento de ter filhos necessita ser planejado. O planejamento familiar permite ao casal a decisão de ter ou não filhos , o número , e a melhor ocasião de tê-los. Os cuidados em relação a reprodução , não devem enfocar só a criança , mas principalmente procurar promover a saúde da mulher. O momento da mulher engravidar não deve ser muito cedo , como na época da adolescência , ou após os 35 anos de idade , sendo recomendável aos casais que queiram ter mais de um filho gestações em intervalos de 2 anos. A decisão de ter filhos deve ser madura e responsável , devendo a gestante receber sempre cuidados médicos e acompanhamento pré-natal com o objetivo de assegurar a saúde da mãe e da criança. Caso o casal decida não ter filhos , é necessário que os mesmos sejam orientados e tenham acesso a informações sobre contracepção ou anticoncepção , para conjuntamente decidirem pelo método a ser utilizado e assim planejarem o futuro e a constituição de sua familia. O planejamento familiar , assim como os métodos anticoncepcionais , não devem ser de responsabilidade exclusiva das mulheres . A decisão deve ser do casal , havendo a necessidade do homem não se omitir em relação aos aspectos que envolvem a reprodução e o planejamento de sua familia seja realmente equitativo.

    Define-se como contracepção os métodos e as maneiras que um casal utiliza para prevenir uma gravidez. Os métodos para esta finalidade variam , e a escolha de um deles dependerá de cada casal e de suas peculiaridades. Na escolha do método existe a necessidade do conhecimento afim de serem avaliadas suas vantagens e desvantagens visto que cada modalidade apresenta alguma contraindicação.

    Métodos anticoncepcionais

    • Abstinência sexual ( calendário , temperatura basal , mucocervical , sinto-térmicos )
    • Preservativo masculino
    • Espermicidas
    • Preservativo feminino
    • Anticoncepção hormonal oral
    • Anticoncepção hormonal injetável
    • Dispositivos intra-uterinos ( DIUs)
    • Diafragma
    • Esterilização cirúrgica feminina ( laqueadura tubária )
    • Esterilização cirúrurgica masculina ( vasectomia )

    Não existe método anticoncepcional ideal

    Existem diversas maneiras de impedir a fecundação desde métodos simples baseados na abstinência sexual ,até métodos com medicamentos ou barreiras que impeçam que o espermatozóide encontre o óvulo feminino e o fecunde. O que casal necessita ter em mente é que não existe na realidade um método anticoncepcional infalível e que as vêzes existe a necessidade de mudanças , e ela dependerá da adaptação do casal . Assim um método que tenha sido efetivo durante um determinado período pode deixar de ser adequado , ou até não atender a novas condições de um casal.

    Os métodos de abstinência sexual visam identificar o período fértil da mulher afim de se evitar relações sexuais nestas datas. O período em que as relações sexuais devem ser evitadas situam-se entre 4 dias antes e após a data calculada da ovulação.

    Dentre os métodos de abstinência o mais conhecido é o do calendário ou a tabelinha .Para o uso do método é necessário que a mulher conheça a duração do seu ciclo menstrual e ter em mente que , a data da ovulação ocorre sempre 14 dias antes do inicio da menstruação. Como os ciclos poderão variar , a data da ovulação mudará o que pode causar uma falha na estimativa do período de abstinência sexual. O método do calendário então não deve ser utilizado por mulheres que possuam ciclos muito irregulares , adolescentes , após o parto ou abortamento e, próximo a menopausa . Outro método de identificação do período fértil na mulher é o método de Billings, método este que procura caracterizar o período através da observação de mudanças ocorrem na vagina como a sensação de umidade e de lubrificação que aparecem durante a ovulação. O método da temperatura basal corporal baseia-se no fato que após a ovulação, pela produção do hormônio progesterona , ocorre um aumento da temperatura. Para o uso deste método existe a necessidade de anotação pela mulher em um gráfico das temperaturas do corpo obtidas pela manhã logo após ter levantado da cama. Juntamente com a variação da temperatura a mulher tem condições de avaliar o seu período fértil , associando sintomas específicos como dores tipo cólicas da metade do ciclo , dores nas mamas e nos ovários que podem em determinadas circunstancias , associadas ao aumento da temperatura basal indicar o período ovulatório. Os métodos acima descritos exigem aplicação , determinação e sistematização , sem o qual o risco de gravidez não planejada ou esperada poderá fatalmente ocorrer.

    Dentre os métodos que colocam obstáculos a introdução do espermatozóide no útero estão os preservativos masculinos ou a camisinha. Este método é o único que tem a característica de ser reverssível e, confere real eficácia na prevenção de uma gravidez. A camisinha, como são chamados comumente os preservativos masculinos podem ser de muitos tipos , sendo preconizado pela Organização Mundial de Saúde os produzidos com látex ou poliuretano . Juntamente com a camisinha o uso de espermicidas auxiliam na prevenção , e teóricamente os preservativos que contem espermicidas asociados apresentam uma segurança na prevenção de 99,9%, enquanto que os que não tem espermicida na sua composicão tem um percentual de efetividade reduzido a 94% O uso de espermicida isolodo tem uma efetividade menor estando estimado segundo alguns relatos que a mesma é de a cerca de 80%. Deve-se ressaltar que , o uso da camisinha além de previnir uma gravidez , protege os parceiros em relação a doenças sexualmente transmissíveis como a Aids, gonorréia , clamídia e herpes . Apresenta como vantagem também facilidade no uso e baixo custo.

    A camisinha feminina e o diafragma

    A camisinha feminina é um método de prevenção de gravidez considerado controverso por diversos especialistas . Segundo o médico Condesmar Marcondes de Oliveira a sua introdução no país se deu através do professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná , Rosires de Andrade . O objetivo inicial na introdução deste preservativo visava sua utilização entre prostitutas. As críticas maiores existentes em relação a camisinha feminina recai no fato que a mesma pode ser reutilizada após ser lavada . Como vantagens a literatura apresenta dados positivos em relação a segurança que ela confere na proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis como a Aids , pois o preservativo protege a vagina e o colo do útero da mulher. Outra vantagem descrita em relação ao preservativo feminino , é que para sua utilização não existe a necessidade de dispositivos especiais de fixação como acontece com o diafragma. Como desvantagens citadas estão o seu alto custo , que é maior do que o do preservativo masculino ,o desconforto para o parceiro durante o ato sexual e as dúvidas quanto a segurança na prevenção da gravidez.
    O diafragma vaginal diferentemente da a camisinha ,apesar de utilizar o mesmo principio consiste em um aro flexível que tem no centro uma membrana fina de borracha. Ele é colocado profundamente na vagina afim de bloquear a entrada do colo do útero impedindo a entrada dos espermatozóides . O diafragma deve ser colocado meia hora antes da relação e retirado somente 8 horas após. Para o seu uso existe a necessidade de consulta médica para avaliar o tamanho do diafragma a ser utilizado . Por não proteger a vagina o método não é seguro em relação a doenças sexualmente transmissíveis , pois o esperma masculino pelo contato poderá transmitir doença , caso existam lesões anteriores na parede vaginal da mulher.

    Os métodos anticoncepcionais hormonais ainda são os mais seguros

    Existem períodos em que a mulher não é fertil porque existem no organismo cifras elevadas de determinados hormonios . Como exemplo destas ocasiões temos o período de amamentação. Os métodos anticoncepcionais hormonais podem ser orais , a pílula , ou injetáveis . Ambos são efetivos na proteção a gravidez sendo que as doses no método injetável utilizam maior quantidade de hormonios e podem causar maiores efeitos colaterais .
    A pílula anticoncepcional oral , que é comercializada em doses variadas ,com um ou dois tipos de hormonios, é o medicamento mais utilizado com a finalidade de prevenção de uma gravidez. Uma em cada quatro mulheres no Brasil utilizam o método , por ser seguro, prático e de baixo custo. A decisão do tipo de método anticoncepcional hormonal deve ficar a cargo do médico e da paciente , que avaliarão cada caso e os riscos inerentes de cada um deles.
    Outro método de anticoncepção feminina muito utilizado são os dispositivos intrauterinos. Os DIUs são artefatos de plástico e cobre e são obrigatoriamente colocados pelo médico dentro da cavidade do útero. O cobre existente no artefato prejudica a mobilidade dos espermatozóides e os destrói na seqüência , prejudicando assim a fecundação. Apesar da sua efetividade , os DIUs podem causar efeitos colaterais , como aumento dos fluxos menstruais que quando repetidos e volumosos podem ocasionar anemia.
    Na prática existem métodos radicais de anticoncepção através da esterilização cirúrgica. Nas mulheres , a técnica consiste na obstrução das trompas a laqueadura tubária , que pode ser realizada através de cirurgia abdominal , vaginal ou por laparoscopia. Nos homens , a esterilização cirúrgica consiste na obstrução dos canais deferentes por onde passam os espermatozóides. Assim , após a cirurgia o homem terá ejaculação normal mas sem a presença de espermatozóides. A vasectomia tem a possibilidade de ser revertida através de microcirurgia , enquanto que a laqueadura tubária tem um grau muito maior de dificuldade na reverssão , motivo pelo qual a decisão de um casal em previnir a gravidez , ou não ter mais filhos , deve ser muito bem pesada e avaliada para que não ocorram arrependimentos no futuro.

     

    Tabagismo, epidemia mundial
    Milton Artur Ruiz

    A Organização Mundial de Saúde considera o tabagismo como uma epidemia, e como tal deve ser combatida, já que 3 milhões de pessoas morrem por ano em virtude das doenças que o cigarro provoca.
    No país, há 30,6 milhões de indivíduos que fumam, correspondendo a 23,9% da população. E a mortalidade atinge, só no Brasil, cerca de 80 mil fumantes por ano.
    O cigarro é responsável por 80% a 90% das mortes por câncer de pulmão, causadas pela bronquite crônica e efisema pulmonar e 30% dos infartos do coração. Quem fuma tem mais chances de adquirir câncer de boca, de laringe, de esôfago, estômago, pâncreas, rim e bexiga, mesmo se a pessoa fuma um só cigarro por dia. Isso pode acontecer, porque o cigarro diminui as defesas orgânicas. Além disso, aumenta o risco de contrair doenças infecciosas, como a tuberculose.
    Com isso, a Associação Médica Brasileira -AMB - pretende reforçar a sua campanha de combate ao tabagismo. O seu programa contra o fumo foi instaurado em 1979, e adotado pelo Ministério da Saúde em 1985. Atualmente, um dos destaques deste programa é sua integração nas Unidades Básicas de Saúde do país.
    O primeiro passo da nova campanha é a distribuição de um panfleto informativo nos vôos comerciais, com o objetivo de conscientizar os passageiros de avião quanto aos males do cigarro, recomendando a abstinência após o período de 1 hora de vôo, quando é liberado o fumo. Os argumentos utilizados são apoiados na informação de que a exposição contínua à poluição do cigarro dobra o risco de doenças cardíacas, e em ambientes fechados, o monóxido de carbono gerado pelo cigarro chega a atingir concentrações atmosféricas de 100 a 200 partes por milhão, quando o padrão do bom é de apenas 9 partes por milhão.
    A campanha terá apoio e patrocínio do Departamento de Aviação Civil (DAC) e da Transbrasil, que ficarão encarregados da impressão e distribuição de 600 mil folhetos, que circularão por um período de 30 dias nos vôos domésticos.
    O lançamento oficial deve ocorrer no início deste ano, pois é o período em que o fluxo de passageiros é maior. E também está prevista durante a campanha uma grande divulgação em toda a imprensa, com o intuito de ampliar a campanha, com a adesão da sociedade e autoridades da área de saúde, já que a proposta não ficará restrita somente aos aviões, atingindo também outras áreas.

    Fumo é considerado droga

    Nos Estados Unidos, segundo o FDA, órgão que regulamenta os alimentos e medicamentos, o cigarro é considerado droga, pois possui substância que provoca vício e depêndencia, a nicotina.
    O fumo é nocivo à saúde, porque contém milhares de substâncias tóxicas, sendo identificadas, além da nicotina, mais de 4.700 substâncias. Conforme a qualidade do tabaco e a maneira de tragá-lo, inala-se em média cerca de 200 a 2.500 dessas substâncias.
    Após uma tragada, a nicotina chega ao cérebro em 7 segundos. Se uma pessoa fuma um maço por dia, o cérebro recebe 200 impactos de nicotina, totalizando 73.000 mil impactos por ano. Nenhuma outra droga age com esse volume ou intensidade, provocando malefícios e lesando praticamente todos os órgãos.
    Cada vez que a nicotina chega ao cérebro, ela provoca a liberação de grande quantidade de hormônios, vendo muitos desses psicoativos. Os receptores cerebrais que reconhecem a nicotina exigem quantidades cada vez maiores, com o decorrer do tempo, para ter o mesmo nível de resposta.
    A nicotina é um líquido amarelo e oleoso, responsável pela dependência e vasoconstrição. E uma substância que causa dependência, como a heroína, a cocaína e o álcool, só que é a mais forte de todas, no sentido de que é a mais difícil de ser abandonada. Quando o organismo se adapta à nicotina, começa a dependência física e psíquica, e então as pessoas necessitam, cada vez mais, de cigarro.
    Isto está associado com os níveis de nicotina no sangue, já que a pessoa que fuma tem uma taxa habitual de nicotina na circulação sangüínea, e precisa mantê-la. Como isso, aparece a vontade de fumar, que é quando a pessoa necessita de uma nova reposição para restabelecer o equilíbrio anterior.
    A nicotina entra no corpo humano através da fumaça do cigarro pela boca, cai nos vasos sangüíneos que envolvem os alvéolos, e distribui-se na circulação sangüínea. Os órgãos do corpo humano são vascularizados, isto é, todos têm vasos com sangue para sua alimentação e funcionamento. Quando a nicotina está no sangue, ela diminui o calibre, ou seja, a largura das veias e artérias, causando a vasoconstrição.


    Efeitos da vasoconstrição

    • Nos ossos, causando a osteoporose. Os ossos com menos sangue tendem a apresentar diminuição do volume, principalmente em mulheres após a menopausa, facilitando o aparecimento de fraturas e dores ósseas.
    • Antecipa a menopausa na mulher, o que também pode intensificar a osteoporose.
    • Na pele, propicia o surgimento precoce das rugas. A pele é menos irrigada, tornando-se mais seca, e isto favorece o surgimento das rugas. Além disso, aumenta a produção de uma substância que quebra o colágeno.
    • Nos testículos.
    • No cérebro. Um estudo recente feito na Universidade de New York revelou que os filhos de mães que fumam, apresentaram, em torno dos quatro anos de idade, QI (coeficiente de inteligência) nove pontos inferior aos filhos de mulheres que não fumaram durante a gravidez. Isto deve-se à menor oxigenação do cérebro das crianças. E nas pessoas que fumam há maior incidência de derrame, dobrando também o risco de demência senil, a doença de Alzheimer.
    • O coração é um músculo que necessita de grande quantidade de sangue, que é levado através das artérias coronárias. A vasoconstrição aqui é grave, favorecendo o Infarto agudo do miocárdio (IAM). A doença ocorre porque uma parte do coração fica sem sangue, podendo levar à morte em poucos minutos, dependendo da quantidade de músculo não irrigada e também do tempo que leva o paciente a ser atendido.
    • Nos vasos sangüíneos. Pode ocorrer uma doença chamada Tromboangeíte Obliterante, que entope os vasos, e problemas nos membros inferiores, podendo até evoluir para a amputação.

    Os fumantes passivos

    As pessoas que convivem à poluição ambiental, seja nos locais de trabalho, nas residências ou em outros locais, inalam substâncias tóxicas do fumo. Isto foi comprovado por testes, já que essas pessoas apresentavam, em quantidades variáveis, a nicotina na urina, no sangue e na saliva. Essas pessoas são chamadas de fumantes passivos.
    O mal causado pelo cigarro aos fumantes passivos varia de acordo com o tempo e a intensidade de exposição à fumaça do tabaco e também de acordo com a idade. A capacidade pulmonar em indivíduos não fumantes expostos ao cigarro é praticamente igual à de pessoas que fumam de 1 a 10 cigarros por dia.
    Na literatura médica, vários autores correlacionam o tabagismo passivo com sintomas respiratórios em crianças, bem como rinite, otite e asma. É compreensível que as crianças cujas famílias fumam, inalem constantemente os elementos tóxicos do fumo, apresentando diversas doenças respiratórias. Elas podem apresentar mais casos de "chiato no peito", bronquiolite, pneumonia, bronquite, sinusite e amigdalite.
    Os adultos expostos à poluição tabágica no domicílio ou no local de trabalho, durante 10 anos ou mais, têm valores funcionais respiratórios abaixo dos padrões normais, e também com maior risco de Infarto e câncer de pulmão.
    Não há dados sobre a quantidade de fumantes passivos no mundo. Sabe-se apenas o número, deve ser cerca de 1 bilhão de pessoas, pois estima-se que os fumantes passivos são, pelo menos, o dobro de fumantes regulares. O percentual de crianças fumantes passivas oscila entre 50 a 70%. No Brasil, um estudo feito pelo Programa Nacional de Combate ao Fumo com 72 mil crianças em 21 estados, revelou que 49,5% tinham em média 1,7% fumante em seus lares. Isto demonstra que cerca de 16 milhões de crianças de até 10 anos estão entre os fumantes passivas, enfim sob risco.

     

    Como é a Síndrome da Tensão Pré-Menstrual
    Milton Artur Ruiz

    Acessos súbitos de irritação, choro, agressividades sem causa aparente atacam as mulheres em certos dias e sempre foram tratados pela família com impaciência e descaso.
    Hoje em dia, essas alterações do humor feminino, alguns dias antes da menstruação, já não é mais um mistério. Ao contrário, constitui objeto de estudo sério por parte dos cientistas e pesquisadores, em particular os médicos. A esse mau humor feminino, que para muitos especialistas constitui uma síndrome, não é uma doença, dá-se o nome de Tensão Pré-Menstrual ou TPM.
    A TPM não deve ser menosprezada, em alguns casos, ela pode levar a graves conseqüências. Esses distúrbios emocionais chegam a ser responsáveis por desatinos que ultrapassam pequenos desentendimentos até agressões ou crimes cometidos por mulheres nesse período.
    A Síndrome Pré Menstrual é um assunto pouco conhecido pelas pessoas, e que atingem muitas mulheres, que sentem essas alterações de comportamento no período que antecede a menstruação, que se resume numa fase passageira.
    No entanto, a TPM, como é mais conhecida, é muito mais grave do que se imagina. Estatísticas comprovam que o distúrbio atinge 30% das mulheres brasileiras. E nessa fase turbulenta, são cometidos todos os tipos de desatinos, até crimes de morte.
    A TPM é classificada pela Organização Mundial de Saúde como "um quadro de distúrbios do trato genital feminino", e desde a década de 80 tem despertado interesse na área médica, por afetar a vida de grande maioria das mulheres em todo o mundo, durante a sua fase reprodutiva, ou seja, dos 14 aos 40 anos de idade.

    Sintomas:

    Atualmente, foram diagnosticados mais de 80 sintomas diferentes da síndrome, sendo que os casos mais graves são aqueles em que os pacientes reúnem vários deles.

    Entre os sintomas físicos mais comuns estão:

    • dores musculares;
    • enxaqueca;
    • inchaço no abdômen;
    • cólicas;
    • aumento do volume dos seios;
    • e dor discreta e muita sensibilidade nos mamilos.

    Podem ocorrer também sensação de peso, retenção de líquido, com conseqüente aumento de peso (de até 6 quilos), distúrbios gastrointestinais e até mesmo surgimento de fenômenos alérgicos, como herpes e acne. São comuns também algumas mudanças de comportamento e do sono, e redução do apetite sexual.
    Mas o que mais intriga na TPM, que ocorre num período de 2 a 10 dias antes da menstruação, são as manifestações no campo do comportamento, atraindo ginecologistas e psiquiatras para estudar o problema.
    Todos os sintomas da TPM, que para muitos médicos é apenas um disfunção e não uma doença, variam de mulher para mulher e de mês para mês. Os números indicam que mais de 90% das mulheres apresenta um ou outro sintoma. Mas entre 3% a 5% têm sintomas tão graves que as deixam impossibilitadas de executar suas tarefas normais.

    Causas da TPM:

    O grande problema da TPM é que, apesar de ser facilmente diagnosticada, suas causas continuam desconhecidas. Por isso, há várias teorias para explicar os sintomas, mas nenhuma plenamente satisfatória.
    Para os ginecologistas, é fruto de uma disfunção hormonal. Para os médicos, seria originário de falhas nos neurotransmissores cerebrais, como a seretonina, uma substância química que participa na regulação do sono e do humor, o que explicaria os sintomas psicológicos.

    • Tratamento:

    Mas qualquer que seja o diagnóstico, a TPM tem cura. Ou pelo menos diversos tratamentos, que vem surtindo bons resultados.
    O tratamento varia conforme a causa provável. Se há um desequilíbrio hormonal, geralmente recomenda-se o uso de algum tipo de pílula anticoncepcional, mas que deve ser receitado pelo ginecologista, capaz de analisar o caso.
    Com alguns cuidados alimentares, exercícios e um cultivo de hábitos saudáveis, aliado à prática de controle mental e do exercício da paciência, a tendência é diminuir a TPM, porque nenhuma mulher consegue livrar-se totalmente dela.
    Portanto, só resta aprender a conviver com ela, e que é mais uma tarefa árdua, especialmente para a mulher, mas que pode se tornar mais amena se ela contar com a ajuda e compreensão dos que a cercam.

    Alguns cuidados para prevenir a TPM

    • Praticar exercícios regularmente. Eles liberam morfinas, calmantes naturais produzidos no cérebro, diminuindo a incidência da síndrome.
  • Procurar fazer exercícios de relaxamento e meditação, como ioga e tai chi chuan, por exemplo. Hobbies como jardinagem e pintura podem ser úteis.
  • Recomenda-se a psicoterpia para os casos onde não forma constatadas causas físicas capazes de produzir desconforto durante esse período, aparecendo somente mudanças de comportamento.
  • Além desses cuidados, após o 14º dia do ciclo deve-se:

    • Reduzir a ingestão de sal e líquidos. Dessa forma, evita-se o inchaço.
  • Aumentar o consumo de alimentos ricos em vitaminas do complexo B. Elas funcionam como diuréticos naturais e combatem as dores musculares e a enxaqueca. A vitamina B é encontrada em cereais integrais, verduras, ovos e levedo de cerveja.
  • Diminuir o consumo de café, chá preto, chocolate e refrigerantes. As xantinas existentes nesses alimentos elevam a produção de prostaglandinas, substâncias responsáveis, em parte, pela dolorosa contração dos músculos do útero.
  • Adicionar maior quantidade de verduras, legumes e frutas à dieta alimentar, para garantir o funcionamento normal do aparelho gastrointestinal.
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    Alcoolismo, uma doença séria

    Normalmente, beber socialmente, com os amigos, não faz mal à saúde, é até um estimulante saudável. Mas beber com freqüência podem conduzir à debilidade física, mental e principalmente a dependência.

    O alcoolismo é uma síndrome que consiste em duas fases: o problema da bebida e a dependência ao álcool. O problema de beber constantemente é o uso repetitivo do álcool, geralmente seguido de ansiedade e problemas emocionais.

    As bebidas alcóolicas agem no cérebro de maneira muito semelhante aos anestésicos utilizados nas salas de operação dos hospitais. E ingerido em grandes quantidades, o álcool pode provocar o sono e até matar.

    Seu efeito depressivo aparece claramente em testes realizados em laboratórios. À medida que a concentração alcóolica aumenta, o pensamento lógico e a atividade objetiva diminuem, e o indivíduo vai perdendo o senso de contenção e discriminação.

    Nos primeiros goles, o álcool deixa a pessoa mais expansiva, extrovertida, enquanto que muitos copos produzem a inconsciência. As concentrações muito altas de álcool no sangue pode deprimir o centro cerebral que controla a respiração, perturbando-a de tal forma que até pode levar à morte.

    A distinção entre o uso aceitável e a dependência do álcool não é nítida, e é variável entre as diversas culturas e grupos sociais. A Classificação Internacional de Doenças define dependência como "um conjunto de fenômenos fisiológicos, comportamentais e cognitivos nos quais o uso de uma substância ou classe de substâncias torna-se prioritário em relação a outros comportamentos que anteriormente tinham maior importância para um dado indivíduo". Uma característica de dependência é o desejo irresistível de usar o álcool, cada vez mais em grandes quantidades.

    Os problemas relacionados ao alcoolismo, em média, aparecem por volta dos quarenta anos, como conseqüência do hábito de beber iniciado muito tempo antes, na maioria das vezes na juventude. O alcoólatra se inicia habitualmente ao etilismo social, quando percebe que a bebida atenua as tensões internas e alguns conflitos pessoais. Com o decorrer do tempo, ele se torna cada vez mais dependente da bebida, como um meio para reduzir a ansiedade e esconder seus problemas.

    Sintomas e Conseqüências do Alcoolismo

    Os principais sintomas do alcoolismo são a deterioração psicológica e física do paciente. Com a deterioração psicológica, a pessoa gradativamente vai perdendo a sua capacidade mental, tornando-se descuidada e impontual, além de não conseguir concentrar-se no trabalho ou em tarefas habituais.

    A deterioração física pode transparecer através do aumento de peso e da flacidez aparente. Nos últimos estágios da doença, o paciente pode perder peso rapidamente, devido à subnutrição e aos efeitos do álcool no fígado.

    O álcool agride o revestimento do estômago e dos intestinos, as células do fígado morrem e são substituídas por um tecido fibroso, causando a cirrose hepática. E a desnutrição pode afetar os músculos cardíacos e os nervos dos braços e pernas. Além disso, como sua resistência orgânica é enfraquecida pela álcool, os alcoólatras tendem à pneumonia e à tuberculose, e qualquer outro tipo de infecção.

    Um dos sintomas mais conhecidos é o delirium tremens, que é uma série de alterações agudas que ocorrem nos alcoólatras crônicos. Surge com uma agitação e insônia e se desenvolve em delírio depois de um ou dois dias. Quando a doença se agrava, podem aparecer alucinações, que freqüentemente tomam forma de animais, dos quais o doente tenta fugir.

    AS conseqüências no sistema nervoso central e periférico podem aparecer sobre a forma de diversas doenças, como síndromes cerebrais crônicas, degeneração cerebral, cardiomiopatia e neuropatias periféricas. Os efeitos direitos no fígado são cirrose e eventuais falhas hepáticas. Efeitos indiretos podem aparecer, como anormalidades protéicas, problemas de coagulação, deficiências hormonais, e o aumento da incidência de neoplasmas no fígado.

    Tratamento

    Há quatro tipos de tratamentos para o alcoolismo: o psicológico, social, médico e comportamental.

    O mais importante ponto de referência para o médico no tratamento do alcoólatra é descoberta do problema psicológico. A negação do paciente (ele nega ser alcoólatra) deve ser encarada, lidando com o seu comportamento, e percebendo suas conseqüências. Deve-se evitar indagar porque o paciente bebe, e dar ênfase a solução do problema, como fazê-lo parar de beber.

    O tratamento social seria levar o paciente a freqüentar as reuniões dos Alcóolicos Anônimos (AA). Essas reuniões ajudam o paciente, através de conselhos com psiquiatras e religiosos, além de outros recursos.

    A hospitalização do paciente nem sempre é necessária. Às vezes é usada para dramatizar a situação e forçar o paciente a encarar o problema do alcoolismo, mas geralmente é usada com indicações médicas.

    Devido as complicações, um exame completo no paciente deve ser feito, com teste laboratoriais, com especial atenção ao fígado ao sistema nervoso.

    A terapia do comportamento vem sendo usada com sucesso para o tratamento de alcoolismo. Condições aproximadas ao comportamento do alcoólatra são usadas, e a mais comum é um tipo de terapia de aversão. Ao paciente é dado uma dose de whisky e um medicamento que causará vômitos. Com isso, haverá a associação de que a bebida causa vômitos.

     

    O que todos precisam saber sobre a Próstata
     Milton Artur Ruiz

    No limiar do terceiro milênio cada vez mais o aforisma de que saber é poder mais e mais revela-se verdadeiro. Morre-se a cada dia de ignorância e salva-se, ou vive melhor, o que detém conhecimento e condições de optar pelo melhor em relação a saúde e doença em geral. Este intróito se faz fundamental no sentido de que cada vez mais os médicos e a população dispõem de informações sobre saúde e muitas vezes por ignorância não as utilizam ou resistem a elas, baseando decisões em mitos ou tabus.

    Tudo o que foi dito serve para as doenças prostáticas que todos, desde homens à familiares devem estar informados. Não existe homem, principalmente após os 50 anos, deixará de apresentar um doença de próstata, seja ela uma infeção, dilatação, ou mesmo a mais temida, o câncer de próstata .

    A próstata é um órgão glandular que existe no homem em forma de noz com 4 centímetros de comprimento, que fica logo abaixo da bexiga e tem como função principal produzir o sêmen, que é o líquido que ajuda a transportar o esperma produzido nos testículos. A sua localização faz com que o órgão tenha contiguidade com a bexiga, uretra, base do pênis, e reto, e muitos dos sintomas que os pacientes nos problemas prostáticos poderão apresentar se relacionam com esta proximidade anatômica. A próstata é regulada e sofre influência de vários hormônios em particular a testosterona para cumprir as funções de proteção contra substâncias nocivas ao aparelho urinário e reprodutor masculino.

    As doenças que acometem a próstata são a prostatite, a Hiperplasia prostática benigna e o Câncer de próstata e é sobre elas que todos devem saber. E para isto uma nova contribuição está a disposição de todos , no livro "Doenças da Próstata , um guia para os homens e para as mulheres que os amam ", de Patrick Walsh e Janet Worthington. A obra, produzida pelo urologista chefe do John Hopkins Medical Hospital de Baltimore, traduzida para o português, com 420 páginas e editada pela Livraria Martins Fontes.

    A importância desta edição baseia-se no fato de que nos Estados Unidos 300 mil homens, só neste ano, serão diagnosticados de câncer de próstata e 40 mil mortes ocorrerão, em decorrência deste tipo de câncer. O livro tem o objetivo de ser um acessório aos pacientes e médicos para que juntos superem a barreira do desconhecimento, para que o número de sobreviventes com qualidade de vida aumente exponencialmente.

    Prostatite

    Prostatite é a inflamação da próstata. Ela tanto pode ser aguda como crônica , ou seja permanecer por períodos mais longos. É bastante comum nos homens, rara antes da puberdade e é causada geralmente por bactérias. As infecções prostáticas quase sempre andam juntas com infecções do aparelho urinário e a identificação precisa do germe responsável, assim como o seu tratamento adequado fazem com que a cura se estabeleça.

    A infecção aguda chega de repente e os avisos de que o problema se localiza na próstata podem ser indicados por calafrios e febre, sintomas comuns a todas infecções, associado a dores nas costas, dor, dificuldade e excesso de vontade de urinar, e perda de sangue na urina. O germes comumente responsáveis pela infecção são os da espécie coli e pseudomonas e mais raramente enterococcus . O diagnóstico se faz com e exame de urina e complicações de retenção da urina não são freqüentes.

    No entanto quando isto ocorre, existe a necessidade de cateterização uretral para esvaziamento da urina retida. Nestas situações, o seguimento médico é obrigatório para que o problema seja debelado e não se cronifique. A prostatite também pode ocorrer por causas não bacterianas e outro problema também não relacionado a infecções é a prostatodinia.

    Hiperplasia prostática benigna 

    Hiperplasia prostática benigna é o aumento benigno da glândula prostática. 20% dos homens na faixa etária que vai dos 40 aos 50 anos a possuem, enquanto que 80% tem HPB acima dos 80 anos de idade. Aos 55 anos de idade 25% dos homens queixam-se de sintomas relacionados a micção.

    Os sintomas relacionam-se ao fluxo fraco, hesitação em começar a urinar e necessidade de esforçar-se para que o ato de urinar se inicie. O fluxo urinário pode ser intermitente, começando e parando várias vezes, e pode haver dificuldade em parar a micção que continua a ocorrer em gotas. Os pacientes relatam, freqüentemente após a micção, a sensação de que a bexiga não foi esvaziada, e quando ocorre obstrução total incapacidade de urinar. Outros sintomas clássicos da HPB são a premência e a necessidade noturna de urinar.

    Câncer de Próstata 

    A incidência do câncer de próstata aumenta com a idade, e muitas vezes os diagnósticos dos pacientes são assintomáticos ou apresentam os sintomas descritos da HPB. Outros dos sintomas referem-se as dores na região prostática ou relacionadas, ósseas e perda de peso.

    O diagnóstico precoce é fundamental para o prognóstico. Para tanto o exame clínico, visita ao urologista, toque retal para avaliar o tamanho da próstata e endurecimentos que orientarão a seqüência da investigação do paciente. A ultrassonografia prostática, exames laboratoriais, em especial o antígeno prostático específico (PSA), completarão o estudo do paciente.

    O câncer de prostata é curável e hoje a chave é a prevenção que decorre da informação , medidas e opções adequadas que só o seu médico pode lhe ofertar.

    Sinais e sintomas da HPB

    • Fluxo fraco
    • Necessidade de impulsionar ou esforçar-se para que o fluxo se inicie
    • Fluxo urinário intermitente (começa e pára várias vezes)
    • Dificuldade de parar de urinar
    • "Gotejamento" após a miccção
    • Sensação de não conseguir esvaziar a bexiga
    • Total incapacidade de urinar

    Tipos de prostatite e sintomas

    Tipo Bacteriana Aguda Bacteriana Crônica Não bacteriana
           
    Definição/

    Causa

    Provocada por bactérias; intensa mas de duração limitada. Provocada por bactérias; de duração indefinida; pode ir e voltar. Não causada por bactérias; de causa desconhecida.
           
    Sintomas Calafrios, febre; sangue na urina; dor na parte inferiro das costas e no períneo; dificuldade de urinar. Associada a uma reincidência de infecções do trato urinário; miccção difícil e freqüente, com dores ou queimação, e dores em um ou mais lugares. Miccção difícil e freqüente, com dores ou queimação, e dor aguda ou vaga em áreas que incluem a parte inferior das costas, pênis, períneo, escroto e região púbica.
     

    Distúrbios do sono
     Milton Artur Ruiz

    O sono é um estado de repouso normal e periódico, que no homem e nos animais superiores se caracteriza especialmente pela suspensão da consciência, pelo relaxamento dos sentidos e dos músculos, pela diminuição do ritmo circulatório e respiratório, e pela atividade onírica. Pelo sono, o organismo repara as usas forças, e é essencial para restauração da mente e do físico. Mas nem todas as pessoas conseguem ter um sono tranqüilo.

    Embora o sono seja necessário para a sobrevivência, sua contribuição homeostática precisa é desconhecida. As necessidades variam muito entre os indivíduos e são influenciadas por uma série de fatores, incluindo o estado emocional atual.

    Os distúrbios do sono afetam a capacidade de adormecer e/ou de permanecer dormindo, que prejudica muito o sono ou resulta em comportamento anormal associado ao sono. Estão catalogados aproximadamente 84 tipos de anormalidades, que interferem na qualidade de vida de uma pessoa saudável, atrapalhando em sua vida e segurança, pois prejudicam o desempenho no trabalho, no trânsito e em todas as atividades. Estes problemas incluem problemas de permanecer acordado ou ficar em um ciclo de dormir e acordar, sonambulismo, suor noturno, pesadelos, insônia, síndrome das pernas inquietas, ronco e apnéia do sono. Algumas dessas anormalidades podem ser potencialmente fatais.

    Os distúrbios do sono são diagnosticados e tratados por uma grande variedade de especialidades, incluindo clínicos gerais e especialistas nas áreas de neurologia, pneumologia, psiquiatria, psicologia, pediatria, entre outras.

    Percebendo esta importância, em 1987 foi fundado o American Sleep Disorders Association (ASDA), para fornecer e estimular pesquisas sobre esses distúrbios para o público e para a comunidade médica. A ASDA é a maior entidade nos distúrbios do sono, e representa várias clínicas e pesquisas nesta área. O endereço da ASDA na Internet é http://www.asda.org.

    Parasonias - distúrbios que atrapalham as noites de sono

    Na última década houve um aumento de interesse no estudo do complexo natural motor e alterações de comportamento que surgem durante o período do sono (parasonias). A formação e concepção da maioria do complexo motor das atividades e experiências e fenômenos incomuns surgem durante o sono devido a alguma manifestação do sonho, e relatadas na literatura psiquiátrica e psicológica.

    Estes fenômenos, que preferencialmente tomam a forma de comportamentos complexo aparecem durante o estado do sono, são mais comuns do que parece, e muitas vezes ignoradas pelo médicos, ou apenas considerados distúrbios psiquiátricos. A maioria destes eventos são devido a condições que raramente são diagnosticadas corretamente, e necessitam de um tratamento eficaz.

    A mais comum das parasonias são os distúrbios de despertar, que surgem no sono não REM (movimento rápido dos olhos), e incluem confusões ao acordar, sonambulismo e terrores noturnos. Muitos especialistas acreditam que estes distúrbios compartilham dos mesmos sintomas. Essencialmente, eles aparecem porque a pessoa está num estágio misto de sonolência e acordado. A pessoa está desperta o suficiente para manifestar alguns comportamentos, e está adormecido para não lembrar do que fez.

    As confusões de despertar normalmente ocorrem em crianças, mas também podem aparecer em adultos. Os episódios começam com choro. A pessoa parece estar acordada e pode aparentar confusão ou preocupada, e geralmente resiste ao consolo, e apresenta dificuldade de ser acordado. Isto pode ocorrer por meia ou uma hora. Normalmente termina quando a pessoa se acalma, acordando rapidamente, retornando a dormir.

    O sonambulismo é caracterizado pelos atos de sentar, levantar ou ter outro comportamento complexo durante o sono, ou seja, quando a pessoa levanta da cama, estando dormindo, e anda pela casa ou pratica certas ações. O sonâmbulo geralmente volta a sua cama ou acordam em algum lugar diferente da casa. Também podem falar, mas é muito difícil entender o que dizem, pois muitas vezes o que falam não faz sentido.

    Durante o sonambulismo, os olhos da pessoa geralmente estão abertos, mas sem evidência de reconhecimento. Podem murmurar repetidamente e se machucar durante o sonambulismo. O tratamento visa proteger o paciente de qualquer traumatismo.

    Os terrores noturnos são episódios apavorantes, com gritos e agitação, sendo a forma mais dramática das confusões ao despertar. O comportamento da pessoa sugere extremo terror, com as pupilas dilatadas, respiração ofegante, palpitação, sudorese e extrema agitação. Durante este episódio, a pessoa pode se levantar e andar pela casa, podendo até se machucar.

    As pessoas que apresentam estes distúrbios não percebem o que estão fazendo e não se lembram dos incidentes pela manhã. O terror noturno é o pior de se observar. As pessoas que apresentam os terrores não se lembram das imagens que o assustaram, distinguindo dos pesadelos ou dos maus sonhos.

    Nestes casos, o tratamento é necessário. A família do sonâmbulo deve ter certeza de que estes eventos não tem ligação nenhuma com algum problema psiquiátrico. Nas crianças, normalmente, o sonambulismo vai desaparecendo quando ela cresce.

    Para manter a pessoa em segurança, é necessário tomar certas medidas de precaução. Dentre ela, retirar do quarto objetos perigosos, fechar janelas ou colocar grades, acomodar a pessoa para dormir no piso térreo, se possível, e instalar trancas e alarmes nas portas e janelas para aumentar a segurança da família e do sonâmbulo.

    Nos casos graves envolvendo violência ou excesso de alimentação durante os episódios, o tratamento pode ser efetivo, que pode incluir intervenção médica com a prescrição de medicamentos ou modificação do comportamento através da hipnose ou de relaxamentos.

    Caso estes sintomas apareçam com muita freqüência, procure o seu médico de confiança que certamente, lhe dará a orientação e destino correto.

    Guia para ter um bom sono, aliviando todos os tipos de distúrbios do sono

    • Acorde sempre na mesma hora todo dia.
  • Vá dormir apenas quando estiver com sono.
  • Estabeleça rituais de relaxamento antes de dormir, como banho morno, um lanche leve antes de dormir ou 10 minutos de leitura.
  • Faça exercícios regularmente. Faça-os com um intervalo de 6 horas antes de ir para a cama.
  • Mantenha uma rotina. Tenha horários regulares para refeições, para tomar medicamentos, etc.
  • Não coma e nem beba nada que contenha cafeína antes de dormir. Não ingira bebida alcóolica algumas horas antes de ir dormir, o cansaço pode intensificar o efeito do álcool.
  • Evite fumar perto da hora de deitar.
  • Se há um costume de tirar uma soneca durante o dia, faça-a sempre num mesmo horário. Para muitas pessoas, um cochilo após o almoço pode ajudar a dormir bem à noite.
  • Evite usar pílulas para dormir, ou se necessitar, use-as de forma moderada. Muitos médicos evitam prescrever esses medicamentos por um período maior de 3 semanas. Nunca ingira bebida alcóolica junto com pílulas para dormir.
  • Fonte ASDA

     

    Lupus , uma doença de múltiplas facetas
     Milton Artur Ruiz

    O Lupus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória generalizada . Ela insere-se dentre as doenças denominadas reumáticas, atingindo de preferência mulheres jovens na idade fértil. Mais raramente ela pode acometer mulheres na menopausa e homens em qualquer idade. É uma doença de múltiplas facetas, pois pode comprometer com intensidade variável , inúmeros órgãos e sistemas .

    As manifestações clínicas da doença são decorrentes de anormalidade da imunidade dos pacientes, que produzem anticorpos, ou apresentam complexos de substâncias, antígenos e anticorpos que vão se acumulando em vasos ou estruturas do organismo prejudicando suas funções ou passam de maneira inadequada a destruir suas próprias células de maneira suicida. Ou seja, atuam contra suas próprias células como se não as reconhecessem como próprias e sim como estranhas. Por isto é que o Lupus, junto com outras moléstias, classifica-se como uma doença auto imune.

    O seu reconhecimento geralmente é simples, mas às vezes é difícil dependendo da forma de apresentação inicial. Sintomas de aviso, ou prodrômicos, podem ocorrer , e são fatos que antecipam o aparecimento da moléstia como a presença problemas de pele, dores articulares, problemas renais ou a presença de manchas pelo corpo que configuram um quadro clínico chamado de púrpura.

    Às vezes, as manifestações que chamam a atenção são de origem neurológica. O paciente começa a perceber dificuldade na escrita, que pode mudar e piorar progressivamente, fica irritado, tenso, e às vezes com insônia, que dependendo da atividade e vida do paciente ser diagnosticado como um estresse. Muitas vezes o quadro é típico de psicose. Em relação a este dado o cuidado, principalmente em pessoas de mais idade , deve ser redobrado, devendo-se então procurar, sintomas e critérios adicionais da moléstia .

    Neste casos específicos foram detectados anticorpos responsável pelos sintomas psicóticos relato este que foi descrito em nosso país. A gravidade da moléstia dependerá dos órgãos ou do sistema mais afetado. O comprometimento cardíaco é freqüente e pode ser grave. Alterações pulmonares são menos freqüentes, mas podem ser um sinal de péssimo prognóstico.

    Dentre os órgãos habitualmente afetados encontram-se os rins. O diagnóstico do comprometimento renal deve ser rápido, pois a atuação médica precoce é que fará com que a inflamação não danifique os rins. Dependendo da magnitude da lesão, a doença poderá causar um dano irreversível, inclusive com perda da função renal. Em relação a este dado a literatura médica é ampla, e cada vez mais o estudo das alterações renais se realiza, procurando-se através da biópsia renal e com a retirada de fragmento do tecido para estudo, predizer a evolução e o prognóstico de cada paciente.

    Em relação a este dado, o departamento de patologia da Universidade de Yale, dos Estados Unidos, considera o procedimento crucial, que associado a diversos outros métodos laboratoriais, pode determinar indubitavelmente a melhor maneira de se tratar cada paciente.

    As alterações renais da doença estão sistematizadas pela Organização Mundial da Saúde e correlacionam-se com a resposta aos medicamentos utilizados, a dados clínicos e aos resultados dos exames de sangue, bioquímicos e de urina.

    Os pacientes que apresentam quadro grave de comprometimento renal devem ser tratados agressivamente com os recursos medicamentos hoje disponíveis como preconiza a escola de Medicina de Chapel Hiil da Universidade da Carolina do Norte dos Estados Unidos, em artigo recente publicado na revista Lupus. Este relato, como muitos outros alertam para a necessidade do uso de hormônios e de agentes imunossupressores em doses adequadas nas fases agudas para se evitar danos futuros ao rim.

    Apesar da gravidade que a doença pode assumir, ela é insidiosa, ou seja, é manhosa, melhora e os sintomas desaparecem. Mas, é uma doença crônica e por isto, sempre existe a necessidade de ser vigiada, pois assim feito permitirá que a maioria dos pacientes tenham vida ativa, produtiva, feliz dentro da normalidade.

    Prof. Dr. Milton Artur Ruiz

    Coordenador de Ensino do TMO , Pós Graduação da Faculdade de Medicina de S.J. Rio Preto , SP.

     

    Evidências em Medicina
     Milton Artur Ruiz

    Na prática médica do dia a dia dos consultórios , o médico para realizar as suas prescrições baseia-se, no conhecimento da doença a ser tratada e suas nuances, nos textos básicos , nas peculiaridades e características do paciente em questão . Quando algum novo medicamento ou forma de tratamento é incorporado , ele , na maioria das ocasiões advém de informações oriundas , de laboratórios científicos , de comunicados ou artigos obtidos de revistas nacionais ou estrangeiras, e as vezes de informações adquiridas em congressos ou encontros médicos .
    Eventualmente , comunicados ou experiências de colegas mais antigos e experientes , ou de renome , ganham peso decisório
    e passam a fazer parte do receituário cotidiano de uma grande plêiade de médicos .
    A partir de 1992 com a criação da Colaboração Cóchrane pelo Dr.Iain Chalmers, que tem o objetivo de realizar revisões sistemáticas da literatura médica e análise dos resultados, método passível de ser empregado para qualquer área da medicina , noções arraigadas do ensino e prática médica modificaram-se.
    Exemplificando , existe a idéia de que a vitamina C causa um benefício no tratamento dos quadros gripais. Mais , que a mesma quando empregada em doses elevadas nos meses de inverno prevenia, ou mesmo evitava que as pessoas contraissem quadro gripal. Ou seja a vitamina C ajudava e reduzia os efeitos de uma gripe. Assim há longo tempo, vitamina C e cama , faz parte do mito popular e de alguns receituários, além de povoar as campanhas publicitárias de laboratórios farmacêuticos.
    Adicionalmente a vitamina C ,sempre contou com o peso e o carisma do Dr.Linus Pauling, ganhador do prêmio Nobel em duas ocasiões, que a utilizava em doses elevadas todos os dias , preconizando-a inclusive o aumento da longevidade . Com esta informação foi realizada uma procura sistemática de artigos relevantes e importantes sobre o tema em todo o mundo.
    Após esta pesquisa os artigos encontrados foram analizados e empregou-se a metanálise . Este método estatístico tem a propriedade de somar os resultados e evidenciar se questão , no caso o uso da vitamina C, é ou não pertinente .
    Com o método chegou-se a conclusão de que a vitamina C não apresenta evidências consistentes de benefício no uso
    profilático nos meses de inverno , e que o seu uso em relação a muitas das assertivas ou tabus existentes , ou são
    inconclusivas ou apresentam evidências inconsistentes para o uso apregoado . No entanto , a revisão sistemática sugere que outros estudos devem ser feitos porque ainda existem aspectos duvidosos quanto ao seu uso do medicamento .
    Hoje a colaboração Cóchrane (
    www.epm.br/cochrane) disponibiliza uma grande base de dados com informações de revisões sistemáticas sobre vários temas , que estão a disposição de toda a comunidade médica.
    Com as revisões sistemáticas , vários tabus estão caindo , além do que a forma de ensino está se modificando juntamente
    com prática clínica diária .
    Com isto está diminuindo o peso das experiências pessoais e dos títulos acadêmicos , passando a medicina a se nortear
    nas evidências clínicas.